Após a repercussão de um vídeo da influenciadora paraense Lia Mendonça, que mostra o preparo de um búfalo inteiro assado durante uma passagem pela Ilha do Marajó, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) informou, nesta quinta-feira (16/7), que realizará uma reunião institucional para discutir medidas relacionadas à proteção dos animais e às questões sanitárias envolvidas no caso. O encontro está marcado para a próxima segunda (21/7), às 10h, no gabinete da Prefeitura de Soure.
Nas imagens que circularam nas redes sociais, o grupo aparece retirando o búfalo da água e, em seguida, montando uma churrasqueira improvisada para assar o animal inteiro. A publicação viralizou e dividiu opiniões entre os internautas.
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Em nota publicada nas redes sociais, o MPPA informou que a reunião será conduzida por meio do Núcleo de Defesa dos Direitos dos Animais (Nudan) e faz parte de um cronograma de trabalho voltado ao fortalecimento das políticas públicas de proteção animal no município. Segundo o órgão, o objetivo é promover um diálogo entre as instituições para definir estratégias, alinhamentos e encaminhamentos relacionados à defesa dos direitos dos animais.
De acordo com o Ministério Público, o agendamento da reunião foi motivado pela divulgação das imagens nas redes sociais. O órgão afirmou que o vídeo mostra um búfalo "sem vida e sem pele" sendo colocado em um rio ou em águas do município de Soure, situação que, segundo o MPPA, pode provocar contaminação ambiental.
O MPPA também destacou que, até o momento, não há informações sobre a forma de abate do animal, nem sobre a existência de inspeção sanitária antes da oferta da carne para consumo. Conforme o órgão, essas circunstâncias levantam questionamentos relacionados à segurança alimentar e ao cumprimento da legislação sanitária.
A coordenadora do Nudan, Maria José Cunha, ressaltou que a atuação do Ministério Público não questiona o consumo de búfalos destinados à alimentação humana, mas busca verificar se foram observadas as normas previstas na legislação. "Não se afirma que o animal não possa ser considerado como animal que sofre abate para consumo humano, mas é necessário observar as questões de direitos fundamentais ao meio ambiente, de saúde humana, respeito ao consumidor e ao patrimônio cultural do município de Soure", afirmou.
Segundo a coordenadora, também serão analisadas as condições sanitárias envolvendo o animal, os procedimentos adotados durante o abate, a fiscalização realizada pelos órgãos competentes e o cumprimento das normas legais aplicáveis. O MPPA acrescentou ainda que a repercussão do vídeo gerou manifestações de parte da sociedade e da população marajoara, por considerar o búfalo um dos símbolos culturais da região.
A Redação Integrada de O Liberal solicitou um posicionamento da Polícia Civil sobre o ocorrido e aguarda retorno.
O caso
Lia se pronunciou sobre o caso na quarta (15/7). Ela pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas e afirmou que não teve intenção de desrespeitar a cultura. Segundo a influencer paraense, o consumo da carne de búfalo faz parte da tradição e da culinária da região. Mendonça explicou que a proposta do conteúdo era mostrar aspectos considerados autênticos do Marajó.
A influenciadora também apresentou uma nota fiscal do frigorífico onde, segundo ela, o búfalo foi adquirido. Lia afirmou que o animal era proveniente de um estabelecimento legalizado e que a carne comercializada era própria para consumo.
Ainda na quarta (15/7), a Prefeitura de Soure divulgou uma nota no Instagram, em que informou “não tem qualquer vínculo, autoria ou participação no conteúdo” de Lia. A gestão municipal reforçou que “nenhum servidor, colaborador ou membro da rede municipal possui aval da gestão para associar o nome da instituição a ações, publicações ou iniciativas que não estejam alinhadas aos valores e diretrizes” da administração municipal.
“O Município reconhece a criação bubalina como atividade histórica, ligada à economia, inclusive a economia familiar e ao sustento de centenas de famílias, desenvolvida há gerações com técnica e conhecimento próprios das comunidades marajoaras e respeito à bubalinocultura. Trata-se de uma atividade regulamentada e amplamente reconhecida como parte da matriz produtiva e cultural da região”, comunicou.
