Cesta básica paraense volta a subir e acumula alta de 12% no ano

Preços dos alimentos foram reajustados acima do índice de inflação, aponta Dieese

Fabrício Queiroz
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Após dois meses de queda, os itens da alimentação básica subiram 1,47% em Belém no mês de novembro no comparativo com o mês de outubro, alcançando o valor médio de R$ 624,29, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA). Com a elevação, o custo da cesta básica dos paraenses acumula alta de 12,11% de janeiro a novembro, índice superior à inflação do período que está estimada em 5%.

Entre os 12 produtos pesquisados, a maioria apresentou alta, sendo que o principal vilão do orçamento doméstico no período pesquisado foi o tomate que variou 11,50%. Em seguida, aparecem a farinha de mandioca que subiu 5,18%, a banana com alta de 2,68%, o feijão que está 1,04% mais caro e o arroz com alta de 0,55%. Ao longo do ano, alguns deles também figuram na lista dos alimentos que sofreram os maiores reajustes. São eles: pão (28,90%), leite (26,44%); café (20,06%), manteiga (19,23%), feijão (18,75%), banana (18,71%), farinha de mandioca (9,54%), arroz (9,44%) e carne bovina (7,36%).

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Já na análise dos últimos 12 meses, a cesta básica teve um reajuste acumulado de 13,38% em Belém, acima da inflação do período que está calculada em 7%. Essa constante elevação dos preços fez com que o valor destinado para manter uma família composta por dois adultos e duas crianças também aumentasse. De acordo com o Dieese-PA, o custo da cesta básica para esse padrão familiar está em R$ 1.872,87. Isso significa que a alimentação compromete mais de um salário mínimo e meio da renda da população. Além disso, a compra dos 12 itens básicos equivale a 55,69% do salário mínimo vigente de R$ 1.212. As estimativas do Departamento indicam, portanto, que são necessárias 113 horas e 19 minutos de trabalho para cobrir esse custo.

Para a autônoma Rose Leal, 52, que trabalha com vendas de doces e salgados por encomenda, a inflação dos alimentos tem afetado tanto o dia-a-dia da família, composta por ela, o marido, dois filhos e mais uma neta, bem como do próprio negócio. O cento de salgados vendido por Rose, por exemplo, já passou de R$ 40 para R$ 50 nesse ano.

image A farinha de mandioca teve alta de 5,18% em novembro e de 9,54% ao longo de 2022 (Igor Mota / O Liberal)

“Eu tenho que estar todos os dias no mercado, na feira, nos supermercados maiores pra economizar e tentar equilibrar o orçamento. Tem que comprar uma coisinha aqui e outra ali mais barato”, diz a autônoma, que observou o encarecimento de alguns artigos essenciais, como óleo, leite, café, açúcar, arroz e carne. Diante dessa realidade, Rose diz que uma estratégia adotada envolve até abrir mão de parte do consumo. “A gente vai economizando um pouquinho de hoje pra amanhã porque a carne, por exemplo, está super cara. A gente se limita, a gente fica se privando de ter uma boa alimentação porque os preços estão caros”, reclama.

O autônomo Sebastião Calandrino, 48, compartilha a mesma opinião e destaca que as elevações de preços são perceptíveis principalmente em relação aos itens mais comuns, como o arroz, o feijão e a farinha. “Tudo aumentou, tanto feijão, arroz, os legumes como tomate e cebola. Está um absurdo. O preço dos alimentos está muito alto. Pesa muito pra gente manter a família”.

image O autônomo Sebastião Calandrino reclama do alto custo da alimentação no orçamento (Igor Mota / O Liberal)

No comparativo com as 17 capitais brasileiras pesquisadas, Belém aparece na 12ª colocação entre as cidades com maior custo para a cesta básica, com o valor de R$ 624,29. São Paulo está no topo do ranking do custo da alimentação, com valor de R$ 782,68; em seguida estão Porto Alegre, com a cesta básica calculada em R$ 781,52; e Florianópolis, onde o custo é de R$ 776,14.

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