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Dia Mundial do Rim: mais de 600 pessoas aguardam por transplante de rim no Pará; veja como prevenir

A data alerta para a importância da prevenção e diagnóstico precoce das doenças renais

Ayla Ferreira
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“Os rins são os maestros do nosso organismo”, diz o médico nefrologista Luís Cláudio Pinto, do Hospital Abelardo Santos, em Belém. Se na música, os maestros orientam os músicos nos concertos, para garantir a coesão e o equilíbrio sonoro, no corpo humano, os rins realizam um papel similar, sendo responsáveis por manter o estado de equilíbrio do corpo humano — a chamada homeostase. O órgão realiza a filtração do sangue, mantém a pressão arterial e regula hormônios, além de ser responsável por outras funções diversas. 

Todos os anos, na segunda quinta-feira do mês de março, é celebrado o Dia Mundial do Rim. Este ano, a data é celebrada nesta quinta-feira (12), para chamar atenção para a importância da prevenção e diagnóstico precoce das doenças renais. Uma característica das doenças renais é que elas são pouco sintomáticas. Por isso, exames simples de sangue, oferecidos nos postos de saúde de forma gratuita, podem detectar alterações logo no início, o que ajuda a diminuir o risco de agravamento do quadro.

"A doença renal muitas vezes não apresenta sintomas e pode passar despercebida por anos, colocando a saúde em risco. Estudos mostram que uma em cada dez pessoas no mundo tem algum grau de problema renal sem saber. Por isso, é fundamental realizar exames simples como a urina de rotina e a dosagem de creatinina, que ajudam a identificar a doença precocemente", afirma a nefrologista Silvana Campos.

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), através da Central Estadual de Transplantes (CET), informa que no Pará, foram realizados 60 transplantes renais em 2024, 64 em 2025 e 10 procedimentos em 2026, até o dia 11 de março. Atualmente, 649 pessoas aguardam por um transplante de rim no estado. Em relação à mortalidade, no Pará, foram registrados 48 óbitos entre 2024 e 2025 relacionados à fila de espera por transplante renal

Os rins filtram o sangue, eliminando toxinas e produtos do metabolismo e das células. Além disso, regulam a pressão arterial, equilibram os eletrólitos e ácidos do corpo, mantêm a produção de vários hormônios e também regulam a vitamina D. “Quando os rins ficam doentes, até os ossos podem ficar também, aumentando o risco de osteoporose e fraturas”, alerta o médico Luís Cláudio Pinto.

“As principais doenças são diabetes e pressão alta. No mundo inteiro, sempre foi diabetes. Agora, em 2025, a principal causa de levar o paciente a fazer hemodiálise no Brasil foi a diabetes, ultrapassando a pressão alta. Outras doenças são genéticas, tem a Doença Renal Policística Autossômica Dominante (DRPAD), as glomerulonefrites, além de cálculos renais e infecções urinárias”, explica o especialista.

Sinais de alerta

A anemia é um dos sinais de alerta para doenças renais. Uma das principais causas para o quadro é a carência de ferro, no entanto, no caso de pacientes renais, eles apresentam deficiência na absorção intestinal de ferro e uma inflamação que dificulta a reabsorção do nutriente que já faz parte do organismo. 

“Uma das principais causas é uma doença crônica, entre elas, a doença renal crônica, no caso da anemia. Como sinais, temos também o descontrole da pressão arterial, pois quem a controla são os rins. O paciente pode apresentar também inchaços, alterações urinárias, às vezes reduzindo o volume e muito comumente o paciente começa a perder proteína na urina, gerando urina espumosa e às vezes com sangue”, informa o especialistas. Em casos mais graves, o paciente pode ter falta de ar, náuseas e vômitos.

Para a detecção de doenças assintomáticas, os exames de sangue são grandes aliados. Um dos principais é o exame de creatinina, na qual avalia a creatina, uma proteína produzida pelo músculo, que se acumula quando os rins não conseguem filtrar adequadamente. Outro exame importante é o de urina, líquido secretado pelos rins, para detectar a presença de proteínas, como a albumina. 

Um exame menos popular, mas de suma importância, segundo o médico, é o de relação albumina/creatinina. “Estamos popularizar esse exame, que não é de 24h. Com uma amostra de urina coletada pela manhã, conseguimos determinar a quantidade de albumina que o paciente está perdendo e também a quantiadade de urina”, explica.

Já a hemodiálise é utilizada quando os rins falham e já não conseguem exercer as atividades no organismo, sendo necessária uma máquina para substituir o funcionamento. É um tratamento que segue durante toda a vida. “A pessoa vai continuar o tratamento enquanto for viva, ou se tiver um tratamento substitutivo, que se chama transplante. Isso é uma condição extrema, onde os rins param de funcionar e  a gente tem que substituir de alguma maneira”, detalha.

Segundo a Sespa, o processo de transplante de rins envolve uma série de cuidados rigorosos com os órgãos doados e com os receptores. Antes da doação, é realizada uma avaliação criteriosa do doador,  vivo ou falecido,  para garantir que não haja doenças transmissíveis ou outras condições que comprometam a qualidade do órgão. 

Após a captação, o tempo entre a retirada e o transplante é determinante para a viabilidade do rim. Já no pós-operatório, o paciente transplantado passa por acompanhamento contínuo, com monitoramento da função renal, uso de medicamentos imunossupressores para evitar rejeição e medidas de prevenção de infecções.

Clima e hábitos alimentares podem influenciar

Segundo Luís, lugares mais quentes possuem uma incidência maior de doenças renais, em virtude do calor extremo e das altas temperaturas. Com isso, aumentam os registros de cálculos renais. A alimentação também é um fator determinante, especialmente no Pará, onde comidas ricas em sal fazem parte da cozinha diariamente.

Alimentos como charque, mortadela e calabresa, que costumam acompanhar o açaí nos típicos almoços paraenses, são ricos em sódio. “O alto consumo de sal é uma coisa bastante ligada ao descontrole da pressão arterial, principalmente produtos enlatados, embutidos, processados e industrializados”, afirma o nefrologista.

Já o excesso de farinha de mandioca também é prejudicial. O médico explica que os grandes níveis de açúcar, gerados pelo consumo exagerado do alimento, faz com que o risco de obesidade fique elevado, que por sua vez, aumenta o risco de diabetes e hipertensão.

Prevenção

Um dos principais objetivos para o Dia Mundial do Rim é disseminar informações. “A maior parte das pessoas não sabe nem qual é o médico que cuida dos rins, que é o nefrologista. A gente precisa popularizar isso e o acesso à informação de que exames de postos de saúde fazem a detecção, justamente para evitar que as pessoas percam o funcionamento dos rins e precisem fazer hemodiálise ou transplante ou diálise peritoneal. Então, com medidas simples a gente consegue prevenir”, comenta Luís Cláudio Pinto.

“Hoje em dia temos uma gama muito grande de tratamentos preventivos, que conseguem evitar a progressão da doença na maior parte dos casos. Inclusive, com vários medicamentos liberados de graça pelo Ministério da Saúde, com esforço da Sociedade Brasileira de Nefrologia e do Ministério da Saúde, justamente para poder disponibilizar e evitar essa situação”, finaliza o médico nefrologista.

Veja como prevenir doenças renais

  • Controle a pressão alta e diabetes
  • Evite a obesidade
  • Reduza o sal
  • Não coma alimentos industrializados
  • Faça atividade física regular
  • Não fume

Fonte: Luís Cláudio Pinto, médico nefrologista do Hospital Abelardo Santos

*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Fabiana Batista, coordenadora do Núcleo de Atualidades

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