SEX · 02 OUT 2026Assine

FIM DE ANO

Frutas natalinas ficam mais caras em Belém e consumidores buscam alternativas para economizar

Segundo o Dieese, as frutas importadas, que costumam compor a ceia de Natal e Ano Novo, registraram reajustes que superam a inflação acumulada no período

Fabyo Cruz

3 de dezembro de 2025 às 13:50

Consumidores têm buscado antecipar compras, pesquisar preços e até substituir itens tradicionalmente presentes na mesa das famílias

Consumidores têm buscado antecipar compras, pesquisar preços e até substituir itens tradicionalmente presentes na mesa das famílias ( Foto: Igor Mota/O Liberal )

Os preços das frutas mais consumidas nas festas de fim de ano estão mais altos em Belém, segundo levantamento divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) nesta quarta-feira (3/12). As frutas importadas, que costumam compor a ceia de Natal e Ano Novo, registraram reajustes que superam a inflação acumulada no período — de cerca de 4,6% — e, em alguns casos, ultrapassam 15%. A alta é atribuída a fatores como impactos climáticos na produção, custos de importação, origem do produto, estoque e flutuações cambiais. Diante desse cenário, consumidores têm buscado antecipar compras, pesquisar preços e até substituir itens tradicionalmente presentes na mesa das famílias.

Entre os produtos que mais encareceram nos últimos 12 meses estão a nectarina, que chega a R$ 25,90 o quilo, com aumento de 17,73%, e a pêra D'anjou, com reajuste de 10,35% e preço médio de R$ 17,27. As nozes com casca ficaram, em média, 8,97% mais caras, enquanto a pêra Red subiu 8,69%. Também tiveram alta a tâmara seca (7,95%), o damasco turco (7,92%), a ameixa fresca importada (6,27%), o kiwi (5,24%), as passas escuras (5,06%), a maçã verde (3,53%), a uva branca Itália (2,41%) e a maçã argentina (1,45%). Segundo o Dieese, a maioria das redes de supermercados da Região Metropolitana já reforçou a oferta de produtos típicos da época, mas os preços elevados devem impactar o orçamento das famílias.

Em um supermercado localizado na avenida Duque de Caxias, no bairro do Marco, a consumidora Meg Parente aproveitou o início de dezembro para adiantar as compras e evitar o corre-corre mais próximo do Natal. “Belém está inflamada. Eu sinto assim, a cidade parece que ainda está respirando os ares da COP 30”, disse, ao comentar o movimento intenso e a busca por tranquilidade no fim do ano. “Quanto antes eu fizer as compras melhor, tanto em termos de abastecimento quanto em termos de paz”, completou.

Meg Parente aproveitou o início de dezembro para adiantar as compras e evitar o corre-corre mais próximo do Natal
Meg Parente aproveitou o início de dezembro para adiantar as compras e evitar o corre-corre mais próximo do Natal (Igor Mota/O Liberal)

Meg afirma ter percebido aumentos “levemente para cima” em relação ao ano passado e diz sentir os efeitos econômicos recentes “na ponta do lápis”. Para a ceia, ela não abre mão da combinação de frutas com pratos salgados, como pêssego e abacaxi, acompanhando o tender e os fios de ovos. Mas há exceções: “O figo está muito caro. Eu disse: não, não vou levar figo este ano”, contou, explicando que pretende substituí-lo por outra fruta.

A movimentação também atraiu Raquel Silva e sua mãe, Lindalva Silva, que pesquisam preços tanto em supermercados quanto na Feira da Central de Abastecimento do Pará (Ceasa-PA). Raquel afirma ter encontrado valores mais acessíveis na Ceasa. “Vimos que lá está um preço muito bom”, disse, destacando que, por enquanto, a estratégia é observar e comparar. Para elas, algumas frutas são indispensáveis na ceia, apesar do preço elevado, como a castanha portuguesa e as nozes. Mas Raquel admite que, diante de valores mais altos, está disposta a fazer trocas: a manga, por exemplo, deve entrar na mesa como alternativa às frutas importadas mais caras.

Raquel Silva e sua mãe, Lindalva Silva, pesquisam preços tanto em supermercados quanto na Feira da Ceasa
Raquel Silva e sua mãe, Lindalva Silva, pesquisam preços tanto em supermercados quanto na Feira da Ceasa (Igor Mota/O Liberal)

Além dos reajustes, o Dieese chama atenção para a grande variação de preços entre um supermercado e outro, que pode superar 20%. A orientação é que o consumidor pesquise bastante e esteja atento às possíveis promoções que costumam surgir conforme a proximidade do Natal e Ano Novo. A entidade lembra também que outros produtos importados, como figo, pêssego e castanha portuguesa, continuam com valores elevados e devem pressionar ainda mais o custo da ceia.

INFO — Frutas pesquisadas pelo Dieese, com preço médio e reajuste

  • Nectarina (kg): preço médio de R$ 25,90 em dezembro de 2025; preço médio de R$ 22,00 em dezembro de 2024; variação de 17,73%.
  • Pêra D'anjou (kg): preço médio de R$ 17,27 em dezembro de 2025; preço médio de R$ 15,65 em dezembro de 2024; variação de 10,35%.
  • Nozes com casca (kg): preço médio de R$ 53,83 em dezembro de 2025; preço médio de R$ 49,40 em dezembro de 2024; variação de 8,97%.
  • Pêra Red (kg): preço médio de R$ 21,63 em dezembro de 2025; preço médio de R$ 19,90 em dezembro de 2024; variação de 8,69%.
  • Tâmara seca La Violetera sem caroço (200g): preço médio de R$ 12,90 em dezembro de 2025; preço médio de R$ 11,95 em dezembro de 2024; variação de 7,95%.
  • Damasco seco turco La Violetera (200g): preço médio de R$ 28,60 em dezembro de 2025; preço médio de R$ 26,50 em dezembro de 2024; variação de 7,92%.
  • Ameixa fresca importada (kg): preço médio de R$ 30,17 em dezembro de 2025; preço médio de R$ 28,39 em dezembro de 2024; variação de 6,27%.
  • Kiwi (kg): preço médio de R$ 36,54 em dezembro de 2025; preço médio de R$ 34,72 em dezembro de 2024; variação de 5,24%.
  • Passas escuras sem semente (kg): preço médio de R$ 38,85 em dezembro de 2025; preço médio de R$ 36,98 em dezembro de 2024; variação de 5,06%.
  • Maçã verde (kg): preço médio de R$ 22,61 em dezembro de 2025; preço médio de R$ 21,84 em dezembro de 2024; variação de 3,53%.
  • Uva branca Itália com semente (500g): preço médio de R$ 15,29 em dezembro de 2025; preço médio de R$ 14,93 em dezembro de 2024; variação de 2,41%.
  • Maçã argentina (kg): preço médio de R$ 19,61 em dezembro de 2025; preço médio de R$ 19,33 em dezembro de 2024; variação de 1,45%.