Opositores de Trump planejam reagir em caso de interferência em eleições de meio de mandato
Partidos democratas estaduais e grupos ativistas estão ampliando nos Estados Unidos preparativos para reagir a uma eventual tentativa do governo do presidente norte-americano, Donald Trump, de interferir nas eleições de meio de mandato de novembro, com planos que incluem voluntários em locais de votação, protestos e medidas judiciais.
A Associação dos Partidos Democratas Estaduais anunciou nesta segunda-feira o "New Battlefield Project", iniciativa que pretende recrutar 10 mil voluntários para acompanhar locais de votação caso agentes federais armados apareçam. O projeto também prevê uma rede para compartilhar informações sobre ameaças e manipulação online.
Ativistas planejam manifestações em massa se o governo tentar interferir na votação ou na contagem de cédulas, enquanto especialistas em direito distribuem orientações a juízes sobre como agir diante de eventuais tentativas de apreensão de material eleitoral.
As iniciativas refletem preocupações entre democratas após Trump tentar reverter sua derrota para Joe Biden em 2020. Desde que retornou à Casa Branca, o republicano nomeou para o governo aliados envolvidos na contestação daquele pleito e perdoou mais de mil pessoas processadas pelo ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio, ocorrido durante a certificação da vitória de Biden.
"Nunca nos preparamos para um evento de sabotagem eleitoral como estamos fazendo agora", afirmou Ezra Levin, do grupo progressista Indivisible.
Trump também pressionou republicanos por novos mapas eleitorais que ampliem o número de cadeiras consideradas seguras para o partido na Câmara e tentou alterar regras de votação antes das eleições deste ano. Os tribunais, porém, barraram iniciativas do presidente para reformular normas eleitorais por ordem executiva, inclusive uma tentativa de restringir o voto pelo correio. Um desses casos está atualmente na Suprema Corte.
A Casa Branca rejeita as acusações de ameaça ao processo eleitoral. "Os únicos 'temores' que os americanos têm sobre nossas eleições estão sendo alimentados por democratas liberais extremistas", afirmou a porta-voz Lauren Blis. Segundo ela, medidas como exigência de identificação do eleitor e regras destinadas a assegurar que apenas cidadãos americanos votem são "de bom senso".
As eleições de novembro decidirão se os republicanos continuarão controlando as duas Casas do Congresso. Em geral, o partido do presidente perde terreno nas eleições de meio de mandato, o que elevou a atenção de ambos os lados para possíveis disputas em torno das regras e da contagem dos votos.
Uma das principais preocupações dos democratas é a possível presença de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em locais de votação. Integrantes do governo negaram durante meses que haja planos para isso, embora tenham ocorrido casos isolados de agentes em seções eleitorais no último ano, geralmente sob a justificativa de busca ou investigação de pessoas específicas. O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, afirmou neste mês que situações semelhantes podem ocorrer novamente em novembro.
Na semana passada, grupos de direitos civis e a cidade de Denver entraram com ação para pedir que um juiz federal proíba formalmente a presença do ICE em locais de votação, citando uma lei da época da Guerra Civil que restringe a atuação de agentes federais armados em áreas eleitorais.
Jane Kleeb, presidente da Associação dos Partidos Democratas Estaduais e do Partido Democrata de Nebraska, afirmou que voluntários poderiam registrar em vídeo eventual presença de pessoas armadas perto das urnas. "Há todo um novo campo de batalha agora", disse.
Republicanos também ampliaram sua estrutura de fiscalização. O Comitê Nacional Republicano (RNC) diz ter recrutado um número recorde de observadores eleitorais. "Construímos a maior operação de integridade eleitoral da história do Partido Republicano", afirmou a porta-voz Ally Triolo, acrescentando que o objetivo é "assegurar cada voto legal" e reforçar a confiança no resultado.
Grupos democratas e de direitos civis também realizam simulações sobre cenários que envolvem eventual presença do ICE ou da Guarda Nacional em locais de votação. O Pentágono afirma não ter planos de enviar tropas às urnas.
O Indivisible diz ter preparado respostas para 17 cenários diferentes, mas afirma que sua principal prioridade continua sendo elevar o comparecimento. A rede No Kings, que organizou grandes protestos contra Trump em seu segundo mandato, prepara uma campanha de incentivo ao voto antecipado, com manifestações previstas para 17 de outubro.
Alguns ativistas citam os protestos contra o ICE em Minneapolis, em janeiro, como possível referência para mobilizações em novembro. "Pode haver um momento semelhante, em que trabalhadores e estudantes precisem se unir e dizer: 'Este é o nosso país. Você não decide quem é eleito nem quem assume o cargo'", afirmou Kidus Girma, do Sunrise Movement. Fonte: Associated Press.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado
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