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Indústria paraense leva ao maior festival de energia soluções para a cadeia de óleo e gás

Comitiva do Sistema FIEPA participa do ROG.e 2026, no Rio de Janeiro

O Liberal
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O Pará chegou à ROG.e 2026 não apenas como parte da nova fronteira exploratória brasileira, mas com a estratégia de se apresentar como potencial base logística, produtiva e de serviços para a cadeia de óleo e gás. Foi com esse posicionamento que uma comitiva técnica e institucional do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) iniciou, nesta segunda-feira (21), no Rio de Janeiro, uma série de agendas voltadas à aproximação com operadoras, entidades empresariais, instituições reguladoras e fornecedores do setor.

Realizada até quinta-feira (24), no Riocentro, a ROG.e reúne alguns dos principais agentes da indústria de energia do país e se consolida como uma das maiores plataformas de negócios, inovação e relacionamento do setor. Nesta edição, a expectativa é receber cerca de 70 mil participantes. A abertura, na manhã desta segunda-feira, reuniu representantes do poder público e lideranças da indústria de energia.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou a dimensão alcançada pela produção brasileira e o peso do setor para a economia nacional. “Em 2025, o Brasil produziu 4,9 milhões de barris de óleo por dia, sendo 3,9 milhões de barris de petróleo, o que nos colocou como o nono produtor de petróleo do mundo. Em agosto de 2026, foram 5 milhões de barris de óleo equivalente por dia, sendo 4 milhões de barris de petróleo. A Petrobras opera cerca de 90% da produção brasileira”, afirmou. 

Magda também apontou novas frentes para sustentar a produção nas próximas décadas. “Seguimos ampliando as nossas fronteiras. Avançamos na Margem Equatorial, onde identificamos a presença de hidrocarbonetos, estamos avançando na Bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e assinamos oito contratos para exploração e produção de petróleo no mar da Costa do Marfim”, afirmou. Segundo ela, a Petrobras também estuda, para o Plano de Negócios 2027-2031, a possibilidade de alcançar a autossuficiência brasileira na produção de diesel, além de desenvolver descobertas relevantes de gás na Colômbia.

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O encontro será realizado no dia 30 de setembro, na sede da Fiepa

Ao abordar os desafios da indústria, o chair do Comitê Organizador da ROG.e 2026, Nelson Narciso Filho, defendeu que a transição energética seja compreendida como uma estratégia de combinação de diferentes fontes e tecnologias.

“Evolução não significa necessariamente abandonar o que existe. Evolução significa saber combinar recursos, tecnologias e conhecimentos para responder aos desafios de cada tempo. É assim que eu vejo a transição energética: não como uma escolha entre uma fonte e outra, não como uma ruptura entre passado e futuro, mas como a capacidade de combinar aquilo que temos hoje com aquilo que estamos construindo para amanhã”, completou Nelson Narciso Filho.

Para o presidente do Sistema Fiepa, Alex Carvalho, a participação da entidade parte de uma mudança de perspectiva sobre a Margem Equatorial. “Mais do que acompanhar os debates nacionais do setor, nosso objetivo é inserir o Pará como protagonista nas discussões sobre investimentos, conteúdo local, fornecedores, qualificação profissional, inovação e infraestrutura associadas à nova fronteira energética brasileira. Estamos prontos para atender a nova agenda econômica”, afirmou.

Segundo Carvalho, o desenvolvimento da Margem Equatorial precisa produzir efeitos para além da exploração. “A expectativa é ampliar a participação de empresas paraenses, formar fornecedores, capacitar trabalhadores, atrair negócios e criar condições para que parte relevante dessa cadeia seja estruturada no Estado”, comentou.

Nesse desenho estratégico apresentado pela Federação, Belém aparece como um dos principais ativos do Pará. Levantamento do Observatório da Indústria da Fiepa destaca o movimento de consolidação da capital paraense como hub logístico, com condições para funcionar como base de apoio às operações offshore — realizadas no mar, afastadas da costa —, além da estrutura portuária e de serviços associada à atividade.

“A perspectiva de futuras operações na Bacia Pará-Maranhão reforça esse posicionamento e amplia a necessidade de preparação da economia local”, afirmou Alex Carvalho.

Parceria para preparar fornecedores paraenses

Ainda nesta segunda-feira (21), a Fiepa e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) firmaram parceria para o desenvolvimento do projeto de Mapeamento e Ativação de Fornecedores para o Mercado de Petróleo, Gás, Energias e Naval no Pará. A iniciativa busca identificar capacidades já existentes entre as empresas paraenses, mapear lacunas e preparar fornecedores para atender às exigências técnicas, comerciais e de conformidade dos grandes projetos do setor.

Na assinatura, o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, destacou a possibilidade de compartilhar com o Pará a experiência acumulada pelo Rio de Janeiro em uma cadeia na qual o estado fluminense já possui forte atuação. Para ele, a perspectiva aberta pela Margem Equatorial cria espaço para novos projetos e para uma maior integração entre as indústrias dos dois estados.

“Temos uma expertise que pode ser compartilhada com os demais estados que hoje têm a oportunidade de se tornar produtores de petróleo. Alex, que este momento seja inspirador para novos projetos de desenvolvimento e de grandeza para o Pará, para o Rio de Janeiro e para o Brasil. Essa fronteira petrolífera que se descortina na Margem Equatorial traz uma oportunidade muito importante”, afirmou Caetano.

Para Alex Carvalho, a cooperação chega em um momento em que o Pará busca transformar potencial energético em capacidade produtiva instalada no próprio Estado. “O setor industrial paraense está pronto para participar dessa nova etapa. Acreditamos no desenvolvimento sem destruição. Temos uma indústria que conhece a Amazônia, que produz com responsabilidade e que tem a sustentabilidade incorporada à sua realidade. Esta parceria representa exatamente este momento: unir a experiência de quem já possui uma cadeia consolidada à capacidade e ao potencial que o Pará está preparando para oferecer”, afirmou Alex Carvalho.

Entre as entregas previstas estão o levantamento do perfil das empresas, análise de portfólios, documentação e certificações, identificação de potenciais empresas âncoras e uma jornada de qualificação. O projeto também prevê uma etapa no Pará de interação entre compradores e fornecedores, com orientação para cadastramento e aproximação direta entre as empresas.

“A iniciativa se soma ao trabalho já desenvolvido pela Redes Fiepa, que atua com rodadas de negócios, diagnóstico e auditoria de fornecedores, capacitação empresarial e uma plataforma com módulo específico para licitações de óleo e gás”, explicou o gerente executivo da Redes Fiepa, Fábio Xerfan.

Portfólio integrado

Durante a ROG.e, o Sistema Fiepa apresenta um portfólio de soluções voltado ao setor de energia, óleo e gás, reunindo capacidades já instaladas e novas frentes em estruturação. “A proposta é mostrar que a atuação do Sistema pode acompanhar diferentes fases dos projetos, desde os estudos e a preparação da mão de obra até a operação offshore e o desenvolvimento de fornecedores”, afirma Alex Carvalho.

As soluções estão organizadas em oito áreas: educação profissional pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai); serviços técnicos e tecnológicos; pesquisa, desenvolvimento e inovação pelo Instituto Senai de Inovação; saúde e segurança pelo Serviço Social da Indústria (Sesi); desenvolvimento empresarial e inovação pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL); internacionalização pelo Centro Internacional de Negócios (CIN); conexão e desenvolvimento de fornecedores por meio da Redes FIEPA; e inteligência estratégica pelo Observatório da Indústria da FIEPA.

Os números da Margem Equatorial deram suporte à estratégia apresentada pelo Sistema FIEPA no Rio de Janeiro. A região reúne cinco bacias sedimentares — entre elas a Pará-Maranhão — e tem potencial estimado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em 30 bilhões de barris.

O planejamento da Petrobras prevê US$ 2,5 bilhões entre 2026 e 2030 e 15 poços exploratórios até o fim do período, segundo levantamento do Observatório da Indústria da Fiepa. No Pará, são estimados 52 mil empregos potenciais relacionados ao desenvolvimento da Margem Equatorial. O Estado também já ocupa posição relevante no cenário energético nacional, com 9,5% da capacidade instalada de geração elétrica do Brasil, a terceira maior participação entre os estados.

Agenda segue durante a ROG.e

Ao longo dos próximos dias, os representantes do Sistema Fiepa terão encontros com instituições como a Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP), a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (ABESPetro), o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entre outros.

A comitiva também participará de circuitos de visitas e acompanhará discussões sobre cadeia de suprimentos, logística offshore, biocombustíveis, gás natural, novas fronteiras exploratórias, descarbonização e investimentos em exploração e produção. A programação prevê ainda aproximação com grandes operadoras do setor de óleo e gás, como TotalEnergies, BP, Shell e Petrobras.

“A proposta é colocar o Pará e as perspectivas da Margem Equatorial no centro das interlocuções regulatórias, empresariais e associativas que envolvem o futuro do setor”, afirmou Alex Carvalho.

Amazon Energy como plataforma amazônica

A participação na ROG.e também será utilizada pela Fiepa para ampliar a interlocução em torno do Amazon Energy, evento realizado em Belém que reúne setor produtivo, poder público, especialistas, instituições e investidores para discutir a agenda energética da Amazônia.

Em 2026, o encontro resultou na Carta de Belém II, documento com 14 prioridades para o desenvolvimento do setor, envolvendo segurança jurídica, fortalecimento de fornecedores locais, infraestrutura, qualificação profissional, sustentabilidade e integração entre petróleo, gás e transição energética.

Para 2027, a estratégia é ampliar e consolidar o Amazon Energy, aproximando do Pará empresas e instituições que participam das principais decisões e investimentos da cadeia.

“Vamos aproveitar a oportunidade e falar, durante a ROG.e, sobre mais esta solução que o Sistema Fiepa tem. É mais que um evento, é uma plataforma estratégica de conhecimento e conexão de negócios para o setor de energia, óleo e gás na Amazônia”, completou o presidente Alex Carvalho.

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