Pará vendeu US$ 1,38 bilhão de polpas de frutas no 1º semestre de 2026 com 3,08 milhões de toneladas
Estado teve crescimento de 34% em valor em relação ao mesmo período de 2025 e avanço da demanda externa; China aparece como principal destino das exportações paraenses
As exportações paraenses de polpas de frutas alcançaram aproximadamente US$ 1,38 bilhão no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa CIN). O resultado representa crescimento de 34,04% em comparação ao mesmo período de 2025. Em volume, os embarques somaram cerca de 3,08 milhões de toneladas, alta de 27,66%, consolidando o avanço da produção estadual no mercado internacional.
O desempenho colocou o Pará na 9ª posição entre os estados brasileiros que mais exportam polpas de frutas. Entre os principais compradores estão China, responsável por 41,54% das compras; Espanha (16,68%); Países Baixos (5,62%); Tailândia (5,45%) e Turquia (4,90%). A diversidade de destinos, segundo a Fiepa, demonstra a inserção da produção paraense em diferentes mercados e reduz a dependência de um único parceiro comercial.
China amplia oportunidades para polpas e frutas congeladas
A gerente do Centro Internacional de Negócios da Fiepa, Cassandra Lobato, explicou que a China se mantém como principal destino das exportações paraenses de frutas no primeiro semestre de 2026. Segundo ela, a abertura de novas regras sanitárias e acordos de certificação facilitou o acesso de produtos brasileiros ao mercado chinês.
Cassandra destacou que o novo cenário aumenta a segurança para os exportadores e favorece a expansão das vendas paraenses, especialmente com ações de promoção comercial internacional, rodadas de negócios e participação em feiras internacionais realizadas pela Fiepa CIN.
O Ministério da Agricultura e Pecuária informou que a Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC) disponibilizou o modelo de certificado sanitário aplicável às exportações brasileiras de polpas e frutas congeladas. Com isso, empresas interessadas podem realizar o registro no sistema China Import Food Enterprise Registration (CIFER), etapa necessária para a habilitação das exportações ao país asiático.
Entre os produtos contemplados estão polpas e frutas congeladas de espécies já reconhecidas como alimento pelas autoridades chinesas, como açaí, manga, goiaba, abacaxi e maracujá. Após a aprovação da GACC, o estabelecimento recebe um número de registro e as remessas precisam ser acompanhadas pelo certificado sanitário oficial acordado entre os países.
Açaí paraense mira novos consumidores internacionais
Para a indústria de polpas de açaí instalada em Marituba, na Região Metropolitana de Belém, a abertura comercial representa uma oportunidade de ampliar negócios e conquistar novos compradores. O diretor comercial de uma fábrica, Francisco Ferreira Filho, informou que a empresa já possui registro para exportar açaí para a China há quatro anos, mas avaliou que a flexibilização das regras facilita a entrada de novas frutas e amplia a possibilidade de novos clientes.
“Essa abertura do mercado é muito importante para a difusão do açaí. Já temos aqui nessa indústria diversos mercados abertos. Hoje em dia o nosso maior mercado é Estados Unidos, Oriente Médio, já estamos exportando para a China”, declarou.
Segundo o diretor, a certificação é uma exigência fundamental para acessar mercados externos. Ele explicou que a empresa só conseguiu avançar nas exportações após obter uma série de certificações relacionadas à qualidade do produto e aos processos industriais.
“Se conseguirmos esses certificados, abre as portas para o nosso produto no mercado externo. Nós mesmos somente conseguimos abrir o mercado externo após termos uma série de certificações que nós temos aqui nessa indústria. Sem essas certificações não tem possibilidade de estar exportando”, afirmou.
Estados Unidos lideram compras da empresa
Francisco Ferreira detalhou que os Estados Unidos são atualmente o principal mercado da fábrica. Nos últimos 12 meses, a empresa exportou aproximadamente 50 contêineres para o país, volume próximo de mil toneladas de açaí, com faturamento estimado em US$ 3 milhões.
“Nos Estados Unidos nós exportamos somente para um cliente. Já foram mais de 36 contêineres. Somente da safra do ano passado para cá. Hoje em dia deve estar aí um volume de em torno de 50 contêineres”, informou.
Ele explicou que os compradores norte-americanos são principalmente indústrias que utilizam a polpa como matéria-prima para fabricação de sucos, sorvetes, cremes e produtos destinados a redes de franquias. Já no Oriente Médio, a empresa comercializa principalmente produtos acabados, como sorvetes de açaí.
A fábrica produz polpa de açaí, sorvete sem adição de leite, açaí em pó e açaí liofilizado. Segundo o diretor, a polpa é o principal produto exportado, seguida pelo sorvete, que também apresenta forte participação nas vendas internacionais.
Tarifaço de Trump teve impacto limitado nas vendas de açaí
Francisco Ferreira Filho avaliou que as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump tiveram impacto nas vendas de polpa de açaí para os Estados Unidos, mas não chegaram a afetar de forma significativa os negócios da empresa.
Segundo ele, o efeito foi limitado porque as tarifas entraram em vigor durante o período que antecede o inverno norte-americano, quando grande parte dos clientes já havia formado seus estoques.
“A queda das tarifas coincidiu com a chegada do verão e o aumento da demanda de exportação de polpa para os EUA”, explicou.
O diretor comercial destacou, no entanto, que o tarifaço pode ter provocado efeitos indiretos sobre o consumo. Segundo ele, importadores americanos repassaram parte do custo das tarifas para os preços finais, o que elevou o valor dos produtos para o consumidor.
“Esse aumento de custo pode ocorrer uma retração. Pode ser que tenha ocorrido uma retração do consumo das famílias americanas de produtos tarifados”, avaliou.
Francisco observou ainda que produtos considerados mais essenciais, como a laranja, foram retirados mais rapidamente da lista de itens tarifados por causa da dependência dos Estados Unidos em relação à produção brasileira. Já produtos considerados menos essenciais, como o açaí, permaneceram sujeitos às tarifas por mais tempo.
Logística e rastreabilidade são desafios para expansão
Apesar do crescimento do mercado externo, a indústria ainda enfrenta desafios relacionados à logística. Francisco Ferreira explicou que a disponibilidade de contêineres e limitações operacionais no Porto de Vila do Conde podem obrigar empresas a utilizar outras rotas de exportação.
“Um dos grandes desafios que enfrentamos aqui tem muito a ver com logística. Toda questão de até mesmo o nosso porto aqui do Porto de Vila do Conde acaba tendo um certo entrave às vezes pela falta de contêineres disponíveis. Isso nos obriga a ter que fazer exportação via outros portos, como o Porto do Pecém e o Porto de Santos”, detalhou.
Em relação à qualidade e rastreabilidade, o diretor destacou que a empresa mantém uma área própria de cultivo de açaí com certificação orgânica, permitindo acompanhar todas as etapas da cadeia produtiva.
“Temos toda a rastreabilidade desde o plantio até a indústria. Isso aí é um diferencial que oferecemos aos nossos clientes, essa rastreabilidade total da cadeia de produção orgânica”, declarou.
Mercado internacional do açaí mantém crescimento
Francisco Ferreira avaliou que a demanda internacional pelo açaí continua em expansão, apesar dos desafios relacionados à oferta e aos preços da fruta. Ele explicou que fatores climáticos, como a influência do fenômeno El Niño, podem impactar a próxima safra e afetar os custos da matéria-prima.
“O açaí vem em franca expansão. O mercado externo do açaí cresce cerca de 10% ao ano”, afirmou.
Segundo ele, a popularização internacional do produto ganhou força a partir de 2010, quando o açaí passou a ser divulgado como uma “super fruta” devido às suas características nutricionais e ao sabor.
“O açaí começou a se difundir muito como uma super fruta. Isso acabou atraindo muitos olhares do público externo, e o próprio sabor do açaí também contribuiu para a expansão do mercado”, explicou.
Atualmente, a empresa comercializa polpa em diferentes formatos, como pacotes de 1 quilo, baldes de 18 quilos e tambores de 180 quilos. A polpa orgânica de açaí com 12% de sólidos é vendida por valores que variam de US$ 3,20 a US$ 3,40 por quilo, conforme a embalagem.
Exportações de frutas do Pará — 1º semestre de 2026
- Período analisado: janeiro a junho de 2026
- Fonte dos dados: Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa CIN)
Desempenho das exportações
- Valor exportado: aproximadamente US$ 1,38 bilhão.
- Crescimento em valor: 34,04% em relação ao mesmo período de 2025.
- Volume embarcado: cerca de 3,08 milhões de toneladas.
- Crescimento em volume: 27,66% na comparação com o primeiro semestre de 2025.
- O resultado indica fortalecimento do setor exportador paraense e aumento da capacidade de atender à demanda dos mercados internacionais.
Posição do Pará no Brasil
- O Pará ocupa a 9ª posição entre os estados brasileiros que mais exportam frutas
- O desempenho reforça a importância do estado no comércio internacional de produtos do setor
Principais destinos das frutas paraenses
- China: 41,54%
- Espanha: 16,68%
- Países Baixos (Holanda): 5,62%
- Tailândia: 5,45%
- Turquia: 4,90%
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