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Centro Sebrae expõe as cores e sabores do Pará no Rio de Janeiro

Mostra leva a cultura paraense com comidas típicas e clima do Círio de Nazaré

Natália Mello / O Liberal

A fé mariana e a atmosfera cultural que paira religiosamente - de forma literal - todos os anos, no mês de outubro, em Belém, tomaram um voo do Norte ao Sudeste do País e ganharam os corredores do Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab) desde sábado (2). A mostra “Círio de Cores e Sabores” apresenta ao público carioca, e a turistas do Brasil inteiro que passam pelo Rio de Janeiro, um pouco da produção de artesanato feita no Pará e inspirada na devoção à Nossa Senhora de Nazaré e no Círio, a maior manifestação religiosa do mundo, que ocorre sempre no segundo domingo de outubro. Em 2021, a maior romaria ainda não será retomada para evitar aglomerações, mas a imagem peregrina vai fazer um sobrevoo na capital paraense no próximo dia 10. 

A artesã Silvia Valente, de 56 anos, é uma das expositoras, e revela: no crochê produzido a partir de um MDF da imagem de Nossa Senhora, viu a oportunidade de levar para o Brasil, nas formas que deram vida ao tecido, a figura da padroeira dos paraenses. “O artesanato do Brasil só vê a Nossa Senhora de Aparecida, então, comprei uma imagem de uma mandala em MDF com a Nazinha recortada por dentro, e o rapaz que trabalha comigo criou a imagem baseado no que eu ia dizendo, aí temos esse resultado”, conta.

O crochê é um dos oito tipos de artesanato presentes na amostra - também tem objetos de miriti, cerâmica, entre outros. A prática é uma paixão para a artesã, que diz ter uma relação com o artesanato desde criança. O ofício ela aprendeu ainda criança com a mãe, e conseguiu passar para as três filhas um pouco desse conhecimento tradicional. “Sou designer de moda de formação, e sempre usei o crochê no meu trabalho. Aprendi o amigurumi (técnica japonesa para fazer bonecos de tricô ou crochê) e fui me especializando, adaptando as receitas. Fiz a Nossa Senhora em um tamanho maior que a padrão, adaptei a receita de um príncipe e fiz ele virar um promesseiro. O crochê segue como uma receita de bolo, para ir formando o desenho do boneco que você quer”, explica.

Selecionada

Para ela, que criou as três filhas graças à produção do artesanato, é gratificante poder estar com suas produções em uma exposição fora do Estado. “O Erivaldo, que é um dos curadores do Sebrae, foi meu professor da faculdade, e me escolher para representar o Pará com o meu trabalho em uma mostra. Estou me sentindo uma estrela. Sempre sou lembrada, isso e sinal de que meu trabalho, entre 300 artesãos que se inscreveram, não é esquecido”, diz a artesã, que tem ainda outros três produtos expostos na mostra: um anjo, uma mandala, e dois corações, que simbolizam a corda do Círio, onde o amor dos devotos se torna quase que palpável. “A corda é um símbolo de amor, não de sofrimento, e só tem na romaria de domingo, por isso trabalhei para fazer algo que simbolizasse esse objeto”, concluiu.

Artesanato de miriti exposto no Rio (Natália Mello / O Liberal)

A mostra foi aberta na sexta-feira (1°), às 17h, em evento restrito a convidados que foi transmitido pelo Youtube do Crab (CRAB Sebrae). Uma rodada de carimbó, na ocasião, representou a “Festa da Chiquita”, evento tradicional que ocorre na noite do sábado que antecede o Círio, com o grupo carioca Letto e o Baile Norteado – que tem integrantes paraenses e que divulga a dança folclórica e a música do Pará em várias regiões do País.

Neste ano, além do Pará, a programação das Ocupações CRAB contemplará mostras de artesanato regionais coordenadas pelo Sebrae nos estados do Piauí, Tocantins, Minas Gerais e Rio Grande do Norte.

Gastronomia

Algumas iguarias do tradicional almoço do Círio de Nazaré poderão ser degustadas no evento de abertura da mostra, preparadas pelo paraense Claudomiro Maués, o chef Bola, que esteve presente na abertura.

Arroz de pato, arroz paraense, maniçoba e o frito do vaqueiro estiveram no menu servido aos convidados pelo chef Bola. A paixão pela cozinha veio da mãe e, depois de ir para Belém cursar engenharia civil e voltar para Soure após problemas financeiros, o marajoara percebeu a oportunidade de trabalhar o sentimento das pessoas por meio do paladar. “Gastronomia não é só fazer comida, é levar felicidade para as pessoas. Seja qual for o motivo, as pessoas vão procurar uma boa comida para serem felizes, então a partir de sabores do nosso Estado eu levo a felicidade. Mas não é só isso, o Sebrae me deu a oportunidade de ser empresário e viver desse ofício que é cozinhar. Tem que saber lidar com dinheiro, fazer conta, e isso o Sebrae me ensinou”, destacou.

Giovanna Temido ouviu falar do jambu pela música de Dona Onete e agora pôde provar (Natália Mello / O Liberal)

O contato com o Pará começou com as aulas de carimbó, no Rio de Janeiro, mas a jornalista Giovanna Temido, de 21 anos, provou o arroz paraense pela primeira vez na noite de sexta-feira. Ela conta que, por conhecer o trabalho de Dona Onete, tinha curiosidade de provar o jambu, e gostou. “Ela fala na música e a gente fica na cabeça, nossa, adorei, é muito levinho e dá uma sensação diferente na boca”, afirmou.

Círio

Sobre o Círio, a carioca diz se impressionar com a grandiosidade da manifestação, e, mesmo sem nunca ter vivenciado a festividade, considera a devoção e fé em Nossa Senhora de Nazaré universal. “Acho muito bonito a fé que as pessoas têm e a energia para se juntar na procissão. Hoje em dia a religião não tem uma força e uma tradição tão grande quanto o Círio. Até quem não é cristão sente, porque é uma comoção muito grande. Mesmo que você não viva lá, não tenha religião, você fica comovido, porque as imagens que você tem do Círio são impressionantes”, avalia.

O superintendente do Sebrae, Rubens Magno, vê na inauguração do espaço uma oportunidade de mostrar ao Brasil e ao mundo a riqueza do artesanato paraense, por meio do simbolismo que o Círio carrega junto à imagem de Nossa Senhora. Para ele, todo esse processo faz parte da construção de um país que valoriza seus saberes e ancestralidade. “O Brasil precisa conhecer tudo isso, e a tradição mariana ocorre por diversas marias e o Pará tem essa devoção inteira dedicada a ela. E essa oportunidade de mercado também é importante. Estamos trabalhando o artesão paraense há anos para que ele se veja como empresário, para que a gente possa escalar as suas vendas e levar esse trabalho através do nome de Nossa Senhora de Nazaré, isso é muito importante para o Sebrae do Pará”, finalizou.

Já a gerente do Crab, Ana Paula Moura, lembra que a partir do momento em que o Estado ocupa o espaço, ele veste o Centro com a sua cultura, gastronomia e artesanato. Além disso, para ela, estar localizado em uma cidade turística como o Rio de Janeiro traz visibilidade para o trabalho produzido no Pará. “Para a gente é muito legal poder comemorar as cores e sabores do Pará. O que tivemos aqui hoje foi um preview do Círio de Nazaré? que ocorre há muitos anos. E o Rio de Janeiro é uma porta importante de entrada do turista no Brasil, então se torna um importante canal de vendas dessa cultura, trazendo possibilidades e visibilidade para esse artesão”, conclui.

Elementos da Mostra

Na entrada, o visitante vê a instalação “Mandingas do Veropa”, na qual serão apresentados os tradicionais cheiros do Pará, feitos com a mistura de ervas amazônicas para atrair bons fluídos, segundo as erveiras do Ver-o-Peso.

A gastronomia paraense também estará representada em uma mesa cenográfica do tradicional almoço do Círio, associado às várias tipologias do artesanato paraense nos sousplats de fibra de tucumã (Trançados de Arapiuns – Santarém), pratos de cerâmica com grafismos marajoaras (Distrito de Icoaraci), panelas de cerâmica refratária (São Mateus e Vila que Era- Bragança), porta guardanapo de miriti (Abaetetuba), entre outros. Pato no tucupi, maniçoba e arroz paraense vão compor o cenário.

São 174 peças de 25 artesãos de Abaetetuba, Belém, Bragança e Santarém em exposição e todas poderão ser adquiridas por meio da plataforma Amazônia Market (amazoniamarket.com.br). A retirada dos objetos será no CRAB, no final da mostra. O diretor de desenvolvimento do Sebrae Rio, Sérgio Malta, falou sobre a importância de visibilizar o Pará na estreia da sala “Ocupações” do Crab, já que, mas palavras dele, o estado é um dos mais representativos da cultura brasileira. “Estamos no Rio, mas a intenção é desenvolver iniciativas para fomentar mercado e as vocações nacionais dos nossos artesãos, a nossa dimensão é nacional. E o Pará estreia esse espaço com o seu artesanato e a sua cultura popular que são tão fortes. Estamos alegres por apresentar peças do mercado do Pará”, ressaltou.

Ocupações no Crab

Em 2020, o Crab deu um importante passo para consolidar sua missão: ser um Centro Sebrae de Referência e Excelência do Artesanato Brasileiro. Em outubro do ano passado, foi instituído um Comitê com membros do Sebrae Nacional e das unidades de outros estados. O objetivo desse conselho, além de avaliar a proposta de planejamento estratégico e analisar as atividades a serem desempenhadas pelo CRAB é, primordialmente, conectar o Crab com o Brasil.

Visando a potencializar esta conexão, o Crab e o Sebrae Nacional convidaram as áreas de Artesanato dos Sebrae nos estados a ocuparem o CRAB com mostras temporárias todos os anos, apresentando o que há de mais significativo e relevante no artesanato do seu estado. Para possibilitar que todos os estados tenham a oportunidade de apresentar os seus produtos de artesanato e a sua cultura local no CRAB, foi criada a categoria Ocupação.

O local abriga uma coleção permanente de 1.500 itens de todos os tipos, que representam a expressão da cultura popular e da criatividade brasileira. Entre as obras mais significativas estão cerâmicas de Zezinha do Vale de Jequitinhonha (MG), de João Borges (Teresina-PI), João das Alagoas (Capela-AL), Maria Sil (Capela-AL) e esculturas em madeira de Abelardo dos Santos (Ilha do Ferro-PI). O CRAB também dispõe de midiateca e espaços multiuso, como um auditório de 100 lugares e salas para oficinas e workshops. Os ambientes são destinados à capacitação, formação, especialização, pesquisa e experimentação.

Serviço

A exposição “Círio de Cores e Sabores” teve a curadoria da Unidade de Projetos Estratégicos do Sebrae no Pará, e apresenta ao público um conjunto de objetos decorativos e utilitários típicos da região, feitos em cerâmica, fibras vegetais, cuias, tecidos, madeira, miriti, entre outros. A mostra é uma homenagem à Nossa Senhora de Nazaré, mas vem também para dar visibilidade ao talento dos artesãos paraenses e promover a comercialização desses produtos, tudo na sala térreo do CRAB. As visitas podem ser feitas até o dia 30 de outubro e deverão ser agendadas pelo link: https://bit.ly/VisiteOCRAB. O visitante deverá seguir todos os protocolos de segurança sanitária contra a covid-19 (exigência de máscara, uso de álcool gel, distanciamento e comprovante de vacinação, conforme determinado pela Prefeitura do Rio de Janeiro). O Crab fica na praça Tiradentes 69 e está aberto de terça-feira a sábado, das 10h às 17h. A entrada é gratuita.

 

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