Varejo no Pará resiste à queda nacional e tem 2º melhor dado do Norte
Estado registrou leve recuo de 0,4% em janeiro, desempenho superior à média brasileira, que caiu 5,9%. No Norte, apenas o Amapá cresceu.
O varejo no Pará registrou uma leve retração de 0,4% nas vendas em janeiro de 2026, apresentando um desempenho de resistência superior à média nacional. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (11) pelo Índice do Varejo Stone (IVS), coloca o estado com o segundo melhor índice da Região Norte. Enquanto o comércio brasileiro amargou uma queda de 5,9% no comparativo anual, o mercado paraense conseguiu flertar com a estabilidade, mesmo diante de um cenário de juros altos e endividamento das famílias.
"O dado regional mostra um enfraquecimento bastante amplo da atividade, com retrações relevantes em praticamente todas as regiões do país. Mesmo estados que haviam apresentado desempenho positivo em meses anteriores passaram a registrar queda, refletindo o impacto do alto endividamento das famílias e do custo elevado do crédito. O fato de apenas um estado apresentar crescimento anual evidencia que o consumo segue pressionado de forma generalizada", afirmou Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone.
Amapá é o único estado com alta no Brasil
No recorte regional da região Norte, o destaque positivo foi o Amapá, que registrou crescimento de 2,9%, sendo a única unidade da federação em todo o país a fechar o período no azul. O Pará aparece logo em seguida no ranking regional, superando vizinhos como Roraima (-1,1%) e Amazonas (-7,3%). De acordo com a pesquisa, a retração observada de forma disseminada indica que o setor iniciou o ano em um patamar inferior ao de 2025.
No cenário nacional, as vendas recuaram 1,3% em janeiro na comparação mensal. Dos oito segmentos analisados, apenas o de Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo apresentou alta (1,4%), beneficiado pela queda nos preços dos alimentos. Setores como Combustíveis e Lubrificantes (-15,1%) e Artigos Farmacêuticos (-7,5%) puxaram a queda anual do comércio brasileiro.
"Juros elevados, crédito mais caro e um nível historicamente alto de endividamento das famílias continuam limitando o espaço para novas compras. A retração observada tanto na comparação mensal quanto anual indica que o varejo começou 2026 em um patamar inferior ao do ano anterior, mesmo após um 2025 que já havia sido difícil para a atividade", ressaltou Guilherme Freitas.
Desempenho no Norte
Ranking das vendas por estado (comparativo anual)
- 1º Amapá: +2,9%
- 2º Pará: -0,4%
- 3º Roraima: -1,1%
- 4º Rondônia: -3,3%
- 5º Acre: -4,8%
- 6º Tocantins: -5,8%
- 7º Amazonas: -7,3%
Dados do varejo no Brasil
Variação por segmento (comparativo anual)
- Combustíveis e lubrificantes: -15,1%
- Artigos farmacêuticos: -7,5%
- Tecidos, vestuário e calçados: -6,7%
- Livros e papelaria: -5,5%
- Material de construção: -4,7%
- Supermercados e alimentos: -4,2%
- Móveis e eletrodomésticos: -2,3%
Fonte: Índice do Varejo Stone
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