Inflação dos alimentos em Belém pressiona vendas no Ver-o-Peso e pressiona o lucro de boieiras
Capital paraense registrou a maior alta do país no grupo alimentação e bebidas, segundo o IPCA divulgado pelo IBGE
A inflação dos alimentos tem afetado diretamente o faturamento de vendedores de refeições no Ver-o-Peso, em Belém. Com o aumento no preço de itens como peixe, carne, frango, açaí, óleo e gás de cozinha, trabalhadores do setor afirmam que precisaram reduzir a margem de lucro, diminuir o tamanho das porções e, em alguns casos, reajustar os preços das refeições para conseguir manter os negócios funcionando.
Dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que Belém registrou, em abril, a maior inflação do país no grupo alimentação e bebidas, com alta de 2,39%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O resultado ficou acima da média nacional e puxou a inflação geral da capital paraense para 1,08%, enquanto o índice brasileiro ficou em 0,67%.
Alta dos alimentos afeta boieiras
No principal mercado da capital paraense, as famosas boieiras, relatam dificuldades para equilibrar os custos de produção sem perder clientes.
No ponto onde Washington Macedo trabalha vendendo refeições, praticamente todos os insumos utilizados nas refeições ficaram mais caros nos últimos meses.
“Tentamos manter a qualidade, mas fica difícil competir com quem vende mais barato usando produtos inferiores”, afirmou.
Segundo ele, o impacto da inflação pode ser percebido diretamente no preço das refeições tradicionais vendidas no local. Um dos exemplos citados é o prato de peixe com açaí.
“Antes das movimentações da COP 30, a gente vendia o peixe com açaí por R$ 15 ou R$ 20. Hoje está entre R$ 40 e R$ 50”, disse.
Washington afirma que muitos estabelecimentos acabam reduzindo a qualidade para conseguir praticar preços mais baixos. Para ele, isso prejudica a imagem do mercado como um todo. “Tem gente vendendo mais barato, mas usando um açaí inferior ou peixe menor. A pessoa come uma vez algo ruim e acaba achando que é tudo igual”, afirmou.
A boieira Altalina Silva afirma que encontrou outra estratégia para lidar com a alta dos custos: manter o valor da refeição, mas reduzir a quantidade servida. “A refeição continua R$ 20, mas tivemos que diminuir um pouco as porções. Antes iam três pedaços de peixe ou carne, agora vão dois”, contou.
Carnes mais caras
Para os permissionários, os aumentos tem sido um calo nos pés, sobretudo do preço da proteína. “O que mais subiu de preço foi dos peixes e carne. As de qualidade estão bem mais caras”, explica.
Altalina afirma que o aumento dos preços atingiu praticamente toda a cadeia de abastecimento do negócio. Segundo a comerciante, alguns cortes de carne bovina chegam a custar entre R$ 45 e R$ 50 o quilo.
O açaí também se tornou um dos principais desafios para os vendedores do mercado. Altalina afirma que muitos consumidores questionam a diferença de preços entre os estabelecimentos.
“Muita gente reclama dizendo que encontrou mais barato em outro lugar. Mas o litro do açaí para a gente custa entre R$ 30 e R$ 40. Se eu vender muito barato, não sobra lucro”, afirmou.
Inflação dos alimentos em Belém foi a maior entre as capitais
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, o IBGE, o grupo alimentação e bebidas foi o principal responsável pela alta da inflação em Belém no mês de abril. O resultado colocou a capital paraense no topo do ranking nacional do IPCA, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, no segmento.
Além dos alimentos, comerciantes também relatam pressão causada pelo aumento de despesas operacionais, como gás de cozinha, combustíveis e taxas pagas pelos permissionários do mercado.
Para os trabalhadores do Ver-o-Peso, o cenário atual exige equilíbrio entre preço, qualidade e fidelização dos clientes. Mesmo diante da alta dos custos, muitos afirmam que evitam reajustes maiores para não afastar consumidores em um momento de perda do poder de compra da população.
“É difícil manter a qualidade com tudo aumentando, mas a gente tenta porque o cliente percebe e se afasta”, afirmou Altalina.
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