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Crise hídrica pode elevar ainda mais preço da energia elétrica no Pará

Conta de luz das famílias de baixa renda incluídas na Tarifa Social de Energia Elétrica continuará com a bandeira tarifária vermelha 2 em outubro.

Natalia Mello

O preço pago pelas contas de energia elétrica pode ficar ainda mais caro, segundo o Conselho Estadual de Consumidores de Energia Elétrica do Pará. Para outubro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que a conta de luz das famílias de baixa renda incluídas na Tarifa Social de Energia Elétrica continuará com a bandeira tarifária vermelha 2, de R$ 9,49 a cada 100 quilowatts/hora (kWh) consumidos. Para as demais classes econômicas, a tarifa aumentou para R$ 11,20.

“Demoraram muito a tomar decisões e assim como aconteceu ano passado está acontecendo de novo. Tudo que sai errado vem para o bolso do consumidor e isso nos aborrece muito. Para não criar um ambiente ainda mais desfavorável, mantiveram a tarifa para as classes de baixa renda e aumentaram para as outras, e isso deve se agravar mais ainda nos próximos meses, porque eles precisam cobrir o déficit estimado em R$ 5 a R$ 6 bilhões”, afirmou o presidente do Conselho, Carlindo Lins.

Ainda de acordo com ele, pelo Brasil ainda depender de energia da natureza, o risco é alto de o país ficar sem energia. “Se a natureza se aborrecer conosco, ficamos sem sol, sem água, sem luz. A gestão hídrica precisa ser aperfeiçoada. Precisamos investir em outras formas de energia, como a eólica, a vinda do gás, que e menos poluente e tem melhor rendimento, e no Brasil é autossuficiente, temos reservas imensas. Na Europa somente 9% da energia é hídrica. Precisamos corrigir os erros nessa gestão”, finalizou.

Para o economista Nélio Bordalo, a manutenção da tarifa impacta, claro, negativamente no orçamento mensal das famílias de baixa renda, em decorrência de ser mais uma despesa adicional e que irá comprometer ainda mais a renda mensal dos grupos familiares, que já estão com vários aumentos de itens de consumo, principalmente alimentação.

“As famílias de baixa renda, nos últimos meses, em função de vários reajustes de preços de sua cesta de consumo e a inflação, perderam seu poder de compra. Considerando o salário mínimo, essa perda foi em torno de R$ 62 em 2021, e qualquer aumento de despesas no orçamento domestico é prejudicial as famílias, que terão que reduzir ainda mais o consumo de algum item ou até mesmo deixar de pagar alguma conta”, pontua.

Bordalo diz ainda que a saída é economizar energia com novos hábitos das famílias, evitando o desperdício de energia. “Por exemplo, não deixar a luz acessa em ambientes desocupados, não deixar a TV ligada sem alguém estar assistindo, trocar as lâmpadas comuns pelas de led, ou seja, usar a energia de forma inteligente e racional. Essa preocupação não deve ser só dos adultos, mas também dos adolescentes e crianças, que devem ser orientadas para o melhor uso da energia em casa”, concluiu.

Foi o que a arquiteta Andresa Gaby, de 40 anos, optou por fazer em casa, com o marido e o casal de filhos. Ao invés de somente reduzir os gastos, ela decidiu conversar com as crianças sobre a importância de mudar os hábitos e até mesmo para explicar o motivo das economias. “É conversar sobre o que estamos vivendo. Usávamos o chuveiro elétrico quatro vezes por dia, sempre na água quente, hoje usamos duas vezes água fria. Máquina de lavar usávamos todos os dias em casa, porque criança suja muita roupa, agora estamos usando duas vezes na semana. Também não uso mais ferro de passar, estendo a roupa no cabide porque já seca direitinho, e trocamos todas as lâmpadas por led. E isso está fazendo toda a diferença”, afirmou.

O proprietário de dois pontos de venda de açaí sentiu o impacto do aumento da energia e diz que a conta mais que dobrou nos últimos meses. “Eu pagava 50, 70 reais, mas agora uso a maquina de branqueamento a gás, a televisão e o ventilador, e veio 159 reais. A gente tem que apertar em outras coisas para poder cumprir o com o pagamento de água, energia, aluguel. Acaba não podendo baixar muito o preço do produto mesmo estando em safra, para a gente poder sobreviver”, afirmou Raimundo Cascaes.

Economia
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