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Remo: Cronistas divergem sobre permanência de Léo Condé no comando do Leão

Carlos Ferreira defende continuidade do técnico, enquanto Paulo Fernando critica trabalho e pede mudança no comando azulino

Fábio Will
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O Remo viveu uma semana de pressão após mais uma derrota no Campeonato Brasileiro da Série A. O Leão Azul perdeu para o Fluminense, de virada, por 2 a 1, no Maracanã, e permaneceu na zona de rebaixamento. A situação provocou protesto de torcedores em frente à sede social do clube, com faixas direcionadas à diretoria e cobranças pela saída do técnico Léo Condé.

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Às vésperas do confronto contra o Coritiba, em Belém, o núcleo de esportes de O Liberal ouviu os cronistas Carlos Ferreira e Paulo Fernando, o ‘Bad Boy’, sobre o momento do treinador. Os dois analisaram as decisões de Condé, os números do time, a postura da equipe e o trabalho realizado desde a chegada ao clube.

Carlos Ferreira vê evolução no trabalho de Léo Condé

Carlos Ferreira avalia que a situação do treinador precisa ser analisada considerando o planejamento do Remo para a Série A. Segundo ele, o clube conseguiu o acesso em novembro e, em janeiro, já iniciou a disputa da elite nacional, passando por mudanças na comissão técnica e no elenco.

‘É preciso analisar o contexto. O Remo subiu em novembro e, em janeiro, começou a jogar a Série A, mudou comissão, trocou elenco, fez uma série de ajustes, cometeu erros graves de planejamento e a bomba estourou nas mãos do Léo Condé, na saída do Osorio’, disse.

Condé estreou na quinta rodada, justamente contra o Fluminense. Nas 13 primeiras rodadas, o Remo disputou 39 pontos e conquistou oito. Para Ferreira, os problemas de planejamento prejudicaram o início da campanha.

“O começo foi muito ruim, por conta de erros de planejamento, e foi um começo horroroso. Da 5ª à 12ª rodada, ele viveu o turbilhão do Remo pelos erros cometidos, jogador que não deveria ter vindo, atletas que não deram resposta em campo”, falou.

image Condé assumiu oRemo após a saida de Osorio (Wagner Santana / O Liberal)

O cronista aponta o jogo contra o Botafogo, no Rio de Janeiro, como um momento de mudança. A partir dali, segundo ele, o Remo passou a apresentar uma configuração mais definida.

“Do jogo do Botafogo para cá, o Remo disputou 33 pontos e conquistou 15. Isso deixa nítido que teve uma evolução de resultados e também de desempenho”, disse.

Ferreira também defende o estilo mais reativo adotado por Condé. Para ele, o treinador trabalha de acordo com as limitações do elenco azulino.

“O que a torcida quer, que ponha o Remo para atacar e, se for jogar assim, vai tomar uma sequência de resultados ruins e até goleadas. Então ele joga com o que tem, é um time reativo”, comentou

Na avaliação do cronista, o Remo está abaixo da média da Série A em investimento e qualidade do elenco. Por isso, considera coerente a estratégia adotada pelo treinador.

“Qualquer técnico racional que venha, com o que o Remo tem, vai fazer desse time reativo ou abrir a guarda e poderá passar vergonha. Condé faz um trabalho dentro da realidade e, dentro dessa realidade, eu considero que ele faz um bom trabalho e coerente”, falou

Ferreira ainda afirma que o cenário precisa ser analisado além dos resultados isolados e considera que o Remo mantém chances de evitar o rebaixamento.

“O Remo possui chances de se salvar, está ruim para o Leão, mas também está ruim para os outros que brigam para não cair e eles estão mais pressionados. O que para o Remo é ruim, para esses clubes é muito pior no que seria um rebaixamento, a pressão é muito maior e dá para conceder um crédito ao Léo Condé”, disse

image Condé comandando o treino do Remo (Raul Martins / Remo)

Paulo Fernando critica trabalho de Léo Condé

Paulo Fernando tem uma avaliação diferente e é contrário à permanência do treinador. Para ele, o desempenho de Condé no Campeonato Brasileiro não justifica a continuidade.

‘O Léo Condé é o treinador que foi contratado, pois, segundo os dirigentes, ninguém queria assumir o Remo, então restou o Léo Condé. Mas o que ele tem a mostrar no Brasileiro? Um rebaixamento com o Ceará, no mais, ele possui bons trabalhos em outras divisões”, disse.

O cronista afirma que o torcedor espera uma equipe mais agressiva, principalmente atuando em Belém, e entende que o Remo ainda não encontrou uma identidade na competição.

“O torcedor no Pará quer ver atitude, o Remo propondo o jogo, atuando em Belém, agressivo, e o Remo está procurando essa identidade no time até agora”, comentou.

Paulo Fernando também critica o discurso adotado por Condé após as partidas e questiona algumas escolhas do treinador.

“O treinador possui um discurso preparado quando termina os jogos. “A outra equipe era melhor”, “a outra equipe tem maiores investimentos”. Tirando a Chapecoense, qual outra equipe tem mais investimentos?”, questionou.Ele cita ainda Leonel Picco como exemplo de uma escolha que considera equivocada.

‘O torcedor viu no Léo Condé uma teimosia e coloquei isso em minha coluna. O Leonel Picco não é o Pelé, o Maradona, mas ele não pode ser banco do Remo com o clube precisando de marcação”, disse.

Cronista cobra atitude na reta final

Paulo Fernando também cita os jogos contra Internacional e Fluminense para questionar a postura do Remo fora de Belém.

“O Remo tomou a virada contra o Fluminense, diante do Inter os atacantes colorados marcaram um gol e perderam cinco. Todo mundo sabe que o Remo penou nas duas partidas longe de Belém, mas existe a necessidade de ser assim?”, perguntou.

Para ele, o cenário da Série A permite que o Remo busque resultados importantes na reta final. O time tem cinco jogos pela frente, sendo quatro em Belém.

“A Série A deste ano, o nível é fraco, muitos times estão se enrolando lá no fim da tabela, pois, em outras temporadas, já teríamos quem iria cair”. Paulo Fernando afirma que o clube precisa entrar nos próximos jogos com uma postura mais ambiciosa.

“Agora são cinco jogos, com quatro em Belém, só que me preocupa o discurso de que com esse adversário o Remo já perdeu, esse aqui vai empatar. Mas tu meter na tua mente que tu não tem condições de ganhar e aí é melhor parar”, falou.

O cronista também direciona críticas à gestão do clube e defende que uma eventual troca de treinador deveria vir acompanhada de investimento.

“O que falta é atitude, colocar na mesa e entender: se não deu mais, forte abraço e vamos atrás de outro treinador, mas chega com dinheiro, não vai chegar passando fome”, explicou.

Paulo Fernando afirma ainda que o Remo teve contratações equivocadas e que alguns jogadores recebem valores elevados sem apresentar o desempenho esperado.

“Agora o Remo teve contratações equivocadas, jogadores ganhando muito e não produzindo, e acabar com esse discurso de que o Condé saindo acabou”, disse.

Para ele, a permanência de Condé pode depender da pressão exercida pela torcida sobre a diretoria.

‘Se depender da postura de quem comanda o Remo e de quem resolve, o Condé vai até o final da Série A. A saída do Condé vem das arquibancadas, pois, quando a torcida aperta, quem tem orelha tem medo”, finalizou.

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