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Maniva e pato ficam mais caros e ainda têm procura tímida na Feira da 25

Vendida a R$ 6, no ano passado, a maniva pré-cozida agora está custando R$ 8

Abílio Dantas/ O Liberal

A venda de ingredientes para o tradicional almoço do Círio, em Belém, apresentou nesta segunda-feira (4) movimento menor que no mesmo período de 2020, na Feira da 25, no bairro do Marco. De acordo com trabalhadores do local, no ano passado, no início da manifestação, apesar do risco maior de contaminação pela covid-19 e das políticas de restrição contra a pandemia, o fluxo de clientes era mais animador. A alta de preços de combustíveis, da conta da energia elétrica e da inflação no preço de diversos alimentos são alguns motivos apontados para explicar a mudança. No entanto, para os feirantes, o movimento deve melhorar no meio da semana, com a proximidade da festividade nazarena.

Com 30 anos de experiência na Feira da 25, o comerciante Nonato Guimarães trabalha com alguns dos produtos típicos do chamado “Natal do paraense”, em especial o quilo da maniva pré-cozida para o preparo da maniçoba e o quilo do pato resfriado, além do litro do tucupi, ainda que em menor quantidade que os outros dois itens. Para o Círio deste ano, ele afirma que não é possível manter o mesmo preço do ano passado, já que “tudo ficou mais caro”.

O quilo da maniva pré-cozida, que era vendido a R$ 6 por Nonato Guimarães no ano passado, ficou dois reais mais caro, sendo vendido agora a R$ 8. “Quando a pessoa quer comprar em grande quantidade, a partir de 10 quilos, é possível fazer algum desconto. Mas, em geral, vendemos a R$ 8, porque precisamos manter um equilíbrio entre o que gastamos para produzir e o que podemos ganhar. Eu tenho produção de maniva e criação de pato em Benevides. Você também não pode aumentar o quanto realmente gostaria, pois corre o risco de perder o cliente, se ficar muito caro”, explica.

A caixa de isopor onde o feirante armazenava os patos resfriados, produto típico para ser acompanhado por tucupi no prato tradicional, chamava atenção dos clientes durante o turno da manhã. O quilo do pato, que Nonato Guimarães vendia a R$ 35 em outubro de 2020, neste ano está sendo comercializado a R$ 45. “A venda de pato para o Círio está um pouco mais lenta, por conta do preço mesmo. Muita gente procura outras opções. Já o tucupi, eu não tenho mais porque compro pouco para vender. O que comprei, já foi vendido”, relata.

A professora Dayanna Rocha foi uma das clientes que resolveu comprar um quilo de maniva pré-cozida com o comerciante. “Mas senti a diferença do preço sim. No ano passado, era possível encontrar mais barato que R$ 8. Acontece que a gente não tem para onde fugir, o que governo atual não está praticando nenhuma política que faça com que o preço dos alimentos fique mais em conta”, afirma.

Para o almoço do Círio, a professora relata que pretende manter a tradição de garantir os pratos típicos, apesar da alta nos preços. “Mas a gente procura alternativas, sempre. Ao invés do pato, já tem alguns anos que faço frango ou peru no tucupi. Além da pandemia, ainda precisamos lidar com essa crise econômica”, conclui.

Dieese

Em pesquisa realizada entre os dias 18 e 29 de setembro, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese-PA) registrou que o preço da maniva teve alta de até 15%, em comparação com o ano passado, podendo variar de acordo com o local da venda (feiras ou supermercados) e com o tipo (crua ou pré-cozida). “Já os outros produtos que fazem parte da deliciosa maniçoba (principalmente os oriundos do porco), também estão mais caros com reajustes que em alguns casos variam entre 10,00% a 15,00%. A inflação estimada para os últimos 12 meses gira em torno de 10,00%”, afirma o Dieese, em boletim.

A maniva crua, segundo o órgão de pesquisa, pode ser encontrado em maior quantidade na feira do Ver-o-Peso, custando em torno de R$ 4,00. “Já a maniva pré-cozida comercializada também nas maiores feiras livres da Região Metropolitana de Belém está custando entre R$ 5,00 a R$ 8,00 por quilo, dependendo da feira livre”, completa o Dieese.

Entre os dias 11 e 16 de setembro, ainda de acordo com o Departamento Intersindical, o preço do tucupi, em garrafas de um ou dois litros, apresentava alta de até 10% em comparação com 2020. “O tucupi comercializado na Feira do Ver-o-peso foi encontrado no período pesquisado com preços que variam de RS 6,00 a R$ 10,00 (Garrafa PET de dois litros). Já a garrafa de um litro do produto, disponibilizada em quantidades menores, foi encontrada custando cerca de R$ 3,00”, informa o Departamento.

Economia
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