Tricampeão do Parazão, Sinomar fala de sonho e revela bastidores de Paulista 9 x 0 Paysandu

Treinador goiano possui uma história vitoriosa no futebol paraense

Fabio Will

Goiano de nascimento e paraense de coração. O treinador Sinomar Naves, de 64 anos, chegou a Belém em 1980 para atuar pela Tuna Luso, depois atuou pelo Izabelense e seguiu na capital paraense até formar-se em educação física pela Universidade Estadual do Pará (UEPA). Em um papo descontraído, o técnico falou das conquistas, família, sonhos e revelou bastidores da goleada sofrida do Paysandu por 9 a 0 para o Paulista-SP, em 2006, pela Série B.

De fala mansa e cheio de experiências no futebol, Sinomar Naves é um treinador vitorioso. São ao todo três títulos do Parazão, o primeiro com o Paysandu em 2005, depois suas grandes façanhas, conquistou dois títulos do Campeonato Paraense seguidos e por clubes do interior, um com o independente de Tucuruí em 2011 contra o Paysandu e em 2012 com o Cametá diante do Remo.  Para o técnico, as conquistas foram especiais, por tudo que já viveu no futebol.

“Só quem treina sabe das dificuldades. Trabalhei na Tuna em 1987 sendo preparador físico e treinador ao mesmo tempo. A pressão de estar em um clube grande e vivi isso quando estive  no Paysandu em 2005 e vencendo o Remo no clássico Re-Pa e posteriormente no Remo em 2010 e 2012. As conquistas pelo Independente e Cametá me colocaram em um grupo seleto, foi muito bom conquistar isso também com os pequenos, mostrando que é preciso olhar para o futebol como um todo”, disse.

Além dos títulos da elite do futebol paraense, Sinomar conquistou duas vezes a Segundinha do Parazão com a equipe do Pedreira nos anos de 1995 e 2000. Outro título foi de campeão amazonense em 2014 pelo Nacional-AM.

Título especial e sonho

Sinomar Naves  elegeu o título contra o Remo,  de 2012, quando estava no Cametá, como o que teve um sabor diferente, já que iniciou a temporada no Leão, mas foi dispensado e na decisão reencontrou o ex-clube.

“O futebol é assim, fui treinador do Remo, o clube vivia uma grave crise financeira, preparei a equipe mas acabei demitido. Algumas semanas depois fui contratado pelo Cametá e o destino me colocou diante do Remo. Foi especial por não terem acreditado no meu trabalho, apenas isso. Deixei bons amigos no Remo e um sonho que eu tenho é poder fechar o ciclo dirigindo o clube novamente e sendo campeão, aí fecharia minha carreira de forma legal”, comentou.

Família campeã

Morador da Ilha de Mosqueiro, o professor e gestor escolar Sinomar Naves construiu sua família em Belém e com a dona Sandra teve três filhos, a Samara, Samira e o Sinomar Júnior, que esteve presente nas conquistas do pai. Em 2011 como olheiro do Independente e em 2012 como auxiliar do pai Sinomar à beira do gramado.

Pai e filho pelo Cametá com a taça de campeão do Parazão 2012 (Arquivo pessoal)

PAULISTA 9 X 0 PAYSANDU

O treinador evita falar do assunto, pois é algo que chateia até hoje, mas revelou bastidores do grupo bicolor naquela partida que terminou com uma goleada jamais esquecida pela torcida bicolor. Para Sinomar a falta de compromisso de diretoria e jogadores foi decisivo para o resultado do jogo.

“É um episódio triste na minha carreira e de muitos atletas que participaram do jogo, sem contar pro clube. Fui chamado para tentar salvar o Paysandu naquele ano faltando dois jogos.  Estávamos com três ou quatro meses de salários atrasados e na semana do jogo o então presidente Tourinho apresentou o novo diretor de futebol, da família Aguilera, que prometeu pagar um mês. Mas alguns dias ele deixou o clube e não ocorreu o pagamento. Alguns jogadores não queriam viajar. O presidente prometeu pagar os atletas no dia do jogo através de seu filho, mas também não conseguiram juntar todo o valor e nada foi pago”, falou.

O treinador disse não saber de “entrega” do jogo até a bola rolar e disse que quase saiu no soco com um ex-jogador no vestiário por ter um comportamento incorreto.

“Quando a bola rolou percebi algo de errado. Os jogadores não corriam, não obedeciam, não faziam as coisas que treinamos e cobrei no vestiário. Estava inconformado com o que eles estavam fazendo com o Paysandu e funcionários. E fui para brigar com esse jogador, mas alguns separaram. Anos depois  atletas confirmaram que parte do grupo queria ter aberto o jogo no clássico contra o Remo  e que muitos já viajaram com todas as suas coisas, pois não voltariam a Belém, já sabendo o que iria ocorrer. Foi triste, uma sensação de impotência”, falou Sinomar, sem citar com qual atleta brigou.

Futebol
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