CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

R$ 709,12: Cesta básica de Belém cai 2,07% em agosto, mas consumidores ainda sentem peso dos preços

Queda foi a segunda registrada no ano, mas valor dos alimentos acumula alta de 6,38% desde janeiro; consumidores entrevistados em supermercado dizem não ter percebido redução

Jéssica Nascimento
fonte

O custo da cesta básica de alimentos caiu 2,07% em Belém no mês de agosto, segundo levantamento do Dieese/PA em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O conjunto dos 12 produtos básicos passou a custar R$ 709,12, contra R$ 724,10 em julho — uma redução de R$ 14,98.

Apesar do recuo, a percepção de consumidores ouvidos em um supermercado da capital paraense é diferente. Entre os entrevistados, a sensação predominante foi de que os preços continuam elevados e que a redução apontada pela pesquisa ainda não chegou de forma perceptível às compras do dia a dia.

A aposentada Elza Lopes afirmou que não identificou queda nos preços dos produtos que costuma comprar. “Aqui nunca cai o preço. Não observei nenhuma queda”, disse.

image Elza Lopes. (Foto: Thiago Gomes)

Segundo ela, o único alimento cujo preço percebeu ter diminuído foi o açaí. Moradora do Pará e natural do Marajó, Elza também contou que parte dos alimentos consumidos pela família vem da região de origem.

A estudante de Contabilidade Edine Macedo também não percebeu a redução indicada pelo levantamento.

image Edine Macedo. (Foto: Thiago Gomes)

“Não baixou nada. Subiu tudo. Tá tudo muito caro”, afirmou. Entre os produtos que mais pesaram no orçamento em agosto, ela citou verduras, açúcar, feijão e arroz.

O autônomo Joel Rosa, que frequenta o supermercado diariamente por morar próximo ao estabelecimento, teve percepção semelhante.

image Joel Rosa. (Foto: Thiago Gomes)

“Não percebi queda em nenhum produto. Pelo contrário: aumentou”, relatou. Segundo ele, o quilo da carne bovina chegou a R$ 52 no local.

Tomate puxa queda da cesta

De acordo com o levantamento do Dieese/PA, o principal responsável pela redução do custo da cesta em agosto foi o tomate, que apresentou queda de 16,02%. Também ficaram mais baratos o açúcar (-4,40%), feijão carioca (-2,70%), café em pó (-2,68%), óleo de soja (-1,17%), farinha de mandioca (-1,08%) e banana (-0,44%).

Na outra ponta, cinco produtos ficaram mais caros: carne bovina de primeira (2,58%), arroz agulhinha (1,02%), manteiga (0,85%), leite integral (0,74%) e pão francês (0,12%).

O Dieese/PA ressalta, porém, que a forte redução no preço do tomate precisa ser analisada com cautela. O produto sofre influência de fatores como sazonalidade, condições climáticas, oferta e custos de comercialização, podendo apresentar oscilações significativas de um mês para outro.

image (Foto: Thiago Gomes)

Alta acumulada ainda pesa no bolso

Mesmo com a queda de agosto, o preço da cesta básica permanece acima do registrado no início do ano. Entre janeiro e agosto, o valor passou de R$ 666,57 para R$ 709,12, acumulando alta de 6,38%.

O aumento supera a inflação estimada em aproximadamente 3,5% no mesmo período. Dos 12 produtos pesquisados, oito tiveram alta acumulada no ano. O maior avanço foi registrado pelo feijão carioca, que subiu 57,45%, seguido pelo tomate (11,16%), carne bovina de primeira (9,94%), arroz (7,87%), banana (6,61%), leite (4,59%), manteiga (2,87%) e pão francês (1,86%).

image (Foto: Thiago Gomes)

Por outro lado, quatro produtos apresentaram redução desde janeiro: farinha de mandioca (-22,84%), óleo de soja (-14,99%), café em pó (-10,92%) e açúcar cristal (-10,31%).

Nos últimos 12 meses, entre agosto de 2025 e agosto de 2026, a cesta básica em Belém acumulou alta de 3,17%, passando de R$ 687,10 para R$ 709,12. O feijão novamente aparece como principal destaque, com aumento de 60,37%, seguido pela carne bovina (17,30%) e banana (13,49%).

Quase metade do salário mínimo é comprometida

O levantamento mostra ainda o peso da alimentação sobre a renda dos trabalhadores. Em agosto, quem recebeu o salário mínimo e vive em Belém precisou comprometer aproximadamente 47,29% da remuneração líquida para comprar os 12 produtos da cesta básica.

Em termos de jornada, foram necessárias cerca de 96 horas e 14 minutos de trabalho, considerando as 220 horas mensais previstas em lei, para adquirir os alimentos.

image (Foto: Thiago Gomes)

Belém tem a 2ª cesta mais cara do Norte

A queda de agosto não foi exclusiva de Belém. O valor da cesta básica diminuiu em 25 das 27 capitais brasileiras pesquisadas pelo Dieese e pela Conab. Na Região Norte, todas as sete capitais registraram redução.

A maior queda ocorreu em Rio Branco, de 4,68%, seguida por Manaus (-4,55%), Boa Vista (-4,47%), Porto Velho (-2,93%), Belém (-2,07%), Palmas (-1,82%) e Macapá (-1,49%).

Em valores, entretanto, Belém teve a segunda cesta básica mais cara da Região Norte, com R$ 709,12, atrás apenas de Palmas, onde o conjunto dos produtos custou R$ 718,54.

image (Foto: Thiago Gomes)

No país, considerando o salário mínimo líquido e a cesta básica, o trabalhador comprometeu, em média, 48,46% da remuneração com a alimentação em agosto.

O Dieese estimou ainda em R$ 7.565,86 o salário mínimo necessário, em agosto, para sustentar uma família de quatro pessoas, considerando despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. O valor equivale a 4,67 vezes o salário mínimo vigente, de R$ 1.621.

Preços dos produtos da cesta básica em agosto de 2026 em Belém (Fonte: Conab/Dieese/PA)

  • Carne bovina: R$ 46,44 por kg

  • Leite integral: R$ 8,21 por litro

  • Feijão carioca: R$ 8,66 por kg

  • Arroz agulhinha: R$ 4,95 por kg

  • Farinha de mandioca: R$ 8,21 por kg

  • Tomate: R$ 8,07 por kg

  • Pão francês: R$ 17,01 por kg

  • Café em pó: R$ 61,70 por kg

  • Açúcar cristal: R$ 3,48 por kg

  • Óleo de soja: R$ 8,45 por 900 ml

  • Manteiga: R$ 63,14 por kg

  • Banana: R$ 11,44 por dúzia

Custo total da cesta básica: R$ 709,12.

 

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Economia
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM ECONOMIA

MAIS LIDAS EM ECONOMIA