Pará registra, este ano, mais de 6 mil crimes virtuais contra a Geração Z, os 'nativos digitais'
Jovens, e não idosos, lideram as estatísticas nacionais como alvo mais vulnerável
As fraudes virtuais no Brasil causam uma perda média que ultrapassa os R$ 10 mil por pessoa. Ao contrário do que muitos podem imaginar, os números mostram que são os jovens e não os idosos que aparecem como o grupo mais vulnerável a certas modalidades de golpes na internet.
Os dados são do relatório de Tendências de Fraude de 2026 da TransUnion, empresa global de informação e insights que atua como DataTech, modelo de negócio, cujo principal ativo é a coleta, o processamento e a análise estratégica de dados.
No Pará, a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) informou ao Grupo Liberal, na última quinta-feira (9), que foram registrados 13.211 crimes virtuais contra vítimas de até 29 anos em 2024, a chamada ‘geração z’. Ou seja, as pessoas nascidas na era digital, que têm agora entre 14 e 29 anos, cresceram com acesso à internet, redes sociais e celulares.
Em 2025, a Segup Pará aponta que o número de crimes virtuais aumentou para 13.620 ocorrências, e entre janeiro e junho de 2026, foram contabilizados 6.246 casos.
Nativos digitais estão mais expostos
Uma das explicações para a Geração Z ser a maior vítima de golpes virtuais está no fato do acesso facilitado às informações e as possibilidades de oportunidades. Não à toa, a Segup orienta os usuários “a desconfiarem de contatos e ofertas suspeitas, evitar o compartilhamento de dados pessoais e realizar transações apenas em ambientes seguros”.
Na última sexta-feira (10), a Polícia Civil informou que dados estudados pela Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos (DECCC) apontam que jovens de 20 a 29 anos são vítimas frequentes de golpes virtuais, especialmente os de falsos anúncios, devido à intensa exposição a propagandas em redes sociais e jogos online.
"Os criminosos atuam criando uma falsa relação de confiança para exigir pagamentos antecipados por produtos que nunca serão entregues. Essa vulnerabilidade é agravada pelo fato de que as fraudes ocorrem majoritariamente em dias úteis, durante a manhã e à tarde, horários em que as vítimas costumam dividir a atenção entre o trabalho ou os estudos e a comunicação rápida nas mídias sociais”, diz a PC em nota enviada ao jornal O Liberal.
Para evitar essas fraudes, a principal recomendação é "verificar a procedência das ofertas e desconfiar de vantagens desproporcionais ou mensagens que criem um senso de urgência para forçar o pagamento imediato".
A PC também enfatiza que caso o golpe aconteça, "a chance de recuperação do dinheiro depende do método utilizado". Por exemplo, em transferências via PIX, a vítima deve acionar rapidamente o seu banco para solicitar o bloqueio do valor através do Mecanismo Especial de Devolução (MED).
"É fundamental registrar o Boletim de Ocorrência e preservar as provas possíveis, como capturas de tela das conversas, dados do recebedor e comprovantes da transação”, ressalta a PC.
A Segup tem em seus registros casos de falsidade ideológica, invasão de dispositivo informático, fraude eletrônica e divulgação de informações falsas ou enganosas sobre produtos. “Em caso de suspeita de golpe ou qualquer outro crime virtual, a recomendação é registrar um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima".
Crime de estelionato lidera os registros da Segup
De acordo com a Segup, no território paraense, destacam-se os golpes digitais, principalmente estelionato e tentativa de estelionato. “Esses crimes somaram 4.816 ocorrências em 2024, 4.693 em 2025 e 1.973 no primeiro semestre de 2026”, informou a secretaria estadual.
Responsável pela fiscalização e garantia dos direitos do consumidor em todo o estado, o Procon, órgão vinculado à Secretaria de Justiça do Pará (Seju), informou que, de janeiro de 2025 a maio de 2026, as compras e contratações feitas pela internet geraram 1.044 reclamações.
"Dos segmentos econômicos com maior número de reclamações, os serviços financeiros lideram (com 335 registros), após vêm o varejo (169), telecomunicações (98), produtos de telefonia e informática (95) e eletrodomésticos e eletrônicos (85).
Na análise qualitativa do Procon, os assuntos que mais motivam reclamações são problemas envolvendo cartões de crédito, débito e cartões de loja (85 registros), seguidos por cursos de ensino superior contratados pela internet (61) e contas bancárias (53), especialmente relacionados à segurança e movimentação em aplicativos de instituições financeiras.
O órgão estadual destacou que o descumprimento de ofertas, venda ou publicidade enganosa apareceram na estatística com 160 casos, as dificuldades para obtenção de reembolso ou devolução de valores (97) e a não entrega ou atraso na entrega de produtos (85).
Veja os principais tipos de golpes digitais:
O perigo do “número mascarado” (Vishing)
Como funciona: O golpista liga para o seu celular. Graças a softwares de alteração de chamadas, sua tela pode mostrar o nome real do seu banco ou o número verdadeiro da linha de apoio ao cliente. Com voz profissional, os golpistas afirmam que houve uma “movimentação suspeita” na sua conta e que precisa de confirmação dos seus dados ou da realização de alguma operação no aplicativo do banco para testes.
Proteja-se: Desligue imediatamente. Os bancos não pedem senhas, códigos SMS ou transferências bancárias para anular fraudes. Ligue para o seu banco, mas utilize o número que está impresso no verso do seu cartão físico, idealmente a partir de outro telefone (para evitar que a linha fique presa pelo criminoso).
A invasão silenciosa (Account Takeover)
Como funciona: Os golpistas compram bases de dados antigas que foram roubadas da internet (de sites de hotéis, e-commerce ou redes sociais). Como a maioria das pessoas repete a mesma senha no e-mail, nas redes sociais e nos aplicativos de bancos, os golpistas usam robôs para testar essas senhas em massa até conseguirem acesso às suas contas.
Proteja-se: Utilize senhas fortes e exclusivas para cada aplicativo e ative a Autenticação de Dois Fatores (2FA). Cheque, regularmente, se suas senhas ou dados vazaram. É possível fazer isso pela ferramenta do Google, que verifica se suas senhas armazenadas foram vazadas, e pelo aplicativo Senhas, para quem utiliza iPhone.
O golpe do “dinheiro dácil” (Conta Laranja)
Como funciona: Ofertas nas redes sociais prometem pagamentos rápidos de R$ 200 a R$ 500 apenas para “emprestar” a sua conta bancária por algumas horas para receber uma transferência.
Proteja-se: Nunca aceite. Isto é um crime financeiro conhecido como “utilização de conta laranja”. O dinheiro transferido é fruto de sequestros, golpes ou extorsões. Ao ceder a conta, o utilizador torna-se cúmplice do crime e poderá responder judicialmente perante as autoridades.
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