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Estudo mostra crescimento de 25% no número de mulheres eleitas no Pará

Levantamento realizado pela Consultoria-Geral da Câmara dos Deputados aponta que o Brasil também teve aumento de participação feminina durante o pleito municipal

Camila Azevedo
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O número de mulheres eleitas durante as eleições de 2024 no Pará aumentou 25% em relação ao pleito de 2020. Para assumir os cargos municipais a partir de 1º de janeiro de 2025, o estado conta, agora, com 370 cadeiras conquistadas pelo gênero feminino. Antes, eram 296. No Brasil, o cenário é parecido: de acordo com os dados da Consultoria-Geral da Câmara dos Deputados, elas representam 17,92% das eleitas este ano.

Na divisão por cargos, o Pará elegeu 304 vereadoras, 28 prefeitas e 38 vice-prefeitas. O Movimento Democrático Brasileito (MDB) foi o partido que mais garantiu espaço no estado, totalizando 130 mulheres eleitas pela sigla, seguido pelo União Brasil, com 42 cadeiras destinadas a elas. No cenário nacional, há a chance de aumento da participação feminina, dependendo do resultado do segundo turno.

No entanto, apesar dos números, o crescimento é considerado tímido. A socióloga e cientista política paraense Karol Cavalcante considera que é necessário avanços na legislação do Brasil para que a quantidade de mulheres ocupando espaços na política siga evoluindo - e isso está ligado, inclusive, a uma mudança no debate. “Na maioria dos países na América Latina o sistema de cotas já está superado”, diz.

“No geral, os países latino-americanos já evoluíram para reserva de vagas e estão ampliando o debate para paridade no parlamento, 50% de mulheres e 50% de homens. No Brasil, ainda estamos buscando mecanismos para efetivar a Lei de Cotas e garantir que os partidos não utilizem subterfúgios, como o uso de candidaturas laranjas, para burlar a regra. Ou seja, estamos a passos lentos quando comparamos com outros países vizinhos”, afirma.

Impactos

O aumento da participação feminina nos espaços públicos têm impactos positivos para a democracia. Karol explica ainda que a elaboração de políticas para mulheres também têm benefícios com esse movimento. “Durante décadas, a política foi um espaço majoritariamente masculino. Aos homens, eram destinados o papel público e, às mulheres, o papel privado, limitando a presença delas ao espaço doméstico e familiar”.

“Se formos pensar, inclusive, na conquista do voto, nos remete a uma luta árdua para que as mulheres fossem reconhecidas como cidadãs e pudessem votar. A consequência disso foi que o espaço político e as próprias políticas públicas foram formuladas a partir da ótica do masculino. Diversas pesquisas apontam que a presença das mulheres nas casas parlamentares e nos espaços de executivo são centrais na formulação de políticas públicas que possam beneficiá-las”, completa Karol.

Para que a presença feminina na política siga crescendo, a cientista política considera quatro fatores:

1- Os partidos se apresentem como espaços acolhedores para as mulheres;

2- Que as políticas de cuidados não recaiam apenas sobre as mulheres;

3- Que tenhamos maior fiscalização e rigor na aplicação dos 30% de recursos financeiros destinados para as candidaturas femininas;

4- Superar o modelo de reserva de vagas para o modelo de reserva de cadeiras. Só assim teremos um crescimento significativo na presença de mulheres nos parlamentos.

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