Pará terá estratégia de bioeconomia, afirma fundador do Fórum Mundial de Bioeconomia

Declaração foi dada durante o encerramento do evento, nesta quarta-feira (20), em Belém

Natália Mello / O Liberal
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O Pará será o primeiro do Brasil a ter uma bioestratégia voltada para o desenvolvimento de ações voltadas para a bioeconomia. A afirmativa foi feita pelo fundador do Fórum Mundial de Bioeconomia, Jukka Kantola, nesta quarta-feira (20), último dia do evento – a programação iniciou na segunda-feira, quando o governador Helder Barbalho anunciou a publicação de um decreto oficializando esse e outros planos de governo. No encerramento, a organização apresentou uma declaração anual do Fórum, que contém várias medidas e intenções, e será também levada até Glasgow, na Escócia, entre 31 de outubro e 12 de novembro de 2021 outubro, quando ocorre a COP26, abreviação da Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

O documento será apresentado de forma conjunta pelo Fórum e o Governo do Pará no que é considerado o maior encontro ambiental do mundo. Esse debate e o resultado da troca de conhecimento vivenciada em três dias de evento em Belém, também foram considerados de grande importância para o desenvolvimento da bioeconomia amazônica e, segundo Kantola, foi um pontapé para a ampliação do cenário econômico a partir da biodiversidade em toda a América Latina. “A bioeconomia passará a existir no Brasil e na América Latina após esse Fórum. Estou convicto que mostramos o valor dessa forma de economia porque temos a primeira bioestratégia concreta no Brasil de bioeconomia”, afirmou, durante discurso.

Também foi muito debatido, durante a última explanação oficial do evento, o multilateralismo como ferramenta política para o desenvolvimento de uma economia que parte da biodiversidade e do conhecimento tradicional dos povos amazônicos e tradicionais. O último painel de discussões do evento contou com a participação também do secretário de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Mauro O’ de Almeida; do presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abrag), Marcello Brito; e do diretor executivo da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), José Carlos da Fonseca Jr.

O evento trouxe para a pauta a importância de fomentar o diálogo e a cooperação entre os mais diversos atores envolvidos na bioeconomia, como governo e políticas estaduais, líderes globais e financiadores, pesquisadores e cientistas, empreendedores responsáveis pelos bioprodutos e ainda um quarto elemento abstrato: a preocupação com o futuro. “Precisamos, para ter bioeconomia, de engajamento de todas as partes para avançarmos. Para a bioeconomia se tornar mais tangível, precisamos de apoios de parceiros, industriais, governamentais e, neste Fórum, tivemos a enorme felicidade de cooperar com o Estado do Pará”, analisou Jukka.

O titular da Semas, Mauro O’ De Almeida, falou que o próximo passo é andar em direção a um conceito de bioeconomia mais definido e, assim, estabelecer uma política concreta do segmento. “Os pilares da nossa bioestratégia são ciência, tecnologia, inovação e patrimônio genético. Com isso, precisamos pensar no investimento em atividades socioeconômicas sustentáveis e cadeias produtivas sustentáveis. A partir da bioestratégia, poderemos fazer um plano de bioeconomia. Já montamos um grupo de trabalho que envolve atores da sociedade civil e, assim, criarmos uma política estadual de bioeconomia. Teremos os próximos seis meses para estabelecer essa política”, ressaltou.

Por fim, o secretário falou ainda da importância de estabelecer efetivamente uma forma de compensação por serviços ambientais por meio do crédito de carbono, por exemplo – o evento também resultou na divulgação de um edital que oferece três concessões para interessados em operar com crédito de carbono no Estado. “Queremos chamar a atenção dos olhos do mundo para nós e dizer que o Pará quer pautar o debate da bioeconomia. Agora sabemos o que nós queremos e vamos saber como chegar a esse objetivo”, concluiu.

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Marcello Brito, ressaltou a importância de unir a bioeconomia a setores consolidados com o segmento, seja do setor florestal ou da biodiversidade, desde que o Brasil reduza os índices de desmatamento ilegal. “Nossa legislação é muito pesada, rigorosa, mesmo que no fim não se cumpram todas as determinações. Se alguma coisa acontece no meio do caminho, é um problema, mas a lei é rigorosa”. E o diretor da IBÁ (Indústria Brasileira de Árvores) completou. “Precisamos reduzir a marcha da insensatez, do aquecimento global. Não temos um planeta dois, temos só esse e precisamos melhorar esse planeta que temos”, finalizou José Carlos Jr.

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