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Tarifaço amplia opções de exportação para o Pará e vendas a outros mercados crescem 19,5%, diz Fiepa

Exportações para os Estados Unidos recuaram 29,5% no primeiro semestre de 2026, enquanto vendas totais do Pará ao exterior avançaram 19,5%, segundo o Observatório da Indústria

Gabi Gutierrez
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O tarifaço dos Estados Unidos já provoca mudanças na relação comercial com o Pará, principalmente nos setores de mineração, metalurgia e transformação mineral. Segundo dados analisados pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) com exclusividade ao Grupo Liberal, as exportações para o mercado norte-americano recuaram 25,82% nos primeiros sete meses de 2026.

Ao mesmo tempo, o Estado vem ampliando a presença em outros mercados. No primeiro semestre, as exportações paraenses aos Estados Unidos caíram 29,5%, enquanto as exportações totais do Pará cresceram 19,5%. Para o Observatório da Indústria do Pará, o movimento indica que parte da produção está sendo redirecionada para outros destinos.

Tarifaço afeta principalmente mineração e transformação mineral

De acordo com Cassandra Lobato, gerente do Centro Internacional de Negócios da Fiepa (Fiepa CIN), as maiores retrações foram registradas justamente em segmentos que possuem forte participação na pauta exportadora paraense.

“As variações mais expressivas foram observadas nos segmentos de mineração e transformação mineral, que tradicionalmente ocupam posição de destaque na pauta exportadora do estado”, afirma.

Entre os produtos mais afetados estão a alumina calcinada, com queda de 56,07% nas vendas aos Estados Unidos, e o hidróxido de alumínio, que registrou retração de 74,01%.

A cadeia mineral e metalúrgica concentra a maior exposição do Pará ao mercado norte-americano. Entre os principais produtos exportados estão alumina calcinada, hidróxido de alumínio, alumínio, ferro fundido, ferro-níquel e silício.

Segundo a Fiepa, esses produtos são importantes para diferentes setores da indústria dos Estados Unidos. Alumina e alumínio, por exemplo, são utilizados na fabricação de embalagens, veículos, equipamentos industriais e estruturas. O silício também é empregado em ligas metálicas, componentes eletrônicos e tecnologias relacionadas à transição energética.

Pará busca novos mercados após queda nas vendas aos EUA

Apesar da retração nas exportações para os Estados Unidos, a Fiepa avalia que a estratégia não deve ser simplesmente substituir o mercado norte-americano por outros destinos.

Para Cassandra Lobato, o caminho é manter a relação comercial com os Estados Unidos e, paralelamente, ampliar a presença dos produtos paraenses em outros países.

“A estratégia não está em escolher entre os Estados Unidos e novos mercados, mas em combinar as duas frentes de atuação”, afirma.

A entidade cita a Índia como exemplo de mercado com o qual o Pará vem intensificando as relações comerciais. A diversificação, segundo o representante do setor, pode reduzir riscos e aumentar a capacidade de reação das empresas diante de novas mudanças tarifárias.

Produtos como alumina, alumínio, ferro fundido, ferro-níquel e silício continuam tendo importância para diferentes cadeias industriais norte-americanas. Por isso, a avaliação da entidade é de que preservar o mercado dos Estados Unidos continua sendo estratégico para o Pará.

Açaí em alta

No entanto, o impacto do tarifaço não é igual para todos os produtos paraenses. O açaí é um dos exemplos de desempenho positivo no mercado norte-americano. Entre janeiro e julho de 2026, os Estados Unidos foram o principal comprador do açaí paraense. No caso específico do purê de açaí, o país concentrou 100% das exportações do Pará no período.

As vendas do produto passaram de US$ 219,6 mil para US$ 321,3 mil, crescimento de 46,35% em relação aos primeiros sete meses de 2025.

A Fiepa destaca que o açaí foi retirado, em novembro de 2025, da lista de produtos sujeitos à taxação nos Estados Unidos.

O resultado mostra que os efeitos das novas tarifas variam conforme o produto. Enquanto segmentos da indústria mineral registram fortes retrações, produtos que ficaram fora das novas alíquotas conseguem manter ou ampliar a presença no mercado norte-americano.

Fiepa vê pressão sobre margens, mas emprego ainda não sente impacto
Para Felipe Freitas, gerente do Observatório da Indústria do Pará, os dados mostram que o impacto do tarifaço também precisa ser analisado a partir da capacidade de redirecionamento das exportações.

Segundo ele, a queda das vendas aos Estados Unidos foi acompanhada pelo crescimento das exportações totais do Estado.

“O que se observou até aqui foi redirecionamento de mercados e pressão sobre margens: o volume físico dos principais produtos foi absorvido por outros destinos e o saldo de empregos formais do Estado permaneceu positivo após o tarifaço”, afirma.

Apesar disso, o gerente alerta para possíveis efeitos futuros sobre investimentos e produção caso a instabilidade comercial continue.

“Daqui em diante, a variável decisiva chama-se expectativa. Investimento se decide olhando para a frente, e o regime tarifário americano mudou três vezes em doze meses”, afirma.

Segundo Freitas, a imprevisibilidade pode fazer empresas adiarem projetos de expansão: “Um custo silencioso que pode superar o da própria tarifa”.

Caso o cenário persista, o setor avalia que aumento na pressão sobre as margens pode atingir o ritmo de produção e as contratações em setores que continuam tarifados e possuem maior dependência do mercado norte-americano. Entre os segmentos citados estão sebo bovino, alumínio primário, silício e pescado.

Mudança na política comercial

Para o presidente da Fiepa, Alex Carvalho, o Brasil também precisa aproveitar o cenário para discutir mudanças na política comercial e fortalecer a indústria nacional.

Ele defende que o país adote uma estratégia semelhante à utilizada pelos Estados Unidos e pela China, com estabelecimento de cotas para determinados produtos e aplicação de sobretaxas quando os limites forem ultrapassados.

“O Brasil deveria fazer uso da mesma lógica utilizada pelos EUA e China. Atribuir uma determinada cota e a partir daí sobretaxar. Empresas que viessem ao Brasil instalar produção ficariam isentas”, afirma.

Na avaliação do presidente da Fiepa, a medida poderia estimular a verticalização da produção, fortalecer a indústria brasileira e gerar novos investimentos.

“Um caminho para estimular a nossa verticalização, fortalecendo a indústria brasileira, melhorando a oferta para consumo interno de produtos industrializado e além do ganho tecnológico e geração de empregos”, afirma.

Setor defende negociação com os EUA

Além da abertura de novos mercados, a Fiepa defende a manutenção do diálogo entre Brasil e Estados Unidos.

Para a entidade, uma solução negociada é importante para preservar uma relação comercial construída ao longo de décadas e marcada pela integração entre as cadeias produtivas dos dois países.

A Federação também defende medidas para aumentar a competitividade da indústria brasileira, estimular a inovação, ampliar o acesso a instrumentos de apoio às exportações e fortalecer a internacionalização das empresas.

A avaliação é de que a resposta ao tarifaço dos Estados Unidos precisa combinar a preservação dos mercados já consolidados com a busca por novos destinos para os produtos paraenses.

 

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Economia
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