Preços de verduras e legumes aumentam até 75% esse ano no Pará, aponta Dieese/PA

Maioria desses alimentos teve alta muito superior à inflação calculada para o período

O Liberal
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Pesquisas recentes do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) apontam para um forte encarecimento dos preços de verduras e legumes em Belém. No acumulado do ano, os reajustes da maioria dos produtos comercializados em feiras livres e supermercados da capital paraense superaram, e muito, a inflação do período medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que alcançou aproximadamente 3,36%, com destaque para a cenoura (75,52%), cebola (56,74%) e repolho (52,98%). Na análise, o Dieese ressalta que esse cenário que impacta diretamente o custo da alimentação e o orçamento das famílias. 

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Em junho, o preço médio dos produtos foi o seguinte:

  • Abóbora (kg): R$ 5,98
  • Alface (maço): R$ 4,30
  • Alfavaca (maço): R$ 2,55
  • Batata (kg): R$ 9,31
  • Batata-doce branca (kg): R$ 9,83
  • Batata-doce rosa (kg): R$ 7,64
  • Beterraba (kg): R$ 8,92
  • Cariru (maço): R$ 2,46
  • Cebola (kg): R$ 7,79
  • Cebolinha (maço): R$ 3,14
  • Cenoura (kg): R$ 10,90
  • Cheiro-verde (maço): R$ 4,11
  • Chicória (maço): R$ 2,89
  • Chuchu (kg): R$ 7,10
  • Couve (maço): R$ 3,62
  • Feijão verde (maço): R$ 3,50
  • Jambu (maço): R$ 4,14
  • Macaxeira (kg): R$ 6,73
  • Maxixe (kg): R$ 18,06
  • Pepino (kg): R$ 7,09
  • Pimentão verde (kg): R$ 13,30
  • Quiabo (kg): R$ 17,82
  • Repolho (kg): R$ 9,24
  • Salsa (maço): R$ 3,44

Além da cenoura, cebola e repolho, com altas que passam de 50%, a pesquisa aponta variação elevada no período de janeiro a junho no preço da batata lavada (49,20%) e beterraba (48,17%). Outros aumentos significativos incluíram maxixe (36,30%), quiabo (34,69%), jambu (31,43%) e pimentão verde (27,15%). Produtos como abóbora (21,79%), couve (15,65%), cheiro-verde (15,13%), chuchu (13,42%), pepino (13,26%), cariru (10,31%), alface (9,69%), cebolinha (9,41%) e feijão-verde (8,02%) também subiram. Apenas alfavaca (-12,07%) e batata-doce branca (-1,99%) registraram queda no semestre.

Na análise entre junho e maio de 2026, a maioria dos produtos monitorados pelo Dieese/PA também registrou alta. As maiores elevações no mês foram na batata lavada (16,96%), seguida por pimentão verde (13,10%), abóbora (7,36%) e cebola (7,30%). Outros itens de consumo diário, como batata-doce rosa (6,41%), repolho (5,96%), cenoura (5,83%), cebolinha (4,32%), cheiro-verde (3,01%), quiabo (2,71%), macaxeira (2,59%), beterraba (1,59%), chicória (1,40%), cariru (1,23%) e jambu (0,73%), também tiveram reajustes. Em contrapartida, alguns produtos apresentaram queda: alfavaca (-7,61%), pepino (-6,09%), chuchu (-4,83%), salsa (-2,82%) e batata-doce branca (-2,58%).

De acordo com o Dieese, esse comportamento de curto prazo é reflexo de fatores como a sazonalidade agrícola, as condições climáticas, os custos de transporte e a dinâmica de abastecimento dos mercados locais. Tais elementos influenciam diretamente a oferta e a formação dos preços desses alimentos.

Variação nos Últimos 12 Meses

A comparação dos últimos doze meses também aponta alta na maioria dos produtos pesquisados, com parte expressiva apresentando reajustes acumulados superiores à inflação do período, calculada em torno de 4,72% pelo IPCA do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As maiores elevações anuais foram na cenoura (81,36%), beterraba (75,25%), repolho (72,39%), pimentão verde (57,77%), batata lavada (55,17%) e cebola (49,52%). Quiabo (29,41%) e chuchu (21,99%) também tiveram aumentos expressivos. Cebolinha (19,85%), pepino (18,17%), batata-doce rosa (16,11%), cheiro-verde (13,85%), abóbora (13,26%), maxixe (12,52%), salsa (12,42%), chicória (11,15%) e feijão-verde (10,76%) seguiram a tendência de alta. Por outro lado, couve (-10,17%), alface (-0,69%) e macaxeira (-0,30%) registraram redução nos preços.

Impacto das Chuvas e Dependência Externa

Entre os principais fatores que explicam o comportamento dos preços, destaca-se o período de chuvas intensas no Pará durante o primeiro semestre de 2026. Essas condições comprometeram a produção agrícola, dificultaram a colheita e reduziram a oferta de hortifrutigranjeiros, pressionando os preços em Belém.

Ainda conforme a análise do Dieese, soma-se a isso a elevada dependência do mercado paraense em relação ao abastecimento de outros estados, especialmente para produtos como cebola, batata, cenoura e beterraba. "Dessa forma, problemas climáticos, oscilações na produção e aumentos dos custos nas principais regiões produtoras acabam sendo rapidamente repassados aos preços praticados no mercado paraense".

Mesmo com a recente redução no preço do óleo diesel, a entidade observa que os custos de frete permanecem altos em comparação com o início do ano. No Pará, um estado de grandes dimensões e com forte dependência dos modais rodoviário e hidroviário, os custos de transporte continuam a influenciar significativamente a formação dos preços dos alimentos em feiras, mercados e supermercados.

Preocupação com o El Niño

O Dieese ressalta que há também crescente preocupação com os possíveis impactos do fenômeno El Niño nos próximos meses. Projeções meteorológicas indicam um período mais seco e temperaturas elevadas na Amazônia a partir do segundo semestre. "Esse cenário tende a aumentar o estresse hídrico das lavouras, reduzir a produtividade agrícola, ampliar o risco de queimadas e incêndios florestais e elevar os custos de produção e transporte. Caso essas previsões se confirmem, os efeitos poderão exercer novas pressões sobre os preços dos alimentos, especialmente das hortaliças, verduras e legumes, cuja oferta é altamente sensível às condições climáticas", diz o estudo da entidade.

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