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Ação promove autocuidado e resgate da autoestima de mulheres vítimas de violência em Ananindeua

Ação da Defensoria Pública reuniu cerca de 30 mulheres atendidas pela rede de proteção, com serviços de beleza, educação em direitos e sessão de fotos

O Liberal
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Em meio à rotina de atendimento e enfrentamento à violência contra a mulher, um momento para se olhar no espelho, cuidar da aparência e se reconhecer de uma maneira diferente. Foi com essa proposta que a Defensoria Pública do Estado do Pará realizou, nesta sexta-feira (28), a “Mobilização Lilás”, na Casa da Mulher Brasileira de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém.

A ação foi realizada em alusão ao Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização, prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher, e também faz referência aos 20 anos da Lei Maria da Penha. Cerca de 30 a 35 mulheres participaram das atividades ao longo do dia. Todas já haviam passado por serviços da rede de proteção, como a Casa da Mulher Brasileira, a Defensoria Pública, o ParáPaz e a Delegacia da Mulher.

Ação promove autocuidado e resgate da autoestima de mulheres vítimas de violência em Ananindeua.

Durante a tarde, as participantes tiveram acesso a serviços de cabelo, design de sobrancelhas, esmaltação e maquiagem. A programação também contou com uma sessão de fotos artísticas. A proposta foi proporcionar um momento de autocuidado e valorização pessoal, contribuindo para o processo de reconstrução da autoestima e da autonomia.

Segundo a defensora pública Lisianne Rocha, titular da Defensoria de Defesa das Mulheres em Situações de Violência de Gênero de Ananindeua, a proximidade dos profissionais da rede com as mulheres atendidas facilitou a mobilização para a atividade. “Nós, pessoas profissionais que trabalhamos na Casa da Mulher Brasileira em Ananindeua, damos assistência a mulheres vítimas de violência de gênero. Então, para nós, não é difícil acessar essas mulheres”, explicou.

A partir do Agosto Lilás, a Defensoria decidiu reunir diferentes parceiros para construir uma programação que combinasse informação, atendimento e cuidado. Além da Defensoria Pública, participaram da iniciativa a Secretaria Estadual das Mulheres, a Casa da Mulher Brasileira e o ParáPaz.

A programação também envolveu profissionais de beleza, como designers de sobrancelhas, cabeleireiros, maquiadores e pessoas responsáveis pela esmaltação. Para Lisianne, a iniciativa permite trabalhar diferentes aspectos da vida das mulheres acompanhadas pela rede. “Nós idealizamos e realizamos o evento que chamamos de Mobilização Lilás, porque mobilizamos essas mulheres a se fazerem presentes, mas mobilizamos também vários parceiros”, afirmou.

Educação em direitos e acolhimento

Além das atividades de autocuidado, a programação contou com ações de educação em direitos, uma das principais atribuições da Defensoria Pública. As participantes receberam informações sobre seus direitos e tiveram acesso a discussões relacionadas à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher.

Para Lisianne, iniciativas de conscientização são importantes para discutir tanto os avanços alcançados ao longo dos anos quanto os desafios que ainda precisam ser superados. “Não é sem razão que se precisa trazer essas ações de conscientização. Precisa trazer à baila para debater, para discutir os avanços que já tivemos, mas também as dificuldades que ainda estamos enfrentando e precisamos superar”, destacou.

A defensora ressalta que as mulheres convidadas para a ação já são acompanhadas pelos serviços especializados da rede de proteção. Segundo ela, além da situação de violência, muitas também enfrentam vulnerabilidade socioeconômica. “Todas essas mulheres passaram pelos nossos serviços, passaram pelos serviços que nós oferecemos na Casa da Mulher Brasileira, que são serviços voltados para mulheres em situação de violência de gênero, especialmente as de violência doméstica familiar”, explicou.

Da violência à reconstrução

Uma das participantes da Mobilização Lilás foi a autônoma Bruna Cristina Ferreira Costa, que começou a ser atendida pela rede de proteção após vivenciar uma situação de violência durante a gestação, em 2023.

image A foto mostra Bruna Cristina participando da programação. (Carmem Helena | O Liberal)

Bruna conta que, naquele período, ainda não tinha o conhecimento que possui atualmente sobre os mecanismos de proteção disponíveis para mulheres em situação de violência. O atendimento da Defensoria Pública foi o caminho para que ela chegasse à Casa da Mulher Brasileira e tivesse acesso ao suporte necessário. “Naquela época, que foi em 2023, eu não tinha o conhecimento que eu tenho hoje. E através de hoje eu tive a coragem, o entendimento e o apoio”, relatou.

Com o acompanhamento recebido, Bruna conseguiu ingressar na Justiça e obter uma medida protetiva. Ela também buscou garantir judicialmente os direitos da filha, incluindo questões relacionadas à pensão e à guarda. Segundo ela, o acesso à informação e o apoio recebido foram fundamentais para enfrentar uma situação que considerava um dos seus maiores medos. “A medida protetiva melhorou muito minha vida, me deu coragem de enfrentar o meu maior medo”, afirmou.

Hoje, Bruna participa das atividades promovidas pela rede de proteção e vê nos projetos oferecidos uma oportunidade de construir novos caminhos. Para ela, participar voluntariamente das programações é uma forma de se afastar dos problemas vivenciados e voltar a enxergar possibilidades para o futuro. “A gente não é obrigado, mas é excelente, porque dá uma vida melhor pra gente. Coisa que a gente, por ter problemas, acaba focando naquilo e uma imagem de futuro melhor”, disse.

Autonomia financeira

Além do acolhimento e das atividades de autocuidado, Bruna destaca a importância das oportunidades de qualificação profissional oferecidas pela rede. Recentemente, ela concluiu cursos de promotora de eventos, recepcionista e cerimonialista. “Eu me formei recentemente agora promotora de eventos, recepcionista e cerimonialista por aqui. Foi até o final da semana passada. Aí comecei outro projeto na minha vida, que é agora com certificado e tudo mais, para melhorar a minha carreira”, contou.

A trajetória de Bruna representa um dos aspectos trabalhados pela Mobilização Lilás: a possibilidade de reconstruir a vida a partir do acesso à informação, à proteção, ao acolhimento e a oportunidades que contribuam para a autonomia.

Apoio para reconstruir a vida

A programação também contou com a participação do projeto Arara das Manas, iniciativa da Defensoria Pública que arrecada roupas novas ou usadas, desde que estejam em bom estado de conservação, para serem destinadas a mulheres vítimas de violência de gênero. A proposta é atender necessidades que podem surgir durante o processo de reconstrução da vida. As doações podem ajudar, por exemplo, mulheres que precisam de roupas ou calçados ou que necessitam se preparar para uma entrevista de emprego.

Segundo Lisianne, algumas mulheres enfrentam uma dupla vulnerabilidade: a provocada pela violência e a dificuldade socioeconômica. “Tem aquela mulher que é vulnerabilizada não só pela violência, mas também socioeconomicamente, e precisa de uma roupa, de um calçado, ou aquela que, numa eventualidade, vai precisar fazer uma entrevista de emprego, por exemplo, e precisa estar melhor trajada”, afirmou.

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