Pará entra em alerta climático preventivo diante de possíveis efeitos do El Niño
A medida serve para antecipar ações diante de possíveis mudanças nas condições climáticas
O Pará está em situação de alerta climático e ambiental, em caráter preventivo, devido às projeções meteorológicas relacionadas ao fenômeno El Niño para 2026 e 2027. A medida foi estabelecida pelo Decreto Estadual nº 5.606/2026, publicado na segunda-feira (24), e tem validade inicial de 180 dias.
O alerta não significa que o Estado esteja em situação de emergência ou calamidade pública. A medida serve para antecipar ações diante de possíveis mudanças nas condições climáticas e poderá ser prorrogada caso as equipes técnicas identifiquem a permanência ou o agravamento dos riscos.
Entre os cenários considerados estão a redução das chuvas, períodos de estiagem e seca, menor disponibilidade de água, aumento dos incêndios florestais, ondas de calor e piora da qualidade do ar.
A partir do decreto, órgãos estaduais das áreas de meio ambiente, defesa civil, prevenção e combate a incêndios e resposta à estiagem deverão atuar de forma integrada. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) ficará responsável pelo monitoramento das condições climáticas e ambientais e pela produção de informações que possam orientar as medidas de prevenção.
População busca estratégias para enfrentar o calor
A vendedora Izabela Ferreira Diniz, de 50 anos, trabalha aos arredores do Bosque Rodrigues Alves e aproveita a sombra das árvores da travessa Perebebui. Para evitar desidratação e mal-estar, ela busca ingerir água com frequência.
“A sensação é de queimação mesmo. As roupas têm que ser bem confortáveis, para aguentar essa queimação. A [alta] temperatura faz mal para a gente”, fala.
Visando ter mais resistência em dias quentes, o contador Andrei dos Santos Anchieta, de 35 anos, prioriza a prática de atividades físicas ao ar livre e faz musculação. Ele acredita que o alerta do Governo do Estado do Pará é fundamental para informar a população, principalmente para pessoas idosas.
“Nesse tempo de quentura, o que eu mais faço é tomar água, principalmente nesse ano, que a gente percebe uma quentura maior do que nos anos anteriores”, destaca.
Aos 62 anos, a servente Regina Bezerra de Souza não dispensa a sombrinha e a utiliza como principal forma de proteção solar. Além disso, para manter a saúde oftalmológica, ela opta por óculos com lentes que escurecem em contato com a luz.
“Está muito quente, tem horas que a gente não aguenta”, conta. Regina costuma aliviar o calor por meio de banhos, especialmente pela manhã.
Ações do Governo do Estado
Entre as ações previstas estão o reforço das brigadas de combate a incêndios florestais, criação de alternativas para captação e armazenamento de água, distribuição emergencial de água potável e alimentos e formação antecipada de estoques de medicamentos e outros insumos básicos.
Também estão previstas medidas de apoio à agricultura familiar e à atividade pesqueira, além de ações voltadas à proteção da saúde durante períodos de calor intenso, fumaça e falta de água.
O planejamento deverá considerar as características e os diferentes níveis de vulnerabilidade das regiões do Pará. Entre os grupos que podem receber atenção prioritária estão povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.
Plano de adaptação
O decreto também prevê a elaboração do Plano Estadual de Adaptação à Mudança do Clima do Estado do Pará (PEAC). O documento deverá orientar ações para reduzir os impactos das mudanças climáticas e melhorar a capacidade de resposta do Estado diante de eventos extremos.
A situação de alerta terá duração inicial de 180 dias. Ao fim desse período, uma nova avaliação técnica poderá determinar a manutenção ou o encerramento das medidas previstas.
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