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Atletas de karatê buscam apoio para disputar torneios e destacam importância do incentivo no esporte

Sônia Coutinho e Rafael Cavalcante falam sobre desafios para disputarem competições

O Liberal

Apesar de ser um dos estados que revelam talentos no karatê, o Pará ainda enfrenta um desafio recorrente: a falta de apoio para que atletas possam competir em alto nível. A realidade impacta diretamente a carreira de nomes como Rafael Cavalcante, que busca espaço no cenário nacional e internacional da modalidade.

Rafael treina karatê desde os sete anos e iniciou a trajetória competitiva aos 15. Ao longo de quase duas décadas no esporte, contou com o apoio da família, mas, com o aumento no número de competições, passou a enfrentar dificuldades para custear a participação nos torneios.

"A minha família me ajudou muito. Quando eu entrei no profissional, as viagens começaram a ficar mais frequentes. Hoje, praticamente, eu tenho que ir ao mesmo lugar duas vezes no mês. Então, agora a gente busca um apoio maior. Acredito que esse incentivo é fundamental nesse momento, até porque o esporte é acolhimento, é uma família", destacou o atleta.

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A técnica da seleção paraense de karatê tradicional e vice-presidente da Confederação Brasileira da modalidade, Sônia Coutinho, reforça que a falta de incentivo é um obstáculo não apenas no karatê, mas em grande parte do esporte amador.

"A gente tem grandes atletas no cenário paraense, com destaque em competições nacionais e internacionais. Mas uma das maiores dificuldades é justamente o apoio, para que possam participar dos eventos e se manter no ranking, o que é essencial na trajetória deles", afirmou.

Atualmente, a federação paraense conta com cerca de 15 atletas de alto rendimento e mais de mil afiliados. O calendário inclui competições importantes, como o Pan-Americano, no Rio de Janeiro; o Campeonato Mundial, em Lima, no Peru; além do Norte/Nordeste, em Fortaleza, e o Brasileiro, em Curitiba.

Com experiência nesse circuito, Rafael acumula conquistas como um título Sul-Americano, o bicampeonato brasileiro e o tetracampeonato paraense. Agora, se prepara para mais dois desafios internacionais: o Mundial, em Lima, no Peru, e o Karatê Legend, no Rio de Janeiro.

"O Karatê Legend é meu foco principal neste momento. É uma modalidade diferente, mais voltada para o full contact, não é por pontos. É uma luta mais intensa, que vem crescendo bastante e pode abrir portas no futuro", explicou.

Rafael reforça que o karatê representa muito mais do que competição. Segundo ele o karatê "salvou a minha vida" e o deu mais perspectiva, objetivo e foco. 

Assim, Sônia destaca o papel do esporte como ferramenta de transformação social e reforça a necessidade de maior investimento.

"O esporte é uma ferramenta fundamental de resgate social. É importante que haja incentivo, inclusive por parte das empresas, que também podem se beneficiar ao apoiar iniciativas como essa", concluiu.