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Morre Chico Lopes, ex-presidente do BC e criador do Copom

Economista teve papel fundamental na estabilização da economia brasileira nas décadas de 1980 e 1990

Jéssica Nascimento
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Morreu nesta sexta-feira (8/05) o economista Chico Lopes, ex-presidente do Banco Central, aos 80 anos. Ele estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro, desde o último dia 14.

Filho de Lucas Lopes, ministro da Fazenda no governo de Juscelino Kubitschek, Chico Lopes se formou em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, realizou pós-graduação na Fundação Getulio Vargas e concluiu doutorado em Harvard. Por muitos anos, também foi professor da PUC-RJ.

Especialista em macroeconomia, Lopes atuou como assessor do ministro do Planejamento, João Sayad, durante o governo de José Sarney. Em 1986, participou da formulação do Plano Cruzado e, no ano seguinte, contribuiu para o Plano Bresser. Em 1994, prestou consultoria informal à equipe responsável pelo Plano Real.

Na década de 1990, foi um dos diretores mais influentes do Banco Central e esteve entre os idealizadores do Copom (Conselho de Política Monetária), considerado por ele uma de suas maiores conquistas. Entre janeiro e fevereiro de 1999, assumiu a presidência do BC em um período conturbado.

Durante sua curta gestão, elevou o teto da cotação do dólar de R$ 1,22 para R$ 1,32 e ajudou a socorrer os bancos Marka e FonteCindam, medida que gerou prejuízo de R$ 1,6 bilhão ao Banco Central. Pressionado, pediu demissão em 1º de fevereiro.

Posteriormente, foi alvo da CPI dos Bancos, que descobriu comunicação de Lopes com uma antiga consultoria da qual fora sócio. Ele chegou a ser preso por se recusar a depor sobre o caso. Em entrevista à revista IstoÉ Dinheiro em 2013, reconheceu que, se pudesse voltar no tempo, teria calculado melhor os riscos e consequências de algumas decisões tomadas.

O Banco Central emitiu nota lamentando sua morte:

"Francisco Lopes dedicou décadas de sua vida intelectual ao enfrentamento do maior desafio macroeconômico de seu tempo: a inflação crônica brasileira dos anos 1980 e 1990. 

A diretoria do Banco Central do Brasil presta homenagem a um economista que marcou a história da estabilização econômica brasileira e deixa, na memória desta casa e no pensamento econômico nacional, um legado de inteligência, ousadia intelectual e dedicação ao país. Nossos sinceros sentimentos à família e aos amigos."

 

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Economia
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