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Isan Anijar assume ACP com foco em ambiente de negócios e articulação institucional

Empresário toma posse no dia 6 de abril e, em entrevista ao jornal O LIBERAL, destaca desafios como carga tributária, logística e burocracia

Fabyo Cruz

Em entrevista ao jornal O LIBERAL, o empresário Isan Anijar detalhou as prioridades e os desafios que deve enfrentar ao assumir a presidência da Associação Comercial do Pará (ACP). Ele toma posse no próximo dia 6 de abril, às 18h30, no Salão Nobre da entidade, em Belém, para o biênio 2026-2028. Eleito em 23 de março com chapa única, Anijar chega ao cargo com o respaldo do setor empresarial e a missão de fortalecer o ambiente de negócios no estado.

Diretor comercial da Marmobraz, empresa paraense do segmento de mármores e granitos, Anijar tem trajetória consolidada no meio empresarial e foi reconhecido, em 2025, como “Empresário do Ano” pela própria ACP. A posse ocorre em um momento simbólico: a entidade completa 207 anos no dia 4 de abril, consolidando-se como uma das instituições mais tradicionais do país.

Durante a entrevista, o novo presidente destacou como prioridades a modernização da ACP, o fortalecimento de seus conselhos e a ampliação do diálogo com o poder público. Também chamou atenção para entraves históricos, como a burocracia, a instabilidade regulatória e o peso da carga tributária, que, segundo ele, dificultam o crescimento das empresas.

image Eleito em 23 de março com chapa única, Anijar chega ao cargo com o respaldo do setor empresarial e a missão de fortalecer o ambiente de negócios no estado (Foto: Cristino Martins/O Liberal)

Anijar ainda abordou temas como os impactos da reforma tributária, a informalidade, os desafios logísticos no Pará e projetos considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico, além de demonstrar preocupação com propostas em debate no Congresso Nacional que podem elevar custos para o setor produtivo. Confira a entrevista completa a seguir.

Quais serão as principais prioridades da sua gestão à frente da Associação Comercial do Pará (ACP)?

“Modernizar a instituição, trabalhar fortemente a questão do marketing e fortalecer os principais braços da ACP: o Conjove, o CME (Conselho da Mulher Empresária), o Conselho de Câmaras, a Universidade Corporativa e a CAM (Câmara de Arbitragem e Mediação). Esses são os principais focos da nossa gestão”.

Como o senhor avalia atualmente o ambiente de negócios no Pará?

“O ambiente de negócios no Pará não é diferente do restante do Brasil. É um ambiente bastante hostil. Só no ano passado, tivemos mais de 3 mil mudanças na legislação. Como o empresário consegue trabalhar com tantas alterações? Nem com o melhor advogado ou contador é possível dar conta de tantas leis e regras mudando de forma tão rápida.

Esse cenário, por si só, já dificulta muito o ambiente de negócios. E o principal trabalho da ACP é justamente facilitar esse ambiente para seus associados e para a classe empresarial como um todo.

É importante ressaltar que a Associação Comercial do Pará não atua apenas no comércio. Temos empresas dos setores de indústria, serviços e consultoria, o que torna a ACP bastante abrangente.

A entidade tem uma história muito rica no empreendedorismo paraense. Foi dentro da ACP que surgiram diversas entidades de classe do Pará. Fundada em 1819, é a segunda associação comercial mais antiga do Brasil.

Além disso, o Banco da Amazônia (Basa) foi criado dentro da ACP, ainda como Banco da Borracha, a partir da necessidade dos empresários do setor. Portanto, a ACP tem um papel histórico e relevante no desenvolvimento econômico do estado”.

De que forma o chamado “custo Brasil” — especialmente em logística, tributação e burocracia — impacta o contexto regional?

“A burocracia no Brasil ainda é muito grande. Houve alguns avanços, mas ainda há muitas dificuldades para abrir ou fechar uma empresa. Recentemente, conversamos com o presidente da Jucepa, que deve instalar uma estação de trabalho dentro da ACP nos próximos dias. Nosso objetivo é sempre atuar em conjunto com os governos municipal, estadual e federal para buscar soluções que melhorem o ambiente de negócios.

Ainda enfrentamos problemas como a dificuldade para emitir certidões devido a falhas nos sistemas, o que pode impedir, por exemplo, a participação de empresas em licitações. Ou seja, ainda existem muitas barreiras a serem superadas”.

Quais medidas imediatas poderiam ser adotadas para melhorar o ambiente de negócios e estimular o empreendedorismo no Pará?

“Eu sempre digo que, se conseguíssemos reunir em uma mesma mesa — com objetivos comuns — o Poder Executivo (governador e prefeitos), o Judiciário, o Legislativo, a imprensa, que tem um papel fundamental, e os bancos, poderíamos avançar muito mais. O Pará é um estado extremamente rico, com grande potencial, mas também com muitos desafios, especialmente no interior, onde ainda há carências significativas.

O governo do estado teve uma iniciativa importante ao trazer a COP 30 para Belém, o que já gerou investimentos inéditos. Houve avanços, mas ainda há muito a ser feito.

A ACP está junto das demais entidades de classe para contribuir e facilitar o trabalho da classe empresarial, que é quem movimenta a economia. Mantemos uma boa relação com os governos para, juntos, buscarmos os melhores caminhos”.

Quais obras ou projetos logísticos o setor produtivo considera mais urgentes para destravar o desenvolvimento econômico do estado?

“Temos três pontos que considero fundamentais. O primeiro é a exploração de petróleo na margem equatorial, que pode transformar a economia do estado. O segundo é o Pedral do Lourenço, que ainda enfrenta entraves para avançar. E o terceiro é a Ferrogrão. O investimento estimado é de cerca de R$28 bilhões, com previsão de oito anos para conclusão. O projeto já existe há cerca de dez anos e está parado há três.

A Ferrogrão pode gerar uma economia de aproximadamente R$7 bilhões por ano, ou seja, em poucos anos o investimento se paga. Além disso, pode reduzir o custo do frete em até 40%, tornando o Pará mais competitivo para exportação.

Também temos pautas importantes relacionadas ao Centro Comercial de Belém. A ACP possui estudos sobre o tema e já dialogou com o prefeito Igor Normando. Estamos trabalhando em conjunto com a Prefeitura para pensar soluções para o centro da cidade”.

Como o senhor avalia a carga tributária brasileira e quais são os principais impactos para os pequenos negócios?

“Tivemos mudanças recentes, e outras ainda virão em 2026 e 2027. A tendência é de aumento da carga tributária, inclusive para os pequenos negócios, o que é bastante preocupante. O empresário já não suporta mais aumentos. Somado à burocracia, isso torna o ambiente de negócios ainda mais difícil. Diante disso, o empresário precisa se reinventar constantemente, adaptando sua empresa às novas realidades impostas pelo cenário econômico”.

Qual é a avaliação da ACP sobre os efeitos da reforma tributária para o setor comercial?

“Temos estudos que apontam aspectos positivos e negativos da reforma tributária. A ACP tem atuado ao lado dos empresários para ajudá-los a compreender essas mudanças. Contamos com economistas, contadores e profissionais qualificados que orientam os empresários nesse processo de adaptação. Toda mudança gera desconforto e preocupação, mas nosso papel é capacitar o empresário para que ele consiga analisar seu negócio de forma estratégica e se adequar à nova realidade”.

Como deve ser a relação da entidade com o governo do Estado e as prefeituras? Há expectativa de maior diálogo institucional?

“Sim, há expectativa de ampliação do diálogo institucional. Já mantemos uma relação muito positiva com o governo do estado. O governador Helder Barbalho sempre foi aberto ao diálogo com a classe empresarial, e acreditamos que a vice-governadora Hana Ghassan continuará esse trabalho.

Também temos um bom relacionamento com o governo municipal, a Assembleia Legislativa e a Câmara de Vereadores. Um tema importante é a revisão do Plano Diretor Urbano de Belém, que impacta diretamente a construção civil. A ACP deve atuar em conjunto com a Prefeitura e o Legislativo nesse processo”.

A informalidade ainda representa um entrave relevante para o setor? Quais caminhos podem ser adotados para enfrentá-la?

“A informalidade está muito ligada à falta de informação. Muitos trabalhadores não conhecem os benefícios da formalização, como aposentadoria e acesso a crédito. A ACP atua junto a empresas de diferentes portes, incluindo microempreendedores individuais (MEIs), incentivando a formalização.

Trabalhamos para conscientizar sobre a importância de estar regularizado, garantindo mais segurança e possibilidade de crescimento. Esse é um desafio permanente para todas as entidades de classe: reduzir a informalidade por meio da informação e do apoio ao empreendedor”.

Há projetos em tramitação no Congresso Nacional que preocupam o setor produtivo? Quais e por quê?

“A discussão sobre a mudança da escala 6x1 para 5x2 é uma grande preocupação. Estudos indicam que isso pode aumentar o custo da mão de obra entre 15% e 22%. Em setores intensivos em mão de obra, isso tem um impacto significativo. Empresas de serviços, por exemplo, podem ser fortemente afetadas. Esse aumento pode gerar repasse de custos ao consumidor, pressionando a inflação. Além disso, pode impactar o funcionamento de setores como o comércio, especialmente aos domingos.

Somado a isso, temos o cenário internacional, com aumento no preço do petróleo — que saiu de cerca de 65 dólares para 100 dólares o barril — elevando o custo dos combustíveis e impactando toda a cadeia produtiva. Isso reduz o poder de compra da população e aumenta ainda mais os desafios para o setor produtivo”.

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