Preço da carne bovina acumula alta de 13% no Pará, aponta Dieese
Percentual registrado nos últimos 12 meses supera amplamente a inflação geral do período, estimada em torno de 4,50%
O preço da carne bovina se mantém em patamar elevado no Pará e no Brasil desde o início de 2026. Pesquisas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/PA), indicam que, em julho de 2026, o preço médio do alimento apresentou alta de 0,11% em relação a junho. No acumulado de 2026, tomando dezembro de 2025 como base, o reajuste alcançou 7,17%, enquanto nos últimos 12 meses, entre julho de 2025 e julho de 2026, a alta foi ainda mais expressiva, chegando a 13,01%. Esse percentual supera amplamente a inflação geral do período, estimada em torno de 4,50%.
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A pesquisa levantou os preços da carne bovina de primeira, considerando cortes como coxão mole (chã), cabeça de lombo e paulista, amplamente consumidos em Belém.
Para a entidade, o cenário, que impacta diretamente o orçamento das famílias paraenses, é reflexo de custos de produção, oscilações na oferta, exportações e custos logísticos, conforme análises.
Conforme o levantamento, a trajetória recente mostra a manutenção dos preços em níveis elevados. Em julho de 2025, o quilo da carne bovina era comercializado, em média, por R$ 40,06. Em dezembro do mesmo ano, o preço médio alcançou R$ 42,24. A escalada continuou em 2026: em janeiro, o valor subiu para R$ 42,82; em junho, chegou a R$ 45,22; e, em julho de 2026, após nova elevação, atingiu R$ 45,27 por quilo.
De acordo com a análise do Dieese/PA, a elevação dos preços da carne bovina reforça o impacto desse item essencial no orçamento das famílias paraenses. Considerando o valor diário do salário mínimo de R$ 54,03 (equivalente a um Salário Mínimo mensal de R$ 1.621,00), a remuneração de um dia de trabalho permite adquirir apenas cerca de 1,2 kg de carne bovina.
Para comprar 2 kg do produto, ao preço médio de julho de 2026 (R$ 45,27/kg), seriam necessários R$ 90,54. Este valor corresponde a aproximadamente 1,7 diária de trabalho de um salário mínimo.
As análises do indicam ainda que, em julho de 2026, o trabalhador precisou desembolsar cerca de R$ 203,72 para adquirir os 4,5 kg de carne bovina previstos na composição da Cesta Básica de Alimentos. Para custear essa quantidade, foram necessárias aproximadamente 27 horas e 39 minutos de trabalho, em uma jornada mensal de 220 horas, correspondendo a cerca de 12,57% do salário mínimo vigente.
O cenário para os próximos meses ainda inspira cautela, segundo o Dieese/PA. A combinação de fatores como custos de produção, comportamento da oferta de animais para abate, demanda externa aquecida, exportações e despesas de transporte e distribuição poderá provocar novas pressões sobre os preços no mercado interno.
"Caso essa tendência se mantenha, a carne bovina poderá ficar ainda mais cara e comprometer de forma crescente o poder de compra dos trabalhadores paraenses, especialmente daqueles que têm no Salário Mínimo sua principal fonte de renda", diz a pesquisa, assinada pelo supervisor técnico do Dieese Pará, Everson Costa.
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