Reajuste da tarifa de energia no Pará tem votação suspensa após pedido de vista na Aneel
Diretor Willamy Moreira Frota pediu vista do processo, e agência ainda não informou quando a análise será retomada
A proposta de reajuste da tarifa de energia elétrica do Pará ficou sem definição nesta terça-feira (11), após a reunião da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A votação foi suspensa após o diretor da Aneel Willamy Moreira Frota pedir vista do processo. Com isso, não houve proclamação do resultado nesta sessão, e o reajuste deverá ser analisado novamente pela agência. A Aneel, no entanto, não detalhou o prazo para a conclusão da votação.
O processo previa inicialmente um aumento médio de 7,60% para os consumidores atendidos pela distribuidora no estado. A diretora-relatora do processo, Agnes Maria de Aragão da Costa, votou pela aplicação de um reajuste médio de 6,94%. Pela proposta apresentada, o impacto seria de 8,09% para os consumidores de alta tensão e de 6,66% para os consumidores de baixa tensão. Os votos apresentados antes do pedido de vista permanecem válidos, mas podem ser alterados até a proclamação do resultado, conforme as regras da Aneel.
Além do índice de reajuste, o voto da relatora previa a definição das Tarifas de Uso dos Sistemas de Distribuição (TUSD) e das Tarifas de Energia Elétrica (TE) aplicáveis aos consumidores e usuários da Equatorial Pará. Também estavam incluídos no processo os valores de receita anual referentes às instalações de conexão classificadas como Demais Instalações de Transmissão (DIT) de uso exclusivo e o valor mensal de recursos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) a ser repassado à distribuidora.
A reportagem do Grupo Liberal solicitou mais informações sobre a deliberação acerca do reajuste à Aneel e aguarda retorno.
A reunião teve apresentação técnica da Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica (STR). Também houve sustentação oral de Carlindo Lins Pereira Filho, representante do Conselho dos Consumidores de Energia Elétrica da Equatorial Pará (Concepa), e de Cássio Bitar, da Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE-PA).
Processo tarifário
Durante a sustentação, Cássio Bitar, que também é presidente do Conselho de Consumidores de Energia Elétrica do Pará, defendeu a importância da contribuição do conselho para o aprimoramento do processo tarifário. Ele citou o exemplo dos consumidores do Marajó que enfrentam uma realidade ainda mais difícil.
Ele destacou que a região apresenta baixos índices de desenvolvimento humano e que moradores convivem com interrupções não programadas no fornecimento de energia, além de prejuízos causados pela queima de aparelhos e do pagamento de tarifas consideradas altas.
“Me preocupam os rumos que os processos tarifários seguem, levando a tarifa do Pará a um abismo em relação a outras concessões, que muitas vezes também têm complexidades e números de consumidores semelhantes. Não ignoramos a complexidade do setor paraense, o esforço da diretoria da concessionária, o extenso território e nem o peso do subsídio. Mas são necessárias mudanças”, avalia.
Proposta
O reajuste deveria vigorar a partir de 7 de agosto, conforme a previsão original do processo, mas a aplicação depende da conclusão da análise pela Aneel e da publicação da resolução homologatória.
A proposta em análise prevê aumento médio de 7,40% para consumidores de baixa tensão, grupo que inclui a maior parte das residências, pequenos comércios e propriedades rurais. Para a alta tensão, o índice proposto é de 8,42%. No caso específico dos consumidores residenciais, o efeito estimado anteriormente era de 7,45%.
A discussão ocorre em um momento de contestação também na Justiça. Conforme já publicado por O Liberal, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) ajuizou uma Ação Civil Pública para tentar suspender o reajuste, alegando que o aumento teria impacto desproporcional sobre os consumidores paraenses e questionando aspectos relacionados aos cálculos utilizados na formação da tarifa.
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