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Canetas emagrecedoras ficam mais acessíveis em Belém, mas tratamento ainda pode custar até R$ 3 mil

Descontos oferecidos por laboratórios, novas marcas e maior concorrência reduziram preços, mas acompanhamento médico e pesquisa continuam essenciais

Jéssica Nascimento

O preço das chamadas canetas emagrecedoras caiu nas farmácias de Belém nos últimos meses, segundo profissionais do setor, com opções que já podem ser encontradas a partir de R$ 399. A redução está relacionada principalmente a programas de descontos oferecidos pelos fabricantes, parcerias com redes de farmácias e à chegada de novas marcas de medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, ampliando a concorrência no mercado. 

Apesar da queda, o tratamento ainda pode representar um gasto elevado para o consumidor. Dependendo do princípio ativo e da dosagem, uma caneta pode chegar a cerca de R$ 3 mil. Além disso, os especialistas alertam que o preço não deve ser o principal critério para a escolha do medicamento: os produtos exigem prescrição e acompanhamento médico, tanto para definir a opção adequada quanto para reduzir os riscos associados ao uso incorreto.

Descontos ajudam a reduzir os preços

De acordo com a farmacêutica Anna Paula Sousa, os valores praticados atualmente estão abaixo dos preços registrados no início da popularização desses medicamentos. Segundo ela, canetas que antes custavam entre R$ 800 e R$ 1 mil podem ser encontradas por valores menores por meio de programas de benefícios dos laboratórios.

“Os preços caíram bastante. Logo nos lançamentos era um preço alto, então nem todo mundo tinha acesso às canetas emagrecedoras. Agora, com parceria entre farmácias e laboratórios, eles fazem descontos através do CPF dos clientes”, explicou.

Entre as opções mais acessíveis, a farmacêutica citou medicamentos à base de semaglutida, que podem custar a partir de R$ 399 com os descontos oferecidos pelos fabricantes. Já os produtos de dosagens maiores podem chegar a aproximadamente R$ 3 mil.

image Anna Paula Sousa, farmacêutica. (Foto: Ivan Duarte)

“O preço varia conforme o miligrama. Quanto mais baixa, menor o preço. Vai aumentando a miligrama, maior o preço”, afirmou Anna Paula.

Segundo ela, os chamados combos também contribuem para diminuir o custo. Nesses casos, o consumidor compra mais de uma caneta, de acordo com a prescrição e a necessidade do tratamento, e obtém desconto.

Novas marcas aumentam a concorrência

O farmacêutico Orlando Campos afirmou que a entrada de medicamentos similares e genéricos no mercado tende a ampliar a competição e pressionar os preços para baixo.

“Os preços caíram porque a patente foi quebrada. Então existem alguns medicamentos hoje disponíveis que a gente classifica como similares e genéricos e eles já estão sendo adquiridos pelas farmácias que têm perfil para venda desses produtos”, declarou.

Entre os medicamentos de referência, o Ozempic, da Novo Nordisk, utilizado principalmente no tratamento do diabetes tipo 2, pode ser encontrado por valores na faixa de R$ 900 a R$ 1 mil, dependendo da farmácia e dos programas de desconto. Já o Wegovy, também da Novo Nordisk e indicado para obesidade e controle de peso, pode ultrapassar R$ 1 mil, conforme a dosagem.

image (Foto: Ivan Duarte)

Entre as novas opções está o Ozivy, da EMS, apontado como a primeira semaglutida sintética produzida no Brasil. O produto pode ser encontrado por aproximadamente R$ 452 a R$ 464 por caneta avulsa, além de kits promocionais vinculados ao programa do laboratório.

Também foram aprovadas novas marcas de semaglutida, como Zempneo, Semavy, Owozy, Seemasun, Orsema e Semaclique. Os preços de parte dessas opções ainda dependem da definição ou liberação dos valores regulados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

Procura continua alta em Belém

A redução dos preços ocorre em um mercado que já apresenta forte procura. Segundo Anna Paula, as duas principais classes encontradas nas farmácias — semaglutida e tirzepatida — estão entre as mais procuradas pelos consumidores.

“As duas fórmulas estão sendo bem procuradas. Com o lançamento dessas canetas emagrecedoras foi uma revolução, foi muito procurado”, disse.

A farmacêutica estima que o paciente consiga iniciar um tratamento com um desembolso mensal a partir de aproximadamente R$ 500, embora o valor final dependa do medicamento, da dosagem e da estratégia definida pelo médico.

A disponibilidade de opções mais baratas, portanto, não significa que todos os tratamentos tenham o mesmo custo. O aumento progressivo da dose pode elevar o valor desembolsado ao longo do tratamento, enquanto medicamentos de referência e determinadas apresentações permanecem em faixas de preço mais altas.

image (Foto: Ivan Duarte)

Receita é obrigatória

Apesar da maior facilidade de acesso provocada pela redução dos preços, as canetas não podem ser compradas livremente nas farmácias. A venda exige prescrição médica e retenção da receita.

“Não é só você chegar na farmácia e solicitar a compra. Ela é com retenção de receita. Então toda caneta emagrecedora você só vai comprar se tiver uma receita dada pelo médico”, explicou Anna Paula.

Segundo a farmacêutica, a receita tem validade de 90 dias e a venda sem prescrição não é realizada pela farmácia.

Orlando Campos também afirmou que esses medicamentos estão sujeitos a controle especial. “A procura por ele aumenta significativamente, porém só pode ser vendido por um farmacêutico de uma drogaria com a presença e a retenção da receita, no caso proveniente de um prescritor habilitado”, declarou.

Médico deve definir o tratamento

Para a endocrinologista Cecília Coimbra, a escolha da medicação precisa considerar as características individuais do paciente e não pode ser baseada apenas no preço.

“O acompanhamento médico é importante não apenas para definir qual caneta é mais adequada para cada paciente e qual dose deve ser utilizada, mas também para garantir a segurança durante todo o tratamento”, afirmou.

A médica também chama atenção para a origem dos produtos. Com a popularização das canetas, aumentou a preocupação com medicamentos falsificados, de procedência duvidosa ou comercializados de forma irregular.

“Não é simplesmente escolher a caneta mais barata. É escolher um tratamento seguro, adequado e acompanhado por um médico”, declarou Cecília.

image (Foto: Ivan Duarte)

Uso inadequado pode trazer riscos

Os medicamentos também podem provocar efeitos adversos e não devem ser utilizados como solução isolada para perda de peso. Anna Paula explicou que fatores metabólicos, genéticos e os hábitos de vida precisam ser considerados durante o tratamento.

“Não é só tomar e esperar o emagrecimento. A pessoa vai emagrecer, vai perder massa magra, vai se sentir mais fraca, vai ter reações adversas como enjoo, náuseas, pode ter diarreia ou prisão de ventre”, explicou.

A farmacêutica reforçou que exames laboratoriais e avaliação médica são necessários antes da definição do medicamento e da dosagem.

 

 

 

 

 

 

 

 

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