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Negros e jovens estão à frente da maioria dos pequenos negócios no Norte

No Pará, 80% das empresas desse segmento são comandadas por negros e 32% por pessoas de até 34 anos

Keila Ferreira

Os Estados da região Norte estão entre os que possuem as maiores proporções de jovens e negros à frente de negócios. É o que mostra pesquisa divulgada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), nesta terça-feira (5), em Brasília, que traz um perfil dos donos de micro e pequenas empresas (MPE) e de microempreendedores individuais (MEI), e ainda apresenta dados da evolução do empreendedorismo nos últimos anos, com as características por região. Com o título "Atlas dos Pequenos Negócios", o levantamento também reforça a importância para a economia nacional deste segmento, que gera uma renda mensal para os empreendedores de R$ 35 bilhões, representando R$ 420 bilhões ao ano, aproximadamente.

O estudo mostra que pessoas que se classificam como negros (pretos + pardos) estão à frente de pelo menos 80% dos pequenos negócios em seis Estados do Brasil, quatro deles na região Norte. As maiores proporções são no Acre e Amazonas (84%), seguidos do Amapá e Maranhão (82%). O Pará e a Bahia, com 80%, vêm logo em seguida. Na outra ponta, estão as regiões Sul e Sudeste, que apresentam as menores proporções de negros, chegando a apenas 15% nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Três Estados da região Norte são os que têm as maiores proporções de jovens até 34 anos à frente de um negócio. Roraima lidera, com 40%, seguido do Amapá e Acre, com 38% e 36%, respectivamente. Na avaliação do Sebrae, em parte, isso está associado ao fato de a região Norte ter uma população relativamente mais jovem em relação ao restante do país. No caso do Pará, o percentual é de 32%. Ainda conforme o levantamento, 31% dos pequenos negócios no Estado são comandados por mulheres - percentual inferior à média nacional, que em seis anos subiu de 32% para 34% registrado em 2021. 

Quanto à escolaridade, em todo o Brasil, cerca de 20% dos donos de negócios têm nível superior, mas o Pará e o Maranhão têm as menores proporções (ambos com 8%). Já São Paulo e Distrito Federal, ambos com 30%, têm os maiores índices de empreendedores com nível superior ou mais. Outro dado aponta que, no Brasil, em média, 78% dos donos de pequenos negócios estão na ativa há mais de dois anos - o percentual é o mesmo registrado no Pará.

Renda

De acordo com o levantamento, no segundo trimestre de 2020, considerado o pior momento da pandemia, para os pequenos negócios, a proporção de donos de negócios com rendimento até um salário mínimo chegou a 56% no Brasil. No quarto trimestre de 2021, caiu para 45%, seguido pelos que ganham de um a dois salários (27%), os que ganham de dois a três (11%), os que recebem de três a cinco (9%) e os que têm rendimento de cinco salários mínimos ou mais (7%).

O Pará, no entanto, ainda está bem acima dessa média, com 66% dos donos de pequenos negócios ganhando até um salário mínimo. Piauí, Paraíba e Amazonas são os Estados com maior proporção, com 72%, 70% e 68%, respectivamente. No outro extremo, Paraná, Mato Grosso e Santa Catarina são os que apresentam menores proporções de donos de negócios cujo rendimento mensal é de até um salário, com, respectivamente, 31%, 28% e 22%.

Para o presidente do Sebrae, Carlos Melles, a transparência sobre a realidade do empreendedorismo no Brasil é um dos pontos mais importantes do estudo, podendo ajudar no planejamento de ações para ajudar as micro e pequenas empresas. "É através dos números que a gente vai poder trabalhar na formulação de políticas públicas. Esses dados nos permitem ter conhecimento da realidade brasileira, inclusive das diferenças regionais", declarou.

Segundo ele, o objetivo é que a publicação seja permanente, com atualização periódica dos dados. O lançamento do Atlas, que contou também com a presença do diretor-técnico do Sebrae Nacional, Bruno Quick, e do diretor de Administração e Finanças, Eduardo Diogo, faz parte das ações em comemoração aos 50 anos do Sebrae. 

Taxa de sobrevivência de pequenos negócios

A taxa de sobrevivência dos pequenos negócios após dois anos é de 85% no Pará - o mesmo percentual do Rio de Janeiro e que corresponde à média nacional, e abaixo apenas dos Estados do Piauí (86.5%), Maranhão (86.1%) e Amazonas (86%), segundo o Atlas dos Pequenos Negócios, a partir de estudo de abril de 2021, que teve como base dados de novembro de 2020.

Segundo o mesmo levantamento, o risco relativo de mortalidade de empresas é de 1,2% no Pará. Entre os fatores que contribuem para o fechamento estão: menor conhecimento ou experiência anterior no ramo; maior proporção de quem abriu por exigência de cliente ou fornecedor; maior proporção de quem abriu por necessidade; maior proporção de quem conhecia menos aspectos relevantes do negócio; tiveram menos acesso ao crédito (pediram menos e conseguiram menos); menor iniciativa em aperfeiçoar o negócio; e menos esforços de capacitação. Além disso, quase metade das empresas que fecharam em 2020 considera que “a pandemia foi determinante”.

Empresas de pequeno porte abertas no Brasil

No ano passado, o Brasil registrou a abertura de 813 mil micro e pequenas empresas, um crescimento de 19% em comparação a 2020. Nesse cenário, o Pará respondeu pela segunda maior proporção de empresas de pequeno porte abertas no país. Isso significa que, dos 88.712 pequenos negócios abertos, em 2021, no Estado, 4.315 eram empresas de pequeno porte, o que representa 4,9% do total - percentual atrás apenas do Mato Grosso (5,2%). No Pará, foram abertas ainda 14.097 microempresas (15,9% do total) e formalizados 70.300 microempreendedores individuais (79,2%).

Crescimento

As micro e pequenas empresas respondem por, aproximadamente, 30% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O presidente do Sebrae, Carlos Melles, avalia que o país deve alcançar um crescimento sustentável e espontâneo de 3% ao ano, no momento em que a participação das micro e pequenas empresas no PIB chegar à proporção de 40%. Ele observou que, em países desenvolvidos, a participação dos pequenos negócios no PIB gira entre 40% e 50%. "Se em 10 anos nós conseguirmos promover esse crescimento, toda a economia sai beneficiada, graças ao poder que as MPE têm de gerar renda e empregos”, declarou.

De acordo com o levantamento do Sebrae, 78% dos MEIs têm na sua atividade como empreendedor a única fonte de renda - percentual que abrange cerca de 6,7 milhões de MEI em atividade, dependendo exclusivamente do seu trabalho como empreendedores. Já em relação aos donos de micro e pequenas empresas (MPE), 71% não possuem outra fonte de renda.

Formalização

Entre 2012 e 2021, o número de trabalhadores por conta própria no Brasil cresceu 26%, passando de 20,5 milhões para 25,9 milhões. No mesmo período, o número de formalizações entre os MEI passou de 2,6 milhões para 11,3 milhões, um incremento de 323%, o que representa um crescimento mais de 12 vezes maior entre os MEI se comparado com os donos de negócios que não se formalizaram.

Donos de negócios no Pará 

31% são mulheres

80% são negros

32% têm até 34 anos

8% possuem nível superior de escolaridade

78% estão há mais de dois anos em atividade

66% tem rendimento de até um salário mínimo

91% não possuem empregados (conta própria)

15% contribui pra previdência 

Setores

29% estão no setor de serviços

23% no comércio

28% na agropecuária (maior percentual do Brasil)

10% em construção

11% indústria

Fonte: Sebrae

Palavras-chave

Economia
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