Ex-presidente Ollanta Humala é libertado no Peru após condenação no caso Odebrecht ser anulada
Ex-presidente peruano estava detido desde 2025 acusado de lavagem de dinheiro no caso Odebrecht; decisão judicial anulou pena de 15 anos
Ollanta Humala, ex-presidente do Peru, foi libertado nesta sexta-feira, 31, de uma prisão em Lima. A Justiça anulou sua condenação de 15 anos por lavagem de dinheiro, relacionada ao recebimento de verbas da construtora Odebrecht. Jornalistas da agência AFP confirmaram a saída.
Humala deixou o presídio em um veículo por volta das 19h40 no horário local (21h40 no horário de Brasília), sob escolta policial e cercado por um grande grupo de simpatizantes. Ele estava detido desde abril de 2025, acusado de receber US$ 3 milhões da construtora brasileira para a campanha presidencial de 2011, que venceu.
O ex-presidente declarou aos jornalistas, com a voz embargada, que foi vítima de "perseguição política e judicial" e "sequestrado pelo Estado e por capangas do sistema judiciário". Ele também mencionou ter pedido asilo para a esposa e tirado os filhos do país devido à "perseguição".
Decisão da Justiça
Na quinta-feira, 30, o Tribunal Constitucional divulgou uma decisão que anulou a condenação de Ollanta Humala. O tribunal considerou que o financiamento recebido de terceiros para suas campanhas eleitorais não constituía crime na época em que Humala, hoje com 64 anos, era candidato à presidência.
O escândalo de subornos e corrupção da **Odebrecht** teve consequências em vários países da América Latina. A empresa reconheceu em 2016 que pagou dezenas de milhões de dólares em propinas e doações eleitorais ilegais no Peru desde o início do século XXI.
Acusações contra Humala e outros envolvidos
O Ministério Público acusa **Ollanta Humala** de lavagem de ativos por supostamente ocultar o recebimento de 3 milhões de dólares da Odebrecht. Este valor seria destinado à campanha de 2011 que o levou à presidência, conforme depoimento do ex-presidente da empresa brasileira, Marcelo Odebrecht, aos procuradores peruanos.
Nadine Heredia, esposa de Humala, também foi acusada como cofundadora da legenda Partido Nacionalista. A acusação aponta que, na campanha derrotada de 2006, o casal teria desviado quase US$ 200 mil enviados pelo então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, por meio de uma empresa venezuelana. O casal nega ter recebido dinheiro de Chávez ou de qualquer empresa brasileira.
Humala é o segundo de um total de quatro ex-presidentes peruanos envolvidos no esquema de corrupção da **Odebrecht**. O Ministério Público afirma que o escândalo também implicou Alan García (2006-2011), que cometeu suicídio em 2019 antes de ser detido; Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), ainda sob investigação; e Alejandro Toledo (2001-2006), que foi condenado em 2024 a mais de 20 anos de prisão por receber subornos milionários em troca da concessão de obras em seu governo.
A atual presidente do Peru, a recém-empossada Keiko Fujimori, também foi acusada de lavagem de dinheiro no esquema da Odebrecht enquanto era deputada. Ela chegou a ser presa, sendo libertada por falhas na acusação e vencendo a disputa eleitoral de 2026 após três derrotas no segundo turno (para Humala em 2011, para Kuczynski em 2016 e para Pedro Castillo em 2021).
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