Infiltrado da CIA, abrigo frustrado: como EUA atacaram a Venezuela e prenderam Maduro

Donald Trump revela que plano para deter líder venezuelano foi adiado por condições meteorológicas e teve ajuda de agente da CIA

O Liberal

As Forças Armadas dos Estados Unidos invadiram a Venezuela e capturaram o ditador Nicolás Maduro neste sábado, 3 de fevereiro. A operação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, havia sido planejada antes do fim do ano, mas foi adiada por condições meteorológicas. A ação militar ocorreu após tentativas frustradas de negociação para a rendição do líder venezuelano.

Paralelamente às negociações, Washington traçava estratégias para o eventual ataque, que teria sido planejado com o auxílio de uma fonte da Agência Central de Inteligência (CIA) dentro do governo de Maduro. Segundo o jornal The New York Times, essa fonte ajudou a monitorar os passos do ditador momentos antes de sua detenção, ocorrida em uma "fortaleza" onde ele tentava se esconder em um "espaço seguro" com paredes de aço, conforme declarações de Trump.

Infiltrado da CIA foi crucial para a captura

Em meio às tensões crescentes entre Venezuela e Estados Unidos, intensificadas a partir de setembro com o início dos ataques a barcos no Caribe, Trump autorizou a CIA a realizar operações secretas dentro do país sul-americano. Ele também avaliava a possibilidade de operações terrestres.

Nesse contexto, uma fonte da Agência Central de Inteligência (CIA) dentro do governo venezuelano foi fundamental para a captura de Maduro. O The New York Times informou que essa fonte monitorou a localização do líder venezuelano nos dias e momentos que antecederam sua detenção pelas forças de operações especiais dos EUA, conforme pessoas informadas sobre a operação.

A agência de espionagem americana produziu as informações que levaram à captura de Maduro, monitorando sua posição e movimentos com uma frota de drones discretos. Esses drones forneciam monitoramento quase constante sobre a Venezuela, além de informações fornecidas pelas fontes venezuelanas. Não está claro como a CIA recrutou a fonte venezuelana, mas ex-funcionários disseram que a agência foi auxiliada pela recompensa de US$ 50 milhões oferecida pelo governo dos EUA por informações que levassem à captura de Maduro.

Negociações prévias com Maduro não tiveram sucesso

Antes da ação militar, Maduro e Trump teriam conversado algumas vezes em busca de uma saída para o país. Veículos de imprensa dos EUA noticiaram que o venezuelano queria garantias de anistia para ele e sua família, caso aceitasse deixar o governo.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sugeriu, em coletiva de imprensa ao lado de Trump neste sábado, que Maduro teve muitas oportunidades de um acordo para deixar a Venezuela. Segundo Rubio, Maduro "escolheu, em vez disso, agir como um selvagem, escolheu brincar com isso. Esse cara teve várias oportunidades de encontrar um lugar para si em outro lugar e poderia estar vivendo em outro país, muito feliz".

Trump afirmou que, "no final", Maduro estava querendo negociar, mas os EUA decidiram fazer a operação porque as ações de Maduro eram "imperdoáveis". O presidente americano não detalhou quando houve essa sinalização de negociação. Na última quinta, 1º de fevereiro, o venezuelano havia dado entrevista falando que estava aberto a conversar com o governo americano sobre combate ao tráfico de drogas e exploração de petróleo.

Operação militar foi adiada devido ao clima

Uma vez definida a ação militar, o governo americano decidiu que ela ocorreria em 30 de dezembro. No entanto, as condições climáticas levaram ao adiamento da operação, de acordo com Trump.

"Nós íamos fazer isso quatro dias atrás, mas o tempo não estava perfeito, e o tempo tem que estar perfeito", disse ele à Fox News. O presidente americano explicou que a operação foi adiada para o dia seguinte e para o outro, mas as condições meteorológicas não melhoraram, até que "o tempo abriu" neste sábado e o ataque foi autorizado. "Havia um pouco mais de nuvens do que imaginávamos, mas estava muito bom", declarou.

Detalhes da captura de Maduro

Na entrevista para a emissora americana, Trump disse que Maduro estava em "uma casa muito vigiada", "uma espécie de fortaleza", quando foi detido. Segundo o presidente americano, o venezuelano tentou se abrigar em um cômodo protegido do imóvel, mas os militares americanos foram mais rápidos e o prenderam.

"Tinha portas de aço. Tinha o que eles chamam de 'espaço seguro', onde é aço maciço por todos os lados. Ele não conseguiu fechar esse espaço. Estava tentando entrar nele, mas foi surpreendido tão rápido que não chegou a entrar", disse Trump. De acordo com o republicano, os militares estavam preparados com "potentes maçaricos" para lidar com aço, mas o uso não foi necessário.

Após a captura, o ditador foi levado de helicóptero até um navio de guerra americano e de lá seguiria para Nova York, onde será julgado por quatro crimes:

  • Conspiração para narcoterrorismo;
  • Conspiração para importação de cocaína;
  • Posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos;
  • Conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos.

Trump acrescentou que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados de helicóptero inicialmente para o navio militar Iwo Jima, um porta-helicópteros usado para transportar fuzileiros navais, aeronaves e equipamentos que funciona como uma base móvel no mar. "Eles estão em um navio e vão seguir para Nova York… Eles foram de helicóptero, num voo agradável. Tenho certeza de que eles adoraram", ironizou o presidente americano.

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