Indústria apresenta agenda estratégica aos presidenciáveis
Fiepa participa do debate nacional promovido pela Confederação Nacional da Indústria, em Brasília (DF)
Lideranças da indústria de todo o país participaram, nesta segunda-feira (22), do evento “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília (DF). A iniciativa reuniu representantes do setor produtivo e os pré-candidatos à Presidência da República. Participaram Ronaldo Caiado (PSD), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), apresentando suas visões para o futuro do país e respondendo a questionamentos do setor industrial.
A Federação das Indústrias do Pará (Fiepa) também esteve presente, representada por diretores e presidentes de sindicatos industriais. O presidente da Fiepa, Alex Carvalho, fez perguntas sobre os planos para as políticas fiscal e monetária como instrumentos para ampliar a confiança dos investidores, estimular a atração de capital privado e criar um ambiente mais favorável ao crescimento econômico.
Em resposta, Romeu Zema (Novo) defendeu: “O Brasil está crescendo menos do que o mundo e corre o risco de se tornar cada vez menos relevante. O principal motivo é a política econômica que mantém juros elevados. Essa taxa de juros funciona como um carro andando com o freio de mão puxado: anda devagar, gasta mais e nem sempre chega onde deveria chegar. Precisamos de juros civilizados para que empresas possam investir e famílias possam consumir”, afirmou.
Zema também defendeu a redução dos gastos públicos, o fortalecimento da responsabilidade fiscal e maior participação de representantes do setor produtivo na política. Ele acredita que a experiência empresarial pode contribuir para uma gestão pública mais eficiente e voltada à geração de resultados.
Propostas para o desenvolvimento do país
No evento, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, entregou a publicação “Construindo o Brasil 2050 – A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis. O documento, elaborado pela CNI, reúne a visão estratégica do setor para o crescimento econômico.
Alban ressaltou que a publicação propõe uma agenda estruturada em três grandes eixos: crescimento econômico sustentado, fortalecimento do desenvolvimento produtivo e redução do Custo Brasil. Para a CNI, “o Brasil vive um momento decisivo em que o crescimento econômico dependerá cada vez mais da capacidade de elevar a produtividade, ampliar investimentos privados e criar um ambiente favorável à inovação e à geração de empregos”.
Entre as propostas, estão medidas para ampliar a competitividade da indústria brasileira, fortalecer a inserção internacional do país, impulsionar a inovação tecnológica, acelerar a transição para uma economia de baixo carbono, ampliar a qualificação profissional e promover maior equilíbrio no desenvolvimento regional.
Infraestrutura é prioridade
A publicação prioriza, entre os temas de destaque, a infraestrutura de transportes, considerada um dos principais gargalos à competitividade brasileira. Como proposta, o setor aponta a diversificação da matriz de transporte de cargas, para reduzir a dependência do transporte rodoviário de longa distância e a ampliação da participação de ferrovias, hidrovias, portos e cabotagem.
O documento tem 12 propostas específicas para o setor de transportes, incluindo a ampliação da participação privada em concessões, a modernização da gestão portuária, a aceleração da devolução de trechos ferroviários ociosos, a expansão da infraestrutura para movimentação de contêineres, o fortalecimento da cabotagem e das hidrovias e o enfrentamento do problema das obras paralisadas.
Alex Carvalho, pondera, por exemplo, que “a infraestrutura deficiente eleva custos logísticos, encarece os produtos e reduz a competitividade da indústria brasileira. São fatores que aumentam o Custo Brasil. A modernização do setor de transportes é fundamental para aumentar o bem-estar das famílias, reduzir desigualdades, fortalecer a indústria e promover um crescimento econômico sustentado no país”.
A indústria defende que o planejamento da infraestrutura seja tratado como política de Estado. Conforme a publicação, a falta de planejamento integrado e as interrupções frequentes em projetos estruturantes reduzem a eficiência dos investimentos e atrasam o desenvolvimento do país.
Segurança jurídica e confiança para investir
A segurança jurídica e a previsibilidade regulatória também foram tratados no evento. A avaliação é que a confiança dos investidores está diretamente relacionada à existência de regras claras, estabilidade institucional e processos regulatórios eficientes.
Sobre o tema do aumento da capacidade da competitividade do país, o pré-candidato, Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o Brasil tem uma das maiores oportunidades do mundo para receber novos investimentos, especialmente diante das mudanças geopolíticas e das transformações nas cadeias globais de produção. Mas, o senador considera que a insegurança jurídica afasta investidores.
“Como é que alguém consegue fazer um plano de negócios para 10 anos se tudo muda em uma canetada? Precisamos recuperar a confiança e gerar segurança jurídica. Se conseguirmos reduzir a carga tributária, simplificar a legislação e diminuir o Custo Brasil, as empresas brasileiras ficarão mais competitivas e teremos um ambiente muito mais favorável aos investimentos”, disse Flávio.
O presidenciável Ronaldo Caiado também foi questionado por Alex Carvalho sobre as políticas fiscal e monetária, segurança jurídica e medidas para ampliar a confiança dos investidores no Brasil. Caiado disse que a retomada da credibilidade institucional e a continuidade das reformas estruturantes serão fundamentais para recuperar a confiança do mercado.
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