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Pará tem menor inadimplência de aluguéis dos últimos oito meses

Taxa ficou em 4,53% em julho, abaixo dos 5,41% registrados em junho, mas ainda acima das médias nacional e da região Norte

Gabi Gutierrez

A inadimplência de aluguéis no Pará caiu para 4,53% em julho, o menor índice registrado no Estado nos últimos oito meses, segundo o Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) da Superlógica. O resultado representa uma redução de 0,88 ponto percentual em relação a junho, quando a taxa havia chegado a 5,41%.

Apesar da queda mensal, o indicador paraense ficou acima da média nacional, de 3,05%, e da região Norte, de 4,04%, no mesmo período. Na comparação com julho de 2025, quando a inadimplência no Pará estava em 4,22%, houve alta de 0,31 ponto percentual.

Segundo Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias da Superlógica, o segundo recuo mensal consecutivo é um sinal positivo, mas o cenário ainda exige acompanhamento.

“O Pará vem de uma trajetória de oscilações ao longo do último ano. Com isso, mesmo com a queda registrada em julho, é necessário acompanhar os indicadores econômicos dos próximos meses para entender como a inadimplência locatícia deve se comportar”, afirma.

Norte tem segunda maior inadimplência do país

Entre as regiões brasileiras, o Nordeste apresentou a maior taxa de inadimplência em julho, com 4,88%, apesar da queda em relação aos 5,15% registrados em junho. O Norte apareceu em segundo lugar, com 4,04%, ante 4,30% no mês anterior.

Na sequência ficaram o Centro-Oeste, com 2,80%, o Sudeste, com 2,78%, e o Sul, que registrou a menor taxa do país, de 2,67%.

Dentro da região Norte, os imóveis comerciais apresentaram a maior inadimplência, de 6,51%, alta de 0,29 ponto percentual em relação a junho. Os apartamentos registraram 3,49%, enquanto as casas tiveram a maior queda, passando de 4,72% para 3,40%.

Aluguéis de menor valor concentram maiores taxas

O levantamento também mostra que os imóveis de menor valor continuam concentrando as maiores taxas de inadimplência no país. Entre os imóveis comerciais de até R$ 1 mil, a taxa foi de 7,27% em julho, mesmo após recuo de 0,13 ponto percentual.

Na mesma faixa de preço, os imóveis residenciais registraram inadimplência de 5,99%, também a maior entre as categorias residenciais analisadas.

Para Manoel Gonçalves, o comportamento está relacionado à menor margem financeira das famílias de renda mais baixa.

“Em um cenário de juros ainda elevados e de pressão sobre o custo de vida, famílias com menor margem no orçamento tendem a sentir mais o impacto do aumento de despesas essenciais, como alimentação e transporte, o que pode reduzir a capacidade de absorver imprevistos e manter compromissos como o aluguel em dia”, explica.

Entre os imóveis residenciais, um dos principais recuos ocorreu nos aluguéis acima de R$ 13 mil, cuja inadimplência caiu 0,58 ponto percentual, para 4,84%. Nos comerciais, a faixa entre R$ 5 mil e R$ 8 mil passou de 3,90% para 3,77%.

As menores taxas foram registradas nos imóveis residenciais entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, com 1,74%, e nos comerciais entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, com 3,42%.

Na divisão por tipo de imóvel, os três segmentos apresentaram queda no país. A inadimplência dos comerciais passou de 4,19% para 4,17%; a das casas caiu de 3,45% para 3,29%; e a dos apartamentos recuou de 2,16% para 2,14%.

Pará acumula queda no primeiro semestre

No recorte dos primeiros seis meses de 2026, a taxa média de inadimplência no Pará ficou em 4,88%. O resultado foi inferior aos 5,81% registrados no primeiro semestre de 2025, mas ficou acima da média de 4,31% observada no segundo semestre do ano passado.

No Brasil, a taxa média do primeiro semestre de 2026 foi de 3,24%, abaixo dos 3,71% registrados no segundo semestre de 2025 e dos 3,30% do primeiro semestre do ano passado.

O Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica é elaborado a partir de dados anonimizados de mais de 800 mil locatários e busca servir como ferramenta para apoiar decisões estratégicas de imobiliárias, além de funcionar como um indicador do comportamento da economia e da capacidade de pagamento dos consumidores.

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