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Belém é a 11ª cidade em valorização imobiliária, com m² de studios chegando a R$ 18 mil

Mercado de imóveis compactos é impulsionado pela alta dos terrenos, mudança no perfil das famílias e busca de investidores por ativos com potencial de valorização e renda com locação

Jéssica Nascimento

Os imóveis de um dormitório seguem entre os mais valorizados do mercado imobiliário brasileiro e refletem essa tendência também em Belém. A capital paraense ocupa a 11ª posição entre as 56 cidades monitoradas pelo Índice FipeZAP, com valorização de 4,17% no acumulado de 2026 e de 9,01% nos últimos 12 meses. No mercado local, o preço do metro quadrado em novos empreendimentos já chega a R$ 18 mil, dependendo da localização e da infraestrutura oferecida.

Em todo o país, os imóveis de um dormitório lideram a valorização entre todas as tipologias residenciais. Segundo o Índice FipeZAP, essas unidades acumularam alta de 7,3% nos últimos 12 meses, avançaram 3,35% no primeiro semestre de 2026 e atingiram preço médio nacional de R$ 12 mil por metro quadrado. O desempenho supera a valorização média do mercado residencial, que foi de 5,59% em 12 meses e de 2,42% no acumulado do ano.

image (Foto: Ivan Duarte)

Escassez de terrenos e mudança no perfil dos compradores impulsionam mercado

O avanço dos imóveis compactos em Belém é explicado por fatores que vão além da valorização imobiliária. A oferta limitada de terrenos em áreas nobres, o aumento dos custos da construção civil e a mudança no perfil das famílias têm ampliado a procura por apartamentos menores.

A corretora de imóveis Ana Paula Monteiro destacou que o aumento no valor dos terrenos elevou a demanda por studios e apartamentos compactos.

"A valorização dos terrenos em Belém está muito alta. Então, a demanda de clientes buscando apartamentos e estúdios aumentou consideravelmente, principalmente atraindo investidores para esse tipo de investimento", declarou.

Segundo ela, o perfil dos compradores também mudou nos últimos anos. Além dos investidores, há procura crescente de jovens que desejam morar sozinhos, estudantes vindos do interior, casais sem filhos e idosos que deixam apartamentos maiores em bairros tradicionais para viver em imóveis menores, mas com infraestrutura completa.

image Ana Paula Monteiro, corretora de imóveis que trabalha com lançamento de apartamentos studios. (Foto: Ivan Duarte)

"O que eu vejo é que esse tipo de imóvel só se valoriza. Ainda existe uma demanda reprimida buscando esse tipo de empreendimento, e tenho certeza de que ainda veremos muitos lançamentos de studios em Belém", destacou.

Investidores lideram compras e impulsionam valorização

Para o corretor Valter Matos, o principal motor desse mercado continua sendo o investidor, atraído pela facilidade de locação e pelo potencial de valorização patrimonial.

"A valorização é resultado da escassez de terrenos bem localizados, do aumento do custo da construção e da mudança no perfil das famílias. Além disso, imóveis compactos têm preço de entrada mais acessível e alta procura para locação, o que atrai muitos investidores", disse.

Ele informou que a procura ocorre tanto por lançamentos quanto por imóveis antigos. Enquanto os novos empreendimentos conquistam compradores pela estrutura moderna e áreas de lazer, os edifícios mais antigos oferecem localização consolidada, preços mais competitivos e boas oportunidades de reforma.

image (Foto: Ivan Duarte)

Matos também avaliou que o cenário permanece favorável para esse segmento. "A oferta de terrenos continua limitada e a demanda por imóveis compactos segue crescendo. Enquanto esse cenário permanecer, a tendência é de valorização", afirmou.

Localização define preço dos empreendimentos

Embora o preço médio nacional dos imóveis de um dormitório esteja em R$ 12 mil por metro quadrado, em Belém alguns lançamentos já superam esse patamar.

Ana Paula Monteiro informou que o metro quadrado dos studios comercializados atualmente parte de aproximadamente R$ 12,8 mil e pode alcançar R$ 18 mil em empreendimentos de alto padrão. Segundo ela, fatores como localização, projeto arquitetônico, padrão construtivo e infraestrutura são determinantes para a formação dos preços.

"Eles começaram a custar cerca de R$ 12 mil o metro quadrado e agora já chegam a R$ 18 mil. Faz muitos anos que a gente não vê mais metro quadrado de R$ 8 mil ou R$ 10 mil nesse segmento", declarou.

A corretora acrescentou que, apesar dos preços elevados, a comercialização continua aquecida. "Existem empreendimentos de studios em Belém que estão praticamente 100% vendidos. Isso demonstra que existe uma demanda alta e uma expectativa positiva para esse mercado", destacou.

image (Foto: Ivan Duarte)

Mercado deve manter crescimento sustentável

Na avaliação dos corretores de imóveis, a tendência é de continuidade da valorização dos imóveis compactos nos próximos anos. O crescimento da demanda por estudantes, jovens profissionais, pessoas que vivem sozinhas, casais sem filhos e idosos, aliado à escassez de terrenos nas regiões mais valorizadas da cidade, deve manter o segmento em expansão.

Valter Matos ponderou, entretanto, que investidores devem adotar uma visão de longo prazo. Segundo ele, a locação tradicional e o ganho de capital representam estratégias mais seguras do que projeções baseadas exclusivamente em aluguel de curta temporada, especialmente diante do aumento da oferta de novos empreendimentos em Belém.

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