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Franquias de beleza movimentam mais de 430 milhões de reais no Pará

Faturamento de clínicas do setor cresce quase 33% no primeiro trimestre de 2026 impulsionado por facilidades de crédito e busca por autocuidado

Gabriel da Mota

O segmento de saúde, beleza e bem-estar consolidou-se como o principal motor do franchising no estado do Pará. Apenas no primeiro trimestre de 2026, as unidades franqueadas locais registraram um crescimento de 32,7% na arrecadação em comparação ao mesmo período do ano passado, movimentando mais de R$ 430 milhões. O avanço é superior à média geral do mercado paraense de franquias, que teve alta de 15,2% e receita total de R$ 1,3 bilhão nos três primeiros meses do ano.

"O mercado paraense representa quase 50% de todo o setor na Região Norte, seguido pelo Amazonas", afirma Félix Prieto, coordenador regional da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

O especialista aponta que a busca por qualidade de vida alavancou o segmento de forma expressiva e contínua desde o fim da pandemia, tornando a área responsável por 28% de toda a participação das franquias no estado. "Se você analisar o primeiro trimestre de 2022, o segmento faturava R$ 269 milhões e saltou para R$ 439 milhões agora em 2026. É quase 100% de crescimento em cinco anos", destaca Prieto.

Crédito popular e resgate emocional

O aquecimento expressivo reflete uma mudança direta no perfil socioeconômico dos consumidores e na forma de pagamento. Tratamentos antes restritos às classes mais altas agora chegam a novos públicos por meio de ferramentas de democratização, como carnês próprios e parcelamentos alongados.

"Muitas vezes, as pessoas entram pela porta achando que é beleza, mas não é só isso; é confiança, autocuidado e um resgate emocional", avalia Vera Bessa, franqueada de uma rede de estética há cinco anos em Belém.

A unidade gerenciada pela empresária registrou um aumento de 20% na operação neste início de ano. O público predominante é formado por mulheres acima de 55 anos, que realizam parte dos cerca de 400 procedimentos mensais da clínica. "A gente trabalha muito o preparo para a pós-menopausa, quando vemos o rosto ‘derretido’, focando na firmeza. Não somos uma clínica focada só na correção, mas na longevidade da pele", explica Vera Bessa.

image Vera Bessa, franqueada de uma rede de estética há cinco anos em Belém (Igor Mota / O Liberal)

Apesar da predominância feminina, os homens já representam 20% dos atendimentos diários do estabelecimento. "Eles buscam a formação de mandíbula para ter um rosto mais másculo, além de um olhar mais descansado, toxina botulínica e tratamentos para o bigode chinês, geralmente na faixa dos 30 aos 45 anos", detalha a franqueada.

Fuga de exageros e segurança técnica

A entrada do público masculino e de clientes mais jovens interessados em frear o envelhecimento precoce é um fenômeno nacional. A CEO de uma rede nacional de franquias do setor, Claudia Abreu, ressalta que as pessoas passaram a enxergar as intervenções no rosto e no corpo como uma etapa de saúde, e não apenas vaidade.

"Boa parte dos brasileiros, hoje, já fez algum tipo de procedimento. Percebemos uma vinda forte de pessoas mais jovens trabalhando de maneira preventiva, muito ligada à medicina regenerativa, inclusive pessoas que usaram canetas emagrecedoras e lidam com a flacidez", pontua Claudia Abreu.

Outra tendência apontada pela executiva é a substituição das antigas harmonizações faciais agressivas pela busca da chamada beleza natural. "Os pacientes buscam a sua melhor versão. Tem gente usando o termo 'desarmonização', para retirar o ácido hialurônico que usou no passado. As pessoas procuram mais por qualidade de pele, como o uso de bioestimuladores de colágeno, que fazem o corpo produzir o que perdeu", destaca a CEO.

image Franquias de beleza movimentam mais de 430 milhões de reais no Pará (Igor Mota / O Liberal)

Para o paciente e para o investidor, o modelo padronizado atua como um escudo contra erros médicos e falsificações. "A garantia do paciente é muito maior de que está usando um produto correto, dentro do prazo de validade, e com profissional bem treinado. Nós temos um processo muito sério de segurança técnica e auditoria", afirma Claudia Abreu.

Desafio de gestão e qualificação local

Mesmo com o suporte técnico das franqueadoras e da indústria, a operação diária na capital paraense exige gestão rigorosa, especialmente para suprir o gargalo da qualificação profissional. Sócia de uma franquia focada em cuidados faciais inaugurada há sete meses em Belém, Rebecca Rebelo lida com clientes majoritariamente das classes A e B. O foco da unidade são protocolos de nanopigmentação realista de sobrancelhas e lábios, além da remoção de tatuagens e maquiagens definitivas antigas.

Para atuar na clínica, a marca exige que as profissionais tenham no mínimo três anos de experiência no mercado de beleza, além de passarem por imersões de dez dias em São Paulo e reciclagens constantes por aplicativo.

"Sem dúvida, um dos maiores desafios de abrir uma empresa é a gestão de pessoas. Os profissionais podem ter uma técnica excelente, mas precisam ter comprometimento, responsabilidade e vontade de aprender", relata Rebecca Rebelo.

A manutenção do padrão de qualidade nos serviços, que chegam a custar mais de R$ 2 mil, obriga os franqueados a estarem 100% presentes no salão. "Quem faz a operação acontecer diariamente somos nós que estamos aqui dentro. Quando eu me afasto da clínica, a gente sente uma queda. É muito importante que eu esteja aqui incentivando e bonificando a equipe", conclui a sócia.

Estética no Pará (1º trimestre de 2026)

  • Faturamento do setor de Saúde e Beleza: R$ 430 milhões
  • Crescimento do segmento: 32,7% (comparado a 2025)
  • Crescimento geral de franquias no PA: 15,2%
  • Total de unidades franqueadas de beleza no PA: 736 unidades
  • Participação do setor no mercado local: 28% de todas as franquias 

Fonte: Associação Brasileira de Franchising - ABF

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