Turista gasta em média até R$ 2 mil em Belém e prioriza pratos típicos, peixes e objetos amazônicos

Estação das Docas concentra maior consumo em gastronomia e compras de biojoias, perfumaria regional e artigos do Círio, enquanto Porto Futuro 2 amplia a circulação de visitantes em busca de experiências gastronômicas e lazer à beira da baía do Guajará

Jéssica Nascimento

Quem visita os principais cartões-postais da orla de Belém desembolsa, em média, entre R$ 150 e R$ 250 por dia, considerando gastos com alimentação, lembranças e passeios. Já o turista internacional costuma gastar, em média, até R$ 2 mil quando visita a capital. Entre os produtos mais procurados estão pratos típicos da culinária paraense, peixes, açaí, perfumes produzidos na Amazônia, biojoias e artigos ligados ao Círio de Nazaré. O perfil de consumo é observado principalmente na Estação das Docas, um dos destinos turísticos mais consolidados da capital.

Enquanto a Estação das Docas segue como referência para quem deseja unir gastronomia e compras, o Porto Futuro 2, inaugurado há menos de um ano, começa a atrair visitantes interessados em experimentar a culinária regional em um novo espaço de lazer à margem da Baía do Guajará. Empresários e turistas afirmam que a comida típica continua sendo o principal motivo para gastar mais durante a passagem por Belém.

image (Foto: Thiago Gomes)

Gastronomia regional lidera os gastos

No setor de alimentação, o consumo é impulsionado pela busca de sabores tradicionais da Amazônia. Segundo o metri Francisco Júnior, de um restaurante instalado na Estação das Docas, os turistas nacionais costumam gastar entre R$ 150 e R$ 200 por refeição, enquanto estrangeiros chegam a desembolsar entre US$ 150 e US$ 200 ou o equivalente em euros. 

image Francisco Júnior, metri (forma popular ou fonética de escrever a palavra maître) de um restaurante e bar da Estação das Docas com opções de pratos grelhados, petiscos e opções a la carte. (Foto: Thiago Gomes)

"O turista nacional gasta em média aqui no restaurante R$ 150 a R$ 200. O turista internacional gasta em média US$ 150 a US$ 200 ou 150 a 200 euros. Quando os turistas vêm aqui, o que mais eles consomem são as iguarias da região, como filhote grelhado e caldeirada. Eles também pedem pratos típicos como vatapá, tacacá, caruru, maniçoba e pato no tucupi", afirma.

De acordo com ele, o restaurante recebe visitantes diariamente de estados como São Paulo, Goiás e Rio de Janeiro, além de turistas vindos da França, Inglaterra e Estados Unidos.

image (Foto: Thiago Gomes)

Lembranças amazônicas movimentam comércio

Além da gastronomia, os turistas destinam parte do orçamento à compra de lembranças típicas da região. Proprietário de um quiosque especializado em perfumaria amazônica e biojoias de impacto social, Adelino Neto afirma que o perfil de consumo varia conforme a origem do visitante.

"Eu colocaria um ticket médio de R$ 250 por turista nacional e de 100 dólares por turista internacional", diz.

Segundo ele, os itens mais procurados são produtos que representam a identidade amazônica.

image Adelino Neto, empresário e um dos proprietário de um quiosque na Estação das Docas que vende itens de perfumaria amazônica e biojoias exclusivas com impacto social. (Foto: Thiago Gomes)

"No nosso quiosque, os turistas procuram mais a colônia Nazaré, que é feita aqui na Amazônia para exportação. Também temos velas e produtos culturais como a cordinha de Nazaré, símbolo do Círio. Esses são os produtos que mais chamam atenção”, disse.

Adelino destaca que a Estação das Docas recebe visitantes de todas as regiões do Brasil, especialmente do Sudeste, Sul e Nordeste, além de estrangeiros das Guianas, do Suriname, da Guiana Francesa e de outros países.

image (Foto: Thiago Gomes)

Experiência regional aumenta permanência dos visitantes

Os próprios turistas confirmam que a maior parte do orçamento é destinada à alimentação e à experiência gastronômica.

O empresário espanhol Manuel Merino Varilla, que está em Belém há dois meses, afirma que sempre retorna aos pontos turísticos da cidade.

image Manuel Merino Varilla, empresário espanhol que está em Belém a passeio há 2 meses, e Layana Samara, cozinheira, paraense e casada com Manuel Varilla. (Foto: Thiago Gomes)

"Quando venho a Belém, gasto em média R$ 2 mil. O que mais consumo é cerveja e comida. Amo peixe. Gosto de toda comida daqui", revelou.

A cozinheira paraense Layana Samara, esposa de Manuel, explica que o casal costuma investir para conhecer diferentes restaurantes.

"Entre hotéis e comida, gastamos de R$ 2 mil a R$ 3 mil em dois dias, porque a gente gosta muito de variar, comer peixe, comida típica e aproveitar tudo o que é daqui. Na Estação das Docas e no Porto Futuro 2, eu procuro muito o arroz paraense. Ele adora peixe frito e empanado”, explicou.

image (Foto: Thiago Gomes)

No Porto Futuro 2, o professor britânico Mark Harris, que visitava o espaço enquanto tomava açaí, conta que suas despesas são mais voltadas às refeições durante as pesquisas que realiza na cidade.

image Mark Harris. (Foto: Thiago Gomes)

"Gasto de R$ 50 até R$ 100 por refeição. Gosto mais de comer comida regional, como peixe, açaí, maniçoba e jambu. Sou vegetariano, então não como carne, mas como peixe”, disse. 

 

  

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