Belém é a 11ª cidade em valorização imobiliária, com m² de studios chegando a R$ 18 mil
Mercado de imóveis compactos é impulsionado pela alta dos terrenos, mudança no perfil das famílias e busca de investidores por ativos com potencial de valorização e renda com locação
Os imóveis de um dormitório seguem entre os mais valorizados do mercado imobiliário brasileiro e refletem essa tendência também em Belém. A capital paraense ocupa a 11ª posição entre as 56 cidades monitoradas pelo Índice FipeZAP, com valorização de 4,17% no acumulado de 2026 e de 9,01% nos últimos 12 meses. No mercado local, o preço do metro quadrado em novos empreendimentos já chega a R$ 18 mil, dependendo da localização e da infraestrutura oferecida.
Em todo o país, os imóveis de um dormitório lideram a valorização entre todas as tipologias residenciais. Segundo o Índice FipeZAP, essas unidades acumularam alta de 7,3% nos últimos 12 meses, avançaram 3,35% no primeiro semestre de 2026 e atingiram preço médio nacional de R$ 12 mil por metro quadrado. O desempenho supera a valorização média do mercado residencial, que foi de 5,59% em 12 meses e de 2,42% no acumulado do ano.
Escassez de terrenos e mudança no perfil dos compradores impulsionam mercado
O avanço dos imóveis compactos em Belém é explicado por fatores que vão além da valorização imobiliária. A oferta limitada de terrenos em áreas nobres, o aumento dos custos da construção civil e a mudança no perfil das famílias têm ampliado a procura por apartamentos menores.
A corretora de imóveis Ana Paula Monteiro destacou que o aumento no valor dos terrenos elevou a demanda por studios e apartamentos compactos.
"A valorização dos terrenos em Belém está muito alta. Então, a demanda de clientes buscando apartamentos e estúdios aumentou consideravelmente, principalmente atraindo investidores para esse tipo de investimento", declarou.
Segundo ela, o perfil dos compradores também mudou nos últimos anos. Além dos investidores, há procura crescente de jovens que desejam morar sozinhos, estudantes vindos do interior, casais sem filhos e idosos que deixam apartamentos maiores em bairros tradicionais para viver em imóveis menores, mas com infraestrutura completa.
"O que eu vejo é que esse tipo de imóvel só se valoriza. Ainda existe uma demanda reprimida buscando esse tipo de empreendimento, e tenho certeza de que ainda veremos muitos lançamentos de studios em Belém", destacou.
Investidores lideram compras e impulsionam valorização
Para o corretor Valter Matos, o principal motor desse mercado continua sendo o investidor, atraído pela facilidade de locação e pelo potencial de valorização patrimonial.
"A valorização é resultado da escassez de terrenos bem localizados, do aumento do custo da construção e da mudança no perfil das famílias. Além disso, imóveis compactos têm preço de entrada mais acessível e alta procura para locação, o que atrai muitos investidores", disse.
Ele informou que a procura ocorre tanto por lançamentos quanto por imóveis antigos. Enquanto os novos empreendimentos conquistam compradores pela estrutura moderna e áreas de lazer, os edifícios mais antigos oferecem localização consolidada, preços mais competitivos e boas oportunidades de reforma.
Matos também avaliou que o cenário permanece favorável para esse segmento. "A oferta de terrenos continua limitada e a demanda por imóveis compactos segue crescendo. Enquanto esse cenário permanecer, a tendência é de valorização", afirmou.
Localização define preço dos empreendimentos
Embora o preço médio nacional dos imóveis de um dormitório esteja em R$ 12 mil por metro quadrado, em Belém alguns lançamentos já superam esse patamar.
Ana Paula Monteiro informou que o metro quadrado dos studios comercializados atualmente parte de aproximadamente R$ 12,8 mil e pode alcançar R$ 18 mil em empreendimentos de alto padrão. Segundo ela, fatores como localização, projeto arquitetônico, padrão construtivo e infraestrutura são determinantes para a formação dos preços.
"Eles começaram a custar cerca de R$ 12 mil o metro quadrado e agora já chegam a R$ 18 mil. Faz muitos anos que a gente não vê mais metro quadrado de R$ 8 mil ou R$ 10 mil nesse segmento", declarou.
A corretora acrescentou que, apesar dos preços elevados, a comercialização continua aquecida. "Existem empreendimentos de studios em Belém que estão praticamente 100% vendidos. Isso demonstra que existe uma demanda alta e uma expectativa positiva para esse mercado", destacou.
Mercado deve manter crescimento sustentável
Na avaliação dos corretores de imóveis, a tendência é de continuidade da valorização dos imóveis compactos nos próximos anos. O crescimento da demanda por estudantes, jovens profissionais, pessoas que vivem sozinhas, casais sem filhos e idosos, aliado à escassez de terrenos nas regiões mais valorizadas da cidade, deve manter o segmento em expansão.
Valter Matos ponderou, entretanto, que investidores devem adotar uma visão de longo prazo. Segundo ele, a locação tradicional e o ganho de capital representam estratégias mais seguras do que projeções baseadas exclusivamente em aluguel de curta temporada, especialmente diante do aumento da oferta de novos empreendimentos em Belém.
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