Amazônia: novo fundo pretende captar R$ 130 milhões para financiar produção sustentável
Iniciativa prevê recursos para ampliar o acesso ao crédito e apoiar a industrialização de cadeias produtivas no bioma
Pequenos produtores rurais da Amazônia Legal terão acesso a uma nova linha de financiamento, focada em cadeias produtivas sustentáveis. O Fundo Rural+Verde, anunciado nesta quarta-feira (8), visa captar 25 milhões de dólares (cerca de 130 milhões de reais, na cotação atual) para ampliar o crédito e incentivar a industrialização. A iniciativa é da Facility de Investimentos Sustentáveis (FAIS), Banco da Amazônia e Global Citizen.
O fundo financiará projetos na Amazônia, facilitando o acesso ao crédito para pequenos produtores que encontram dificuldades no sistema financeiro tradicional. Inicialmente, o Banco da Amazônia aportará US$ 2 milhões (o equivalente a cerca de R$ 10 milhões), e a FAIS, com a Global Citizen, buscará novos investidores para o fundo.
Para Luiz Lessa, presidente do Banco da Amazônia, a iniciativa promove o desenvolvimento sustentável da região. "Ao ancorar esse fundo, damos um passo decisivo para conectar pequenos produtores a uma nova lógica de financiamento, que reconhece a floresta em pé como ativo econômico e coloca a Amazônia no centro das soluções globais para o clima e a produção de alimentos”, ele explica.
Acesso ao crédito
Marcelo Thomé, presidente do Instituto Amazônia+21 (IAMZ+21), destaca a estruturação de um mecanismo que conecta capital a soluções na Amazônia. "O desafio não é a falta de projetos, mas a ausência de instrumentos que permitam financiá-los com escala, coordenação e segurança. A Amazônia produz riqueza há séculos, mas continua exportando valor e importando pobreza. O fundo nasce para enfrentar essa desconexão, começando por quem mais precisa: o pequeno produtor”, afirma Thomé.
A iniciativa associa-se ao programa Rural+Verde, criado pelo IAMZ+21. Ele busca superar a dificuldade de transformar projetos socioambientais em ativos estruturados e financiáveis. A proposta visa ampliar o acesso ao crédito para produtores rurais, impulsionando a bioeconomia e a industrialização sustentável na Amazônia.
A agricultura familiar é responsável por cerca de 74% dos empregos rurais na Amazônia Legal. Contudo, levantamentos recentes mostram que apenas 3% desses agricultores tiveram acesso a crédito subsidiado. Thomé complementa que, ao estruturar ativos sustentáveis e conectá-los ao capital, o fundo fortalece seu papel como plataforma de originação de investimentos com potencial de escala.
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