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Risco de estupro faz com que mulheres migrantes façam uso de contraceptivos durante viagem

A recorrência e a "normalização" faz com que estupradores fiquem impunes

Carolina Mota

Mulheres do continente americano que tentam migrar ilegalmente para os Estados Unidos enfrentam cada vez mais situações de violência sexual durante o trajeto. Na Guatemala, muitas delas fazem uso de contraceptivos antes da viagem por saberem da existência de riscos constantes de estupro e gravidez. Em sua maioria, as mulheres indígenas são as mais afetadas, sendo pelo menos 1/4 estupradas durante a viagem.

A percepção de risco provável na violência sexual migrante é de 25,31%, de acordo com um relatório publicado em 2018 pelo Incedes-UNFPA. A coleta de dados é fraca atualmente devido à falta de noitificação dos casos, uma vez que a maioria das mulheres estupradas desiste de dar queixa por vergonha de compartilhar a experiência com alguém.  As informações são do G1.

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Aracely*, imigrante de nome fictício, relatou que foi avisada por amigos desses perigos durante o percurso: "Meus amigos me disseram que eu tenho que me preparar e me medicar. Dizem que o trajeto é muito difícil".

"Tenho o medo de ser estuprada porque minhas amigas que viajaram para os Estados Unidos foram abusadas sexualmente. Elas não engravidaram porque se protegeram antes de viajar. Esse é o meu medo [engravidar], e vou impedir que isso aconteça", diz ela, que é mãe de duas crianças.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a cada dez minutos uma menina ou uma mulher foi estuprada no Brasil em 2021. Apesar da recorrência do crime, o silenciamento das vítimas ainda é a regra, resultado de uma cultura machista e patriarcal, como explicou à RFI a gerente de projetos da ONG Plan International Brasil, Elaine Amazonas.

Outra imigrante, Teresa*, chegou a Illinois por volta de um ano. "As mulheres comentaram que até o próprio coiote [traficante de pessoas] e seus companheiros abusaram ou tocaram nelas", recorda. "Graças a Deus, no meu caso, não passei por essa experiência amarga", suspira aliviada.

Julgamentos

Na maioria das aldeias indígenas da Guatemala existem crenças religiosas. Quando mulheres migrantes não chegam a seu destino ou são deportadas, ao retornarem à sua aldeia, uma série de rumores se espalha as condenando, alegando que já foram estupradas e estão sujas. Como no Brasil e em grande parte do chamado "primeiro mundo", a culpa do estupro, no caso das mulheres, acaba caindo no colo das próprias vítimas.

Quadro alarmante

Os relatórios dos socorristas apontam que nestas caravanas de migração irregular diversas mulheres foram estupradas durante sua viagem. Muito poucas ou nenhuma delas teve acesso a exames de saúde nos postos de fronteira. 

Em alguns casos, o pagamento para um novo coiote é sexo ou trabalho escravo. Se forem pegas pelos agentes federais atravessando a fronteira, acabam sendo estupradas também pela polícia.

O aumento da migração antes e durante a pandemia fez com que meninas, adolescentes e mulheres fossem ainda mais expostas a esse tipo de violência sem que houvesse qualquer condenação para os estupradores.

(Carolina Mota, estagiária sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de política)

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