SEX · 02 OUT 2026Assine

TURISMO

Turista gasta em média até R$ 2 mil em Belém e prioriza pratos típicos, peixes e objetos amazônicos

Estação das Docas concentra maior consumo em gastronomia e compras de biojoias, perfumaria regional e artigos do Círio, enquanto Porto Futuro 2 amplia a circulação de visitantes em busca de experiências gastronômicas e lazer à beira da baía do Guajará

Jéssica Nascimento

4 de agosto de 2026 às 06:30

Turista britânico no Porto Futuro 2 tomando açaí.

Turista britânico no Porto Futuro 2 tomando açaí. ( Foto: Foto: Thiago Gomes )

Quem visita os principais cartões-postais da orla de Belém desembolsa, em média, entre R$ 150 e R$ 250 por dia, considerando gastos com alimentação, lembranças e passeios. Já o turista internacional costuma gastar, em média, até R$ 2 mil quando visita a capital. Entre os produtos mais procurados estão pratos típicos da culinária paraense, peixes, açaí, perfumes produzidos na Amazônia, biojoias e artigos ligados ao Círio de Nazaré. O perfil de consumo é observado principalmente na Estação das Docas, um dos destinos turísticos mais consolidados da capital.

Enquanto a Estação das Docas segue como referência para quem deseja unir gastronomia e compras, o Porto Futuro 2, inaugurado há menos de um ano, começa a atrair visitantes interessados em experimentar a culinária regional em um novo espaço de lazer à margem da Baía do Guajará. Empresários e turistas afirmam que a comida típica continua sendo o principal motivo para gastar mais durante a passagem por Belém.

(Foto: Thiago Gomes)
(Foto: Thiago Gomes)

Gastronomia regional lidera os gastos

No setor de alimentação, o consumo é impulsionado pela busca de sabores tradicionais da Amazônia. Segundo o metri Francisco Júnior, de um restaurante instalado na Estação das Docas, os turistas nacionais costumam gastar entre R$ 150 e R$ 200 por refeição, enquanto estrangeiros chegam a desembolsar entre US$ 150 e US$ 200 ou o equivalente em euros. 

Francisco Júnior, metri (forma popular ou fonética de escrever a palavra maître) de um restaurante e bar da Estação das Docas com opções de pratos grelhados, petiscos e opções a la carte.
Francisco Júnior, metri (forma popular ou fonética de escrever a palavra maître) de um restaurante e bar da Estação das Docas com opções de pratos grelhados, petiscos e opções a la carte. (Foto: Thiago Gomes)

"O turista nacional gasta em média aqui no restaurante R$ 150 a R$ 200. O turista internacional gasta em média US$ 150 a US$ 200 ou 150 a 200 euros. Quando os turistas vêm aqui, o que mais eles consomem são as iguarias da região, como filhote grelhado e caldeirada. Eles também pedem pratos típicos como vatapá, tacacá, caruru, maniçoba e pato no tucupi", afirma.

De acordo com ele, o restaurante recebe visitantes diariamente de estados como São Paulo, Goiás e Rio de Janeiro, além de turistas vindos da França, Inglaterra e Estados Unidos.

(Foto: Thiago Gomes)
(Foto: Thiago Gomes)

Lembranças amazônicas movimentam comércio

Além da gastronomia, os turistas destinam parte do orçamento à compra de lembranças típicas da região. Proprietário de um quiosque especializado em perfumaria amazônica e biojoias de impacto social, Adelino Neto afirma que o perfil de consumo varia conforme a origem do visitante.

"Eu colocaria um ticket médio de R$ 250 por turista nacional e de 100 dólares por turista internacional", diz.

Segundo ele, os itens mais procurados são produtos que representam a identidade amazônica.

Adelino Neto, empresário e um dos proprietário de um quiosque na Estação das Docas que vende itens de perfumaria amazônica e biojoias exclusivas com impacto social.
Adelino Neto, empresário e um dos proprietário de um quiosque na Estação das Docas que vende itens de perfumaria amazônica e biojoias exclusivas com impacto social. (Foto: Thiago Gomes)

"No nosso quiosque, os turistas procuram mais a colônia Nazaré, que é feita aqui na Amazônia para exportação. Também temos velas e produtos culturais como a cordinha de Nazaré, símbolo do Círio. Esses são os produtos que mais chamam atenção”, disse.

Adelino destaca que a Estação das Docas recebe visitantes de todas as regiões do Brasil, especialmente do Sudeste, Sul e Nordeste, além de estrangeiros das Guianas, do Suriname, da Guiana Francesa e de outros países.

(Foto: Thiago Gomes)
(Foto: Thiago Gomes)

Experiência regional aumenta permanência dos visitantes

Os próprios turistas confirmam que a maior parte do orçamento é destinada à alimentação e à experiência gastronômica.

O empresário espanhol Manuel Merino Varilla, que está em Belém há dois meses, afirma que sempre retorna aos pontos turísticos da cidade.

Manuel Merino Varilla, empresário espanhol que está em Belém a passeio há 2 meses, e Layana Samara, cozinheira, paraense e casada com Manuel Varilla.
Manuel Merino Varilla, empresário espanhol que está em Belém a passeio há 2 meses, e Layana Samara, cozinheira, paraense e casada com Manuel Varilla. (Foto: Thiago Gomes)

"Quando venho a Belém, gasto em média R$ 2 mil. O que mais consumo é cerveja e comida. Amo peixe. Gosto de toda comida daqui", revelou.

A cozinheira paraense Layana Samara, esposa de Manuel, explica que o casal costuma investir para conhecer diferentes restaurantes.

"Entre hotéis e comida, gastamos de R$ 2 mil a R$ 3 mil em dois dias, porque a gente gosta muito de variar, comer peixe, comida típica e aproveitar tudo o que é daqui. Na Estação das Docas e no Porto Futuro 2, eu procuro muito o arroz paraense. Ele adora peixe frito e empanado”, explicou.

(Foto: Thiago Gomes)
(Foto: Thiago Gomes)

No Porto Futuro 2, o professor britânico Mark Harris, que visitava o espaço enquanto tomava açaí, conta que suas despesas são mais voltadas às refeições durante as pesquisas que realiza na cidade.

Mark Harris.
Mark Harris. (Foto: Thiago Gomes)

"Gasto de R$ 50 até R$ 100 por refeição. Gosto mais de comer comida regional, como peixe, açaí, maniçoba e jambu. Sou vegetariano, então não como carne, mas como peixe”, disse.