Natura compra Avon e cria 4ª maior empresa de cosméticos do mundo

A compra da maior rival em vendas diretas é uma aposta renovada no core business da empresa de distribuição porta-a-porta

Reuters

A Natura anunciou nesta quarta-feira (22) um acordo para compra da norte-americana Avon numa transação com troca de ações que deve criar o quarto maior grupo de beleza do mundo. Pelos termos do acordo, a Natura vai deter 76% dos negócios combinados com mais de 10 bilhões de dólares em receita anual, informou a empresa brasileira.

Após a Natura entrar em lojas de varejo de alto nível com as aquisições da Aesop, em 2013, e da The Body Shop, em 2017, a compra da maior rival em vendas diretas é uma aposta renovada no core business da empresa de distribuição porta-a-porta.

O Brasil é o maior mercado da Avon, representando quase um quarto das vendas, mas o negócio aqui sofreu nos últimos anos devido à fraca economia e à forte concorrência da Natura.

Agora, a empresa norte-americana de 133 anos concordou com os termos da troca, de 0,3 ação da Natura para cada ação da Avon. Isso avalia o patrimônio da Avon em cerca de 2 bilhões de dólares, representando um prêmio de 28% sobre o preço de fechamento da ação em 21 de maio.

As ações da Avon subiram 9,1% nesta quarta-feira (22) e as da Natura subiram 9,4%, com investidores aplaudindo a consolidação no mercado brasileiro. Tendências próprias do Brasil protegeram o modelo de venda direta de cosméticos, com consultores terceirizados vendendo principalmente para conhecidos, e da ameaça do varejo online, que tem prejudicado economias mais desenvolvidas.

A Natura tem uma liderança no mercado de vendas diretas no Brasil, de acordo com o grupo de pesquisa Euromonitor, que estima uma participação de mercado de 31% para a empresa, seguido por uma participação de quase 16% da Avon.

A empresa estimou que o acordo traga entre 150 milhões e 250 milhões de dólares de economia de custos anuais. Muitos consultores já vendem tanto produtos da Avon como da Natura, o que o analista do Brasil Plural, Andres Estevez, diz que podem ajudar a aliviar temores das autoridades antitruste.

A transação deve ser concluída no início de 2020. Se o negócio fechar dentro do prazo, a Natura disse que pagaria 530 milhões de dólares a investidores detentores de ações preferenciais da Série C na Avon, acrescentando que garantiu financiamento de Bradesco, Citigroup e Itaú Unibanco para efetuar o pagamento.

Economia
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