Paquistão condena militares, jornalistas e youtubers à prisão perpétua

Estadão Conteúdo

Um tribunal do Paquistão sentenciou sete pessoas, incluindo três jornalistas, dois Youtubers e dois militares reformados do exército, à prisão perpétua ontem após condená-los por incitar violência durante distúrbios em 2023 e espalhar ódio contra instituições do Estado.

Um juiz do tribunal antiterrorismo, Tahir Abbas Sipra, anunciou o veredicto na capital, Islamabad, após completar julgamentos realizados à revelia. Nenhum dos acusados estava presente. Eles passaram a viver no exterior após deixar o país nos últimos anos para evitar a prisão.

Segundo o processo, as acusações contra os homens decorreram da violenta agitação que eclodiu em maio de 2023 após a prisão do ex-primeiro-ministro Imran Khan em um caso de corrupção. Segundo os documentos oficiais, na época, milhares de apoiadores de Khan atacaram instalações militares, incendiaram propriedades governamentais, saquearam a residência de um alto oficial do exército e danificaram o prédio da estatal Rádio Paquistão.

Khan também foi acusado em 2024 de incitar violência contra alvos militares e governamentais. Ele negou as alegações. Foi destituído do poder por seus oponentes políticos por meio de uma votação de desconfiança no Parlamento em abril de 2022.

De acordo com a acusação, os sete homens, conhecidos por apoiarem publicamente Khan, incitaram as pessoas à violência, porque Khan repetidamente culpou os EUA e o exército do Paquistão por sua remoção do cargo.

O governo dos EUA, o exército paquistanês e o primeiro-ministro Shehbaz Sharif, que substituiu Khan após sua destituição, negaram as alegações.

Sabir Shakir, que anteriormente apresentava um programa de televisão popular na ARY TV antes de deixar o Paquistão, disse à agência Associated Press ontem que estava ciente de sua condenação no Paquistão. Ele afirmou, porém, que não estava no país quando a polícia o acusou de incentivar a violência. Shakir apontou que o tribunal realizou o julgamento contra ele e os outros sem ouvir os argumentos de seus advogados.

Defensores dos direitos humanos e representantes de sindicatos de jornalistas dizem que a liberdade de expressão está caindo no Paquistão, onde a mídia enfrentou crescentes restrições nos últimos anos. O governo de Sharif diz que apoia a liberdade de expressão, mas alega que youtubers e jornalistas também devem "aderir à ética básica e aos princípios jornalísticos". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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