Belém é a 4ª cidade com aluguel mais caro do Brasil; corretores apontam pouca oferta e alta demanda
Valorização de áreas consolidadas, concentração da procura e efeitos da COP 30 ajudam a explicar o preço médio de R$ 62,65 por metro quadrado na capital paraense
Belém aparece entre as cidades com o aluguel residencial mais caro do Brasil com preço médio de R$ 62,65 por metro quadrado ao mês, segundo o Índice FipeZAP, calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o Grupo OLX (Zap/Viva Real). A capital paraense ocupa a quarta posição no ranking nacional, atrás de Barueri (SP), São Paulo (SP) e Recife (PE), e fica à frente de Florianópolis (SC) e Rio de Janeiro (RJ).
O cenário também se reflete nos bairros mais valorizados. Em Belém, o metro quadrado chega a R$ 73 no Jurunas e R$ 69 em Batista Campos. Para corretores ouvidos pelo Grupo Liberal, os valores são resultado principalmente da combinação entre oferta limitada de imóveis considerados bons para locação e uma demanda concentrada em regiões com infraestrutura, serviços e melhor localização. A realização da COP 30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) também contribuiu para acelerar a valorização, mas não seria a origem do movimento.
Oferta limitada pressiona os preços
Para o corretor de imóveis Eberth Wanghon, não há um único motivo capaz de explicar a posição de Belém no ranking. Ele avalia que a valorização é resultado da combinação entre oferta, demanda, localização e mudanças no mercado imobiliário.
“Belém possui uma oferta limitada de imóveis em regiões mais consolidadas e desejadas, onde já existe infraestrutura, comércio, serviços, escolas, hospitais, lazer e facilidade de mobilidade”, disse.
Segundo Wanghon, quando a procura por essas áreas cresce em ritmo superior ao da oferta de novos imóveis, os preços tendem a subir.
O corretor também destacou que a cidade passou por um processo de maior valorização e visibilidade econômica. Para ele, a pandemia contribuiu para mudar as prioridades de parte dos consumidores, que passaram a valorizar mais fatores como localização, conforto, segurança e praticidade.
COP 30 acelerou uma tendência
A COP 30, realizada em Belém, também aparece nas avaliações dos profissionais do mercado imobiliário. Wanghon informou que o evento trouxe investimentos, novos negócios e maior exposição internacional para a capital paraense.
Apesar disso, ele ressaltou que a valorização dos aluguéis começou antes da conferência. “É importante destacar que a valorização dos aluguéis já vinha acontecendo antes do evento”, declarou.
A avaliação é semelhante à do corretor Valter Matos. Ele afirmou que a COP 30 aumentou significativamente a procura por imóveis e reduziu temporariamente a oferta de locações convencionais, elevando as expectativas dos proprietários.
“O evento não criou esse cenário, mas provavelmente acelerou uma tendência que já existia”, disse Matos.
Segundo ele, mesmo após a realização da conferência, os valores dos imóveis para locação ainda não teriam retornado completamente aos patamares anteriores.
Bairros valorizados puxam a média
A concentração da procura em determinadas regiões ajuda a entender por que a média de Belém aparece entre as maiores do país. O levantamento mostra que o valor médio de R$ 62,65 por metro quadrado pode ser ainda maior em bairros específicos.
No Jurunas, por exemplo, o preço chega a R$ 73 por metro quadrado. Em Batista Campos, alcança R$ 69. O movimento é semelhante ao observado em Recife, que ocupa a terceira posição nacional, onde Pina registra R$ 76 e Parnamirim, R$ 68 por metro quadrado.
Em Florianópolis, quinta colocada no ranking, os bairros mais caros apresentam valores mais próximos da média municipal: Agronômica tem R$ 66 por metro quadrado, enquanto Centro e Trindade registram R$ 63.
Mercado mais seletivo
Na avaliação de Wanghon, a alta dos preços não significa apenas que Belém ficou mais cara. O mercado, segundo ele, passou a selecionar com mais rigor os imóveis e endereços considerados atrativos.
“Hoje, localização, infraestrutura e qualidade do produto têm um peso muito maior na formação do preço”, detalhou.
Para o corretor, a mudança também exige uma análise diferente de quem pretende comprar um imóvel para morar ou investir. Ele afirmou que é necessário observar não apenas o preço, mas também o potencial de valorização da região, a escassez de oferta e a capacidade de determinado endereço continuar sendo procurado.
Matos acrescentou que a combinação de pouca oferta e demanda elevada ajuda a explicar não apenas os preços dos aluguéis, mas também a atratividade de Belém para investidores. “Isso ajuda a explicar por que o aluguel em Belém continua tão caro e, ao mesmo tempo, por que a cidade apresenta uma rentabilidade interessante para quem compra imóvel com objetivo de locação”, declarou.
As 10 cidades onde o aluguel é mais caro no Brasil (Fonte: Índice FipeZAP)
- Barueri (SP): R$ 72 por m²
- São Paulo (SP): R$ 65,18 por m²
- Recife (PE): R$ 64,71 por m²
- Belém (PA): R$ 62,65 por m²
- Florianópolis (SC): R$ 60,84 por m²
- Rio de Janeiro (RJ): R$ 60,80 por m²
- Santos (SP): R$ 59,97 por m²
- São Luís (MA): R$ 57,73 por m²
- Maceió (AL): R$ 56,20 por m²
- Campinas (SP): R$ 55,52 por m²
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