SEX · 02 OUT 2026Assine

POLÍCIA

Caso do búfalo assado no Marajó: MPPA agenda reunião após repercussão nas redes

O encontro marcado para a próxima segunda (21/7) discutirá medidas relacionadas à proteção dos animais e às questões sanitárias envolvidas no caso

O Liberal

16 de julho de 2026 às 11:33

Prédio do MPPA

Prédio do MPPA ( Foto: Foto: Ascom | MPPA | Arquivo )

Após a repercussão de um vídeo da influenciadora paraense Lia Mendonça, que mostra o preparo de um búfalo inteiro assado durante uma passagem pela Ilha do Marajó, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) informou, nesta quinta-feira (16/7), que realizará uma reunião institucional para discutir medidas relacionadas à proteção dos animais e às questões sanitárias envolvidas no caso. O encontro está marcado para a próxima segunda (21/7), às 10h, no gabinete da Prefeitura de Soure.

Nas imagens que circularam nas redes sociais, o grupo aparece retirando o búfalo da água e, em seguida, montando uma churrasqueira improvisada para assar o animal inteiro. A publicação viralizou e dividiu opiniões entre os internautas.

VEJA MAIS 

Lia Mendonça pede desculpas após repercussão de vídeo com búfalo assado no Marajó Públicação em que o animal é assado inteiro gerou críticas nas redes sociais

Paraense oferece turu para Carlinhos Maia e ele rebate: 'de jeito nenhum boto isso na minha boca!' Lia Mendonça levou o tradicional turu, molusco típico da culinária amazônica, e surpreendeu o elenco do reality com a aparência da iguaria

VÍDEO: Influenciadora paraense viraliza ao ensinar preparo de mucura assada com açaí Lia Mendonça explicou no post que consumo do animal faz parte da subsistência de comunidades ribeirinhas

Em nota publicada nas redes sociais, o MPPA informou que a reunião será conduzida por meio do Núcleo de Defesa dos Direitos dos Animais (Nudan) e faz parte de um cronograma de trabalho voltado ao fortalecimento das políticas públicas de proteção animal no município. Segundo o órgão, o objetivo é promover um diálogo entre as instituições para definir estratégias, alinhamentos e encaminhamentos relacionados à defesa dos direitos dos animais.

De acordo com o Ministério Público, o agendamento da reunião foi motivado pela divulgação das imagens nas redes sociais. O órgão afirmou que o vídeo mostra um búfalo "sem vida e sem pele" sendo colocado em um rio ou em águas do município de Soure, situação que, segundo o MPPA, pode provocar contaminação ambiental.

O MPPA também destacou que, até o momento, não há informações sobre a forma de abate do animal, nem sobre a existência de inspeção sanitária antes da oferta da carne para consumo. Conforme o órgão, essas circunstâncias levantam questionamentos relacionados à segurança alimentar e ao cumprimento da legislação sanitária.
 
A coordenadora do Nudan, Maria José Cunha, ressaltou que a atuação do Ministério Público não questiona o consumo de búfalos destinados à alimentação humana, mas busca verificar se foram observadas as normas previstas na legislação. "Não se afirma que o animal não possa ser considerado como animal que sofre abate para consumo humano, mas é necessário observar as questões de direitos fundamentais ao meio ambiente, de saúde humana, respeito ao consumidor e ao patrimônio cultural do município de Soure", afirmou.
 
Segundo a coordenadora, também serão analisadas as condições sanitárias envolvendo o animal, os procedimentos adotados durante o abate, a fiscalização realizada pelos órgãos competentes e o cumprimento das normas legais aplicáveis. O MPPA acrescentou ainda que a repercussão do vídeo gerou manifestações de parte da sociedade e da população marajoara, por considerar o búfalo um dos símbolos culturais da região.

A Redação Integrada de O Liberal solicitou um posicionamento da Polícia Civil sobre o ocorrido e aguarda retorno. 

O caso

Lia se pronunciou sobre o caso na quarta (15/7). Ela pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas e afirmou que não teve intenção de desrespeitar a cultura. Segundo a influencer paraense, o consumo da carne de búfalo faz parte da tradição e da culinária da região. Mendonça explicou que a proposta do conteúdo era mostrar aspectos considerados autênticos do Marajó.

A influenciadora também apresentou uma nota fiscal do frigorífico onde, segundo ela, o búfalo foi adquirido. Lia afirmou que o animal era proveniente de um estabelecimento legalizado e que a carne comercializada era própria para consumo.

Ainda na quarta (15/7), a Prefeitura de Soure divulgou uma nota no Instagram, em que informou “não tem qualquer vínculo, autoria ou participação no conteúdo” de Lia. A gestão municipal reforçou que “nenhum servidor, colaborador ou membro da rede municipal possui aval da gestão para associar o nome da instituição a ações, publicações ou iniciativas que não estejam alinhadas aos valores e diretrizes” da administração municipal.

“O Município reconhece a criação bubalina como atividade histórica, ligada à economia, inclusive a economia familiar e ao sustento de centenas de famílias, desenvolvida há gerações com técnica e conhecimento próprios das comunidades marajoaras e respeito à bubalinocultura. Trata-se de uma atividade regulamentada e amplamente reconhecida como parte da matriz produtiva e cultural da região”, comunicou.