Em 1996, 19 trabalhadores rurais foram mortos na Curva do S

Pelo menos dez vítimas foram executadas à queima-roupa, concluíram os legistas

Redação Integrada

Na tarde de 17 de abril de 1996, uma quarta-feira, cerca de 1,5 mil trabalhadores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estavam acampados em um trecho da rodovia PA-150, em Eldorado dos Carajás, sul do Pará, em um protesto contra a demora da desapropriação de terras. O objetivo era marchar por sete dias até Belém e pedir a desapropriação da Fazenda Macaxeira, em Curionópolis, então ocupada por mais de 3 mil famílias sem terra.

O então governador Almir Gabriel (PSDB) havia dado ordem para que a Polícia Militar desbloqueasse a via, e cerca de 200 policiais foram enviados ao local. Mário Pantoja era o comandante da operação. De acordo com os sem-terra ouvidos pela imprensa na época, os policiais cercaram o local e já chegaram lançando bombas de gás lacrimogêneo. 19 pessoas foram assassinadas

O médico legista Nelson Massini, que realizou a perícia dos corpos, disse que pelo menos dez vítimas foram executadas à queima-roupa, com tiros pelas costas ou na cabeça. Outros sete lavradores foram mortos pelos próprios instrumentos de trabalho, como foices e facões. Um deles teve a cabeça esmagada. Além dos 19 mortos, pelo menos 60 pessoas foram feridas, entre trabalhadores rurais e PMs.

O comandante da operação, coronel Mário Colares Pantoja, foi afastado no mesmo dia, e chegou a ficar 30 dias em prisão domiciliar, determinado pelo governador, mas depois foi liberado. Três anos depois, em 1999, o coronel, o major José Maria Oliveira e o capitão Raimundo José Almendra foram absolbidos pelos jurados por "falta de provas". No entanto, no ano seguinte o Tribunal de Justiça anulou a decisão.

Pará
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