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Brasil repatriou mais do que vendeu, mas jovens jogadores saem mais cedo

Janela de transferências europeia escancara preferência do retorno financeiro sobre o esportivo. De janeiro até julho, 745 brasileiros voltaram para o futebol nacional

LANCE!

Mais jogados voltaram a atuar no Brasil no que saíram do país. Isto é o que indica o Raio-X do Mercado 2019, relatório divulgado pela CBF, nos primeiros sete meses deste ano. Do dia 1 de janeiro até 31 de julho, 745 brasileiros voltaram para o futebol nacional, enquanto 635 saíram do país.

Ao analisar os valores destas transferências, no entanto, é possível notar um padrão muito comum no futebol brasileiro. Se a venda de atletas para o exterior rendeu 213 milhões de euros, a compra destes jogadores chegou a 59 milhões de euros. Das negociações com jogadores que retornaram ao país, a grande maioria foi feita com atletas sem contrato ou emprestados de graça.

Enquanto isso se há alguns anos as categorias de base tinham o objetivo de formar jogadores para os próprios times profissionais, hoje, elas se tornaram um fator essencial no planejamento financeiro dos clubes brasileiros.

Nas últimas temporadas, o número de jogadores muito jovens negociados antes mesmo de se firmarem em seus times cresceu. Promessas e craques brasileiros passaram a irem para o exterior sem nem ter completado um número mínimo de jogos ou conquistado títulos pelos clubes que os revelaram.

- O fator financeiro tem prevalecido e, portanto, a tendência é que por vários anos continuemos com a mesma lógica, tendo em vista que a situação econômica dos clubes em 2019 é muito ruim. Para agravar ainda mais este fato, as receitas de transferência nesta janela europeia foram baixas - explica Eduardo Carlezzo, advogado especialista em direito desportivo.

O Palmeiras vendeu o zagueiro Vitão, de 19 anos, que foi capitão da seleção sub-20 no Sul-Americano da categoria, para o Shakhtar Donetsk. Morato, de apenas 18 anos, deixou o São Paulo para defender o Benfica até 2024. O Santos vendeu o zagueiro Kaique Rocha, de 18 anos, para a Sampdoria. Enquanto isso, Bahia e Vasco emprestaram suas promessas Eric Ramires e Lucas Santos para Basel e CSKA, respectivamente.

- O retorno financeiro à frente do esportivo está crescendo muito. Equipes de fora do país chegam cada vez mais cedo no Brasil para evitar uma futura valorização do jogador que está despontando - afirma Júnior Chávare, diretor executivo das categorias de base do Atlético-MG.

As negociações de Vinicius Junior e Rodrygo ilustram bem o atual cenário. Ambos foram vendidos antes mesmo de completarem 18 anos e precisaram esperar nos seus respectivos clubes antes de irem para a Espanha, vestir a camisa do Real Madrid.

Vinicius foi negociado em 2017, quando tinha apenas 16 anos, por 45 milhões de euros (R$ 164 milhões de reais, na cotação da época). Já a joia santista assinou acordo com o Real Madrid em 2018, com 17 anos, pelos mesmos 45 milhões de euros (R$ 193 milhões, na cotação da época).

Em ambos os casos, as vendas representaram muito para os cofres dos seus respectivos clubes. O dinheiro investido em Rodrygo valeu por dois anos de previsão de negociações no balanço do Santos e ajudou o clube da Vila Belmiro a fechar as contas. Vinicius, por sua vez, foi o primeiro de uma geração de sucesso das crias da base do Rubro-Negro, que geraram pouco mais de R$ 400 milhões em três anos.

- Atualmente, não há alternativas para os clubes brasileiros tentarem fechar as contas no azul no final do ano: ou vendem jogadores, ou fatalmente o déficit será alto. Assim, cada vez mais jovens atletas que normalmente ficariam um tempo maior no país antes de sair, acabam sendo transferidos - conclui Eduardo Carlezzo.

Os casos mais recentes de vendas prematuras envolvem os nomes de João Pedro, do Fluminense, e Tetê, do Grêmio. Com apenas 17 anos, o talento do Tricolor das Laranjeiras foi negociado com o Watford e se apresenta em janeiro de 2020 ao clube inglês.

Já o atacante Tetê foi vendido pelo Grêmio em fevereiro deste ano, com apenas 19 anos, para o Shakhtar Donetsk por 10 milhões de euros (43 milhões de reais) sem nem ter jogado no time profissional do Grêmio.

- O grande segredo é apresentar planos de carreira para que o atleta perceba que, muitas vezes, é melhor para ele permanecer no Brasil jogando do ir para o exterior apenas por ir e acabar passando parte dos jogos no banco de reservas - explica o diretor da base do Galo.

Na falta de um plano de carreira, o mecanismo de proteção dos clubes é a multa rescisória que, na maioria dos casos, não evita a saída de grandes promessas do futebol brasileiro.

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