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Corrida de orientação: 'esporte dos aventureiros' reúne pai e filho em jornada junto à natureza

Com um mapa e bússola na mão, a modalidade ainda pouco conhecida reúne adeptos em Belém

Dinei Souza 

A corrida de orientação nasceu na Suécia por volta de 1900 e chegou ao Brasil 70 anos depois, a partir de uma visita de militares brasileiros à Europa que, por interesse na modalidade, foram pessoalmente observar as competições. Por volta de 1974, o esporte de orientação se tornou mais conhecido nas escolas de Educação Física do Exército.

Conheça mais sobre a Corrida de Orientação:

 

Hoje já existem grupos de praticantes ativos do esporte de orientação em Belém. Um exemplo é o militar e professor de Educação Física, Antonio Cardoso Junior, 41 anos, atual técnico da equipe de orientação do Colégio Militar de Belém. Ele conta como foi apresentado ao então desconhecida e desafiadora atividade. 

“Entrei para o Colégio Militar de Belém em 2016, o chefe da Seção de Educação Física (SEF) determinou para os professores que formassem equipes desportivas para os Jogos da Amizade, evento esportivo que ocorre todos os anos entre os colégios do Sistema Militar do Brasil. Coube a mim a função de ser o treinador da modalidade orientação. Na época, não sabia nem o que era (risos). Pesquisa daqui, estuda dali e conheci o Senhor Tenório, Suboficial Fuzileiro Naval da reserva que me apresentou a modalidade e como funcionava”, relembra.

De acordo com o professor Antonio, é uma modalidade desportiva que usa a própria natureza como campo de jogo. Baseia-se na capacidade de se orientar espacialmente em um terreno desconhecido pelo praticante, trilhando no menor tempo possível um caminho pré-determinado com a utilização de equipamentos-guia (bússola, mapa, cartão de orientação e prisma). A leitura do mapa é essencial para os orientistas - como são chamados os praticantes da modalidade - e contém diversas simbologias que apontam, entre outras coisas, a rota a ser traçada e os obstáculos do caminho a percorrer.

O esporte pode ser praticado em meios urbanos ou rurais (florestas). “Utilizamos áreas do Parque Ambiental do Utinga, Universidade Federal do Pará, Universidade Federal Rural da Amazônia, CEPLAC, área da Pirelli, 2º Batalhão de Infantaria de Selva, Clube dos Oficiais da Aeronáutica (antigo T1), Praça da República, Conjunto Médici I, além de sítios ou fazendas, quando permitido”, relata Antonio.

A palavra “orientação” deriva de “oriente”, ou seja, o lado que o sol nasce. De acordo com o militar da reserva João Tenório, 73 anos, a observação do nascer do sol é a primeira forma de se orientar em referência aos pontos cardeais e, da mesma forma, o mundo se organiza em virtude do nascer do sol. 

corrida de orientação ANTONIO CARDOSO E FELIPE CARDOSO- PAI E FILHO

Conforme o veterano orientista Tenório, “a orientação apresenta quatro distintas opções do esporte: competitiva, de turismo, pedagógica e ambiental. A alternativa competitiva abrange o esporte na sua forma mais clássica, apontando para a formação de atletas para competições. Existem também as modalidades na Orientação, que podem ser pedestre com percurso Floresta ou sprint, Orientação em Mountain Bike, Precisão (cadeirantes) e Ski (praticado em países onde há neve)”, comenta.

Entre as conquistas contabilizadas pelo militar e técnico de orientação, Antônio. Está a participação do filho, Felipe Cardoso de 9 anos. Ele fala do sentimento. “Quando ele começou foi apenas uma brincadeira de caça ao tesouro. Iniciamos acompanhando, explicando as técnicas de como manusear o mapa, a bússola, o controle da corrida e vendo a sua alegria. Agora, depois de iniciado, ele já consegue ir sozinho e completar sua pista, e isso é muito gratificante”, relata, orgulhoso.

Em 2019, após curso em Fortaleza para técnico da modalidade, Antonio voltou para Belém cheio de planos. Após a seletiva para um mundial estudantil de orientação, conseguiu classificar três alunos para compor a delegação que foi representar o Brasil na Estônia. O professor fala sobre os benefícios percebidos para saúde física, mental e social dos que praticam a modalidade.

“Praticar orientação é aventura, superação e raciocínio. No meu entendimento é o esporte mais completo que existe, pois você precisa estar preparado fisicamente para correr, mentalmente para interpretar a melhor rota a seguir e superar suas dificuldades no terreno, tudo isso apreciando a beleza da natureza. O lado social fica a cargo de cada um em preservar o meio ambiente”, expressou.

Equipamentos necessários para praticar a orientação

Mapa de orientação: um mapa da região com pontos discriminados graficamente. Neste mapa, estão os chamados “ponto de controle”, representados por “prismas” que são previamente colocados no terreno. O orientista deve passar, obrigatoriamente, por todos em ordem pré-determinada. 

Bússola: instrumento largamente utilizado no esporte, tendo como finalidades medir ângulos horizontais e orientar o competidor no terreno e na carta. Algumas bússolas possuem uma régua de escalas e uma lente de aumento que serve como lupa. As medidas são determinadas por uma agulha magnetizada, a qual indica, por princípio da física terrestre, a direção chamada “norte magnético”.

Cartão de controle: podem ter diversos formatos, mas todos incluem quadrados numerados para a picotagem nos sucessivos pontos de controle, assim como espaços para o nome do participante, o percurso, o escalão, as horas de partida e de chegada e o tempo demorado a realizar o percurso. 

Prisma: o símbolo da orientação é a baliza, que consiste num prisma quadrangular laranja e branco e que sinaliza a localização dos pontos de controle.

Picotador: sistema de perfuração, também conhecido por 'alicate', que se encontra junto à baliza, para perfurar o cartão de controle no quadrado correspondente. Isto permite aos organizadores verificarem se foram visitados os pontos de controle corretos.

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