Restaurantes de comida árabe apontam crescimento de público e demandas em Belém
Setor está em expansão e investe em pratos tradicionais e na diversificação do cardápio
Um mercado escalável. É assim que Ana Júlia Dahás, dona do restaurante de comida árabe, na avenida Almirante Barroso, no bairro do Marco, em Belém, define o segmento na capital paraense. Da mesma opinião, acreditando na força do setor, Giselly Bastos, gestora de um restaurante árabe no Umarizal, destaca que o empreendimento quer ampliar sua linha de produção.
"Agora em 2026, estamos nos estruturando para aumentar a produtividade e expandir nossa linha de pão árabe e comida árabe congelada, pois temos uma grande demanda. Tanto o pão quanto a parte das comidas congeladas; o mercado vem se mostrando bastante promissor”, disse Giselly Bastos, na última quarta-feira (23). Ela gerencia o restaurante há 11 anos.
O restaurante de Ana Júlia Dahás, por sua vez, completa um ano de funcionamento neste mês de setembro. O empreendimento também aposta na culinária árabe tradicional e tem inovações com ingredientes amazônicos (como o mini quibe frito com castanha-do-pará dentro). A casa trabalha, ainda, com pratos de outros países banhados pelo Mar Mediterrâneo, como Itália e Espanha, e tem pratos mais "abrasileirados", como o filé com risoto. Ana Júlia está satisfeita com a frequência do público.
"Nesse primeiro ano, notamos uma crescente no fluxo de clientes e, principalmente, a presença de descendentes de famílias árabes. Belém é um mercado que ainda tem muito espaço para expansão, principalmente com a proposta de restaurante. Na cidade, há lanchonetes árabes maravilhosas e bem conceituadas, mas a proposta de restaurante focado nessa gastronomia era algo com pouquíssimas opções disponíveis”, disse Ana Júlia, nos intervalos da recepção aos clientes, na noite movimentada de 17 deste mês.
Cozinhas libanesa e mediterrânea
Funcionando dentro do Clube Monte Líbano, o restaurante equilibra a culinária árabe tradicional com alternativas para os clientes. “Nós trabalhamos com as duas opções. O nosso menu à la carte tem duas correntes principais: a corrente libanesa (ou árabe), com vários pratos tradicionais sob a nossa própria leitura e modo de preparo, e a corrente mediterrânea”, disse Ana, referindo-se a pratos das cozinhas italiana e espanhola com ótima aceitação do público.
Ana Júlia afirmou que um dos mais apreciados é o ‘Filé do Dumont’, acompanhado de risoto de cogumelos de origem italiana, e o ‘Camarão à Sevilha’, um prato de base espanhola com um sabor de camarão bem potente. "Essa variedade é ideal para quem talvez não esteja tão acostumado com a culinária árabe e ache que não deveria vir ao restaurante por considerar a comida "muito exótica". Para desmistificar isso, oferecemos pratos das cozinhas italiana, espanhola e, claro, brasileira”.
Os campeões de venda, diz Dahás, são duas entradas com a assinatura da casa: o mini quibe frito e a torre de quibe. “O mini-quibe, que é o clássico quibe frito, mas na nossa versão leva castanha-do-pará para dar um toque regional diferenciado”.
Ela explica que o quibe brasileiro é feito com uma massa uniforme, modelada e frita. Já para os árabes, o quibe funciona quase como uma coxinha: “Há uma base de recheio que leva uma oleaginosa (uma castanha típica do mundo árabe) e esse recheio é envolvido por uma massa diferente. Como essas castanhas específicas não estão sempre disponíveis no Brasil, nós adaptamos a receita para manter a tradição: utilizamos a castanha-do-pará no recheio do nosso mini quibe frito".
Torre de quibe exclusiva da casa
A segunda entrada favorita dos clientes é a torre de quibe. Ela é feita com quibe cru montado em várias camadas: quibe cru, coalhada seca, tabule e o recheio de carne refogada (o mesmo do quibe frito). “É um prato visualmente lindo, perfeito para compartilhar. Eu já tinha visto a torre de quibe em outros estados, mas ainda não existia aqui em Belém”, disse Ana Júlia.
O restaurante funciona de segunda a sexta-feira para o almoço, das 11h às 15h. No período noturno, a casa abre somente de quarta a sábado, das 18h às 23h. O grande destaque da semana é o sábado à noite. Neste dia, o restaurante não abre para o almoço, no entanto abre para o jantar com um espetáculo de dança do ventre. “O pessoal realmente adora a dançarina do ventre. O público reserva mesa só para vir assistir ao espetáculo”, contou Júlia sobre o dia mais forte da casa.
"A gente preza pelo sabor, compramos temperos importados para trazer o sabor árabe mais tradicional que a gente conseguir. Eu acho definitivamente que o nosso grande diferencial é o sabor.
Restaurante no Umarizal investe no setor de congelados
A Rua Bernal do Couto esquina com a avenida Visconde de Souza Franco, no Umarizal, abriga um dos restaurantes árabes mais antigos em atividade em Belém. A casa tem clientela cativa, tanto que, em 2026, inicia uma nova fase de expansão.
A gerente Giselly Bastos conta que o empreendimento foi criado pelo imigrante libanês Najm Fouad Yehia, falecido em 2025, após viver no Brasil por mais de 55 anos. "Do Líbano, seu Najm trouxe receitas autênticas, nas quais ele sempre fez questão de manter o verdadeiro sabor árabe. Para ele, a comida árabe tinha que ter o verdadeiro sabor da sua origem, e seguimos o mesmo padrão há 18 anos”.
Como ocorre com o restaurante árabe, de Ana Júlia Dahás, a casa gerenciada por Giselly Bastos também tem nas famílias o principal perfil entre os consumidores. “Famílias libanesas, descendentes e amantes da culinária árabe nos acompanham há anos. As famílias contam com um tempero que traz memórias afetivas do tempero dos seus pais, avós árabes ou dos tradicionais almoço em família no próprio restaurante, quando vinham trazidos pelos pais”.
"Hoje, já vem os filhos e os netos, pois a casa vem atravessando gerações. Antes nosso público era de famílias com adultos, idosos, adolescentes. Agora as crianças e adolescentes crescem e trazem seus amigos e hoje estamos ganhando o público jovem também, diz Giselly, nutricionista de formação, com MBA em Gestão de Unidades de Alimentação.
Cardápio e Infraestrutura
Para atender ao perfil familiar de Belém, Giselly ressalta que a casa estruturou um cardápio multifacetado que opera sem descaracterizar as bases de cada culinária. O menu tem comida árabe tradicional com pratos típicos com receitas originais; o menu de lanches com esfihas, kibes e sanduíches árabes. Também há opções de carnes bovinas, frutos do mar e pratos na chapa, e ainda o cardápio dedicado a yakisobas.
A empresa, destaca a gerente, também vem investindo no mercado paraense com a produção própria de pão árabe padronizado e no segmento de pratos árabes congelados. “Vamos expandir nossa produção”, garante ela.
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