Castanha-do-pará registra salto de 657,2% em exportações

Colômbia é o principal concorrente do Brasil na produção de castanha-do-pará

Valéria Nascimento/Redação Integrada

A boa safra da castanha-do-pará em 2018 deu ao produto a maior variação positiva de crescimento entre todos os itens da pauta de exportação paraense, no ano. A castanha-do-pará exportou US$ 32.270.521 milhões, um crescimento de 657,02%, de acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). A coordenadora do Centro Internacional de Negócios do Pará (CIN), do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Cassandra Lobato, pontua contudo que esse resultado é atípico, provavelmente não se repetirá em 2019.

“A Colômbia é o principal concorrente do Brasil na produção de castanha-do-pará e ficou para atrás no ano passado. O Estado do Pará registrou uma altíssima safra em 2018, o que lhe deu capacidade de maior competitividade em preço e atendimento da demanda dos Estados Unidos, historicamente, o maior importador da castanha-do-pará produzida no território paraense, mas esse é um resultado bem peculiar, as próprias empresas não esperam que ele se confirme em 2019’’, ponderou Cassandra Lobato, que é economista de formação.  Ela comentou que seria necessário pesquisar as condições da safra da Colômbia, em 2018, para identificar porque o país não teve um bom desempenho com a castanha. 

Embora a pauta de exportações paraenses se destaque expressivamente com o minério. Em 2018, o setor respondeu por 87,80% desta pauta, Cassandra Lobato chama a atenção para o crescimento da diversificação de produtos tradicionais do Pará. Além do ótimo resultado da castanha-do-pará, ela citou o crescimento da participação dos frutos de sucos, o que inclui a polpa do açaí que registrou aumento de 45.16%, em 2018 se comparado com 2017. Em valores, o açaí exportou quase 22 milhões de dólares em 2017, e em 2018, exatos 31 milhões, 923 mil de dólares.

“Não é fácil diversificar essa pauta. Há estados brasileiros que há 20 anos exportam exatamente os mesmos produtos. O Pará, há 20 anos, centrava sua pauta em dois únicos segmentos produtivos: o florestal e o mineral. Agora, há uma crescente variação’’, pontuou a coordenadora do CIN/Fiepa, citando além de outros frutos como maracujá, laranja e cupuaçu que então na pauta como sucos de frutas, a pauta de produtos não tradicionais, como a soja, carnes bovinas com o boi vivo e o aumento da fase primária da carne de corte.

Sobre a importância de se manter um saldo expressivo em exportações, Cassandra Lobato destacou a geração de divisas para as empresas brasileiras e o melhor grau de competitividade dos produtos nacionais.

De acordo com o MDIC, o Pará exportou um total de 15, 6 bilhões de dólares (US$), em 2018, com um saldo de 14,4  bilhões de dólares e uma variação positiva de 7,76%, resultado que o colocou com o segundo  melhor saldo entre todos os estados da Federação, atrás somente de Minas Gerais. Entre os produtos, em 2018, os minerais seguiram sendo o carro-chefe da pauta de exportações paraense, representando 87,80% de tudo o que é exportado no Pará.
 

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