Remo leva gol no último lance e fica no empate com o Atlético-MG
Leão ficou no 3 a 3 com o Galo, em duelo válido pela quarta rodada Brasileirão, deixando em Belo Horizonte a sensação de que o resultado poderia ter sido ainda maior.
O Remo esteve a segundos de escrever uma vitória histórica fora de casa, buscou a virada no segundo tempo sob uma chuva torrencial na Arena MRV, mas acabou cedendo o empate ao Atlético-MG no último lance da partida. Em um jogo eletrizante, marcado por reviravoltas, gol anulado e gols decisivos nos minutos finais, o Leão ficou no 3 a 3 com o Galo, em duelo válido pela quarta rodada Brasileirão, deixando em Belo Horizonte a sensação de que o resultado poderia ter sido ainda maior. O próximo compromisso do Leão será nesta quinta-feira, contra o Castanhal, no Modelão, pela quinta rodada do Parazão, com seu chamado time B em campo. Pelo Brasileirão, a equipe irá enfrentar o Internacional dia 25, às 19h, no Mangueirão, buscando sua primeira vitória.
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O primeiro tempo na Arena MRV teve roteiro quase único: o Atlético-MG com a bola, o Remo correndo atrás dela e a sensação constante de que o gol do Galo era apenas questão de tempo. Desde os primeiros minutos, o time mineiro impôs ritmo alto, aproveitando a grama sintética para acelerar trocas de passe, inverter o jogo e atacar em velocidade. Hulk, como de costume, foi o eixo de quase todas as jogadas ofensivas, enquanto Preciado aparecia com força pela direita e Reinier circulava entre a defesa e o meio-campo azulino, criando dificuldades para a defesa azulina, que foi formada por Kayky Almeida e Marllon, com João Lucas e Sávio - que retornava ao time -nas laterais, além de Zé Ricardo e Patrick de Paula na contenção.
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A pressão inicial se traduziu em várias chances claras. Hulk levou perigo em cobrança de falta logo no começo, Alan Franco desperdiçou oportunidade dentro da área e Cuello chegou a parar na trave em finalização que pegou Rangel já vencido. O Remo até tentou responder em escapadas pontuais, como no cruzamento de Leonel Picco que quase encontrou Vitor Bueno, mas eram ações isoladas, mais fruto de resistência do que de controle. O Atlético seguia rondando a área, empilhando jogadas, errando o último toque, mas deixando evidente que o jogo estava sendo disputado quase todo no campo azulino.
O gol saiu aos 21 minutos, como consequência natural do domínio. Um erro de Zé Ricardo na saída de bola foi fatal: Vitor Hugo interceptou e acionou Hulk, que dominou com categoria e finalizou forte, entre as mãos de Marcelo Rangel. Mesmo em vantagem, o Galo não diminuiu o ritmo. Continuou pressionando, trocando passes na entrada da área, buscando chutes de média distância e cruzamentos constantes. Reinier e Cuello voltaram a assustar, a trave apareceu novamente como aliada do Remo por duas vezes conscutivas, e o placar poderia ter sido ampliado antes do intervalo.
Quando tudo indicava um primeiro tempo controlado pelo Atlético, o futebol resolveu pregar sua peça habitual. Já na reta final, Alef Manga fez boa jogada pela esquerda, entrou na área, deu o passe rasteiro e encontrou Vitor Bueno em condição perfeita. O meia-atacante matou a bola com calma, tirou o zagueiro e bateu na saída de Everson, marcando seu primeiro gol com a camisa do Remo e silenciando a Arena MRV. O empate mudou o clima do jogo: o Atlético ainda tentou responder, quase marcou com Reinier, mas parou em Rangel. No final da etapa, o jogador do Galo ainda achou tempo para discutir com o argentino Leonel Picco.
2º Tempo
A chuva caiu mais pesada no segundo tempo, como se a Arena MRV anunciasse que o jogo sairia do controle. O Remo voltou melhor, mais agressivo, ocupando o campo de ataque com coragem. Logo aos dois minutos, Vitor Bueno avançou livre pela área e cruzou para trás; Patrick de Paula chegou batendo, mas foi travado no instante decisivo. Aos quatro, Alef Manga recebeu pela esquerda, puxou para o meio e finalizou com perigo, obrigando Alan Franco a desviar para escanteio. Na cobrança, Kayky Almeida cabeceou firme, sem pular, e Everson salvou o Atlético com uma grande defesa. O Leão mostrava que não aceitaria apenas se defender.
A virada chegou a acontecer. Após disputa pelo alto de João Pedro, Zé Ricardo ficou com a sobra na área e encontrou Leonel Picco, que bateu rasteiro no canto de Everson. O Remo comemorou, mas o VAR esfriou tudo: o árbitro anulou o gol ao identificar empurrão de João Pedro no início do lance. A partir daí, o jogo ficou mais cauteloso. O Atlético passou a respeitar o Remo, diminuiu a exposição, enquanto Juan Carlos Osorio mexia no time e colocava Diego Hernández em campo. Mesmo assim, o Leão seguia perigoso. Patrick de Paula quase marcou em chute de primeira da entrada da área, e Hernández, em jogada individual pela esquerda, obrigou Everson a espalmar para escanteio.
Como manda o futebol, quem não aproveita acaba punido. Aos 24 minutos, Hulk cobrou falta com força, Ruan venceu a disputa na pequena área e cabeceou firme. A bola passou entre os braços de Marcelo Rangel e entrou. O gol devolveu o controle ao Atlético, que cresceu com as entradas de Bernard, Scarpa e Dudu, trocando passes rápidos e pressionando o Remo. Ainda assim, o Leão resistiu, reorganizou-se e voltou a equilibrar as ações com a entrada de Yago Pikachu.
E quando parecia que o jogo caminharia para mais uma frustração azulina fora de casa, o Remo foi buscar forças onde já não havia. Aos 42 minutos, Patrick de Paula, que teve grande atuação, encontrou Pikachu dentro da área. O camisa 22 ajeitou com frieza e finalizou com precisão, vencendo Everson sob a chuva torrencial. O empate incendiou o jogo. Nos acréscimos, o roteiro improvável ganhou tons épicos: Renan Lodi recuou mal, Patrick tentou driblar o goleiro e foi derrubado; a bola sobrou para Alef Manga, que teve calma para dominar e empurrar para o gol vazio. A virada parecia histórica.
Mas o futebol guardava um último golpe. No último lance da partida, Scarpa avançou pela direita e cruzou rasteiro. A defesa do Remo falhou na cobertura, e Dudu apareceu livre para empatar. 3 a 3. Um final cruel para o Leão e simbólico de um jogo caótico, intenso e inesquecível, em que o Remo esteve a segundos de uma vitória histórica, mas saiu da Arena MRV com um empate que ainda assim diz muito sobre sua força e competitividade.
FICHA TÉCNICA
Local: Arena MRV – Belo Horizonte (MG)
Data: 11.02.2024
Horário: 20h
Árbitro: Matheus Delgado Candançan
Auxiliares: Neuza Inês Back e Luís Carlos de França Costa
Gols: Hulk, Ruan e Dudu (Atlético-MG); Vitor Bueno, Yago Pikachu e Alef Manga (Remo)
Cartões amarelos: Kayky Almeida e João Pedro (Remo)
Atlético: Everson; Preciado (Dudu), Ruan, Júnior Alonso e Renan Lodi; Alan Franco, Maycon e Victor Hugo e Cuello (Gustavo Scarpa): Hulk, Igor Gomes e Renier (Bernard). Técnico: Jorge Sampaoli.
Remo: Marcelo Rangel; João Lucas, Marlon, Kayky Almeida e Sávio (Léo Andrade), Picco (Zé Wellison), Zé Ricardo, Patrick de Paula e Vitor Bueno (Yago Pikachu); João Pedro (Diego Hernández) e Alef Manga. Técnico: Juan Carlos Osorio.
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