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Busca por seguros de vida cresce na pandemia; Pará ocupa 1º lugar no Norte

Até julho deste ano, R$ 62 milhões foram pagos pelas seguradoras, alta de 83,53% em relação aos números de todo o ano de 2019

Elisa Vaz / O Liberal

O alto índice de mortes causadas pela covid-19 desde o ano passado, durante a pandemia, fez com que muitas pessoas se preocupassem com seus dependentes e buscassem uma proteção em caso de falecimento. Um estudo realizado pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), com base em dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), mostrou que o Pará ocupa o primeiro lugar no ranking de Estados do Norte onde mais houve procura por produtos de proteção, e é também o 14º do Brasil.

Além disso, em 2021, até o mês de julho, os seguros de vida resultaram em um total de R$ 62 milhões pagos pelas seguradoras aos segurados, nos chamados sinistros, quando há a ocorrência de um dos riscos cobertos na apólice. Esta é uma alta de 83,53% em relação aos números fechados de todo o ano de 2019 – R$ 33,8 milhões. Ou seja, em pouco mais da metade deste ano, foi alcançado quase integralmente o valor gasto em todo o ano de 2019, quando ainda não havia a pandemia.

De acordo com o membro da Comissão de Produtos de Risco da Fenaprevi, Victor Bernardes, embora a entidade não disponha de dados específicos sobre a covid-19 no Pará, porque não foi feito um recorte estadual, é possível afirmar que o crescimento dos sinistros cobertos pelas seguradoras tem relação direta com a alta taxa de mortalidade pela covid-19 no Estado.

“Se você comparar 2018 com 2019, por exemplo, tem mais prêmios – valor pago para garantia dos riscos pela seguradora – em 2019 do que em 2018. E no caso dos sinistros, há o oposto. Hoje, em 2020 e 2021 o caminho é inverso. Com seguros de vida, é muito difícil ter mudanças de comportamentos em anos normais, porque a ‘sinistralidade’ é a mesma. Então, se foge da estatística, certamente podemos atribuir à covid-19, que teve uma mortalidade maior e, portanto, resultou em mais sinistros. Agora, podemos esperar que esse dado seja reduzido, por causa da vacinação”, pontua.

Além do Pará, que, segundo Victor, teve uma média de crescimento de 30% na procura por proteção, todos os outros Estados do Norte também registraram altas na casa dos 20%. Alguns do restante do país tiveram reajustes acima de 40% ou 50%, sendo este também um reflexo da crise sanitária. Ainda segundo um levantamento da Fenaprevi, entre abril de 2020 e agosto de 2021, ou seja, durante quase todo o período pandêmico, o mercado segurador pagou R$ 4,6 bilhões em indenizações por mortes decorrentes da covid-19 no Brasil, em um total de 122.362 sinistros. Até o final de outubro, a entidade espera que os valores alcancem os R$ 5 bilhões.

Covid

Na avalição do especialista, a doença causada pelo novo coronavírus trouxe o assunto “para a mesa”, já que um grande número de pessoas afetadas pela pandemia passou a ter mais preocupação com a necessidade de proteção financeira para suas famílias. “O papel que o mercado segurador assumiu perante a sociedade durante a pandemia foi muito importante, porque, inicialmente, a covid-19 era um risco não coberto, por ausência de outro histórico tão emblemático como é o atual. O nosso papel social foi de assumir um risco não coberto, mesmo que a equivalência do prêmio não exista. As seguradoras não fugiram, tanto que mais de 120 mil famílias foram seguradas e que possivelmente estariam desamparadas sem o seguro, e isso fez com que a perda fosse um pouco mais aliviada, porque elas tiveram amparo. E foi um momento sem precedente histórico. Nós somos um país que não tem essa cultura de proteção, então acredito que foi um sinal muito relevante para o mercado”, adianta Victor.

Embora o seguro de vida esteja entre os mais procurados – ele representou 61,98% dos sinistros pagos aos segurados nos sete primeiros meses deste ano –, ainda há outros segmentos previstos dentro dos seguros de pessoas, que é o universo de produtos voltados à proteção contra riscos para o indivíduo, a família e o patrimônio. Ele inclui o seguro prestamista, de acidentes pessoais, de funeral, de doenças graves ou terminais, de viagem, educacional e outros.

A ideia do mercado atualmente, de acordo com Victor, é de que, além do seguro de vida e fora o fator covid-19, as pessoas saibam da importância de ter proteção em geral. “Antigamente, o número de seguros de automóveis era maior que o de pessoas. Por que o seu carro merece proteção e não a sua vida? Essa mudança aconteceu há alguns anos e o seguro para pessoas vem ocupando espaço diferenciado, mas ainda com muito potencial de crescimento”, diz.

Crescimento

Dentro do mercado paraense, o diretor financeiro do Sindicato dos Corretores de Seguros do Pará (Sincor), corretor de seguros José Lucas Neto, afirma que houve, de fato, aumento na procura por proteção dentro do Estado. “Com a pandemia, o segurado começou entender algo óbvio: ele morre e adoece, e de nada adianta ter o último modelo de celular e não ter saúde”, comenta. Além disso, ele diz que as seguradoras trabalharam para a melhoria dos produtos e fizeram campanhas de vendas de seguros odontológico, de saúde, de vida e os planos de previdência, sendo que os três últimos tiveram a maior procura na pandemia, de acordo com José.

Foram pagas indenizações por morte e houve aumento dos gastos das empresas de planos de saúde que são regulamentadas pela Agência Nacional de Saúde (ANS) e de seguros de saúde, regulamentadas pela ANS e pela Susep. “Isso vai impactar em algum momento, mas pode ter o impacto diminuído pelo aumento significativo das vendas, que possibilitará diluir os sinistros pagos, pelos prêmios recebidos ou a receber. Esse ecossistema funcionou bem e vai ser desacelerado com o mesmo movimento da pandemia”, aponta.

Segurança

Porém, para José, a importância de ter um seguro ocorre em todos os momentos, não apenas na pandemia, e é tido por alguns como um investimento. Por exemplo, se uma pessoa faz um pacote de prêmio de R$ 1 milhão e paga R$ 200 por mês, no final gastou R$ 50 mil e ganhará, eventualmente, o valor acordado. Ainda de acordo com o membro da Comissão de Produtos de Risco da Fenaprevi, Victor Bernardes, as coberturas, os tipos de seguros e os preços variam em cada seguradora, mas aderir a uma das modalidades disponíveis não é caro.

“O preço alto é um mito, isso não deveria ser um empecilho. Certamente, não é a ideia ter um valor alto no orçamento familiar. No caso do acidente pessoal, por exemplo, o seguro pode custar até R$ 15 reais por mês, dependendo do pacote e do tamanho da cobertura, que é o segmento que mais atrai jovens. Com a democratização dos seguros, temos produtos para todas as camadas da população, para alguém que quer cobertura mínima até uma família que está preocupada com a sucessão patrimonial e já tem um patrimônio”, destaca o especialista.

Victor ainda diz que o público que mais passou a aderir os seguros após o início da pandemia, em todo o país, foram as mulheres, cuja idade média de contratação caiu de 45 anos de idade para 35. Na avaliação de Victor, esse comportamento ocorreu para as pessoas que ficaram sensibilizadas com as perdas e se preocuparam com filhos, por enxergarem uma dependência familiar. Ele acredita que este mesmo cenário tenha sido observado no Norte e no Pará.

Complementação de renda

É o caso da advogada Priscila Souza, de 35 anos. Casada, com duas filhas, ela decidiu, em 2018, aderir a um seguro de vida em seu nome e, caso ela faleça, as crianças receberão o valor estipulado em sua apólice de seguro. “O seguro de vida serve para quando o segurado fica inválido ou falece ter um valor que, quando investido, fica para complementação da renda. Eu sou advogada especialista em previdência social e sempre chegam em meu escritório pessoas que ficaram inválidas, e o valor da aposentadoria pública não supre às necessidades básicas dos meus clientes. Isso também acontecia com as pessoas que faleciam é que deixavam a pensão para esposa ou  filhos. O principal objetivo seria, na minha invalidez ou no meu falecimento, ter o futuro das minhas filhas garantido”, opina a advogada.

A apólice de Priscila é completa e possui as seguintes coberturas: seguro de vida, prestamista, de acidentes pessoais, de funeral, de doenças graves ou terminais, de viagem e educacional. A escolha por um plano abrangente, segundo ela, se deu pela preocupação com o futuro das filhas, caso ela fique inválida. Agora, com a proteção, a mãe sente que sua família está amparada, já que o seguro vai garantir os estudos de suas filhas e as necessidades básicas até elas terem condições financeiras para se manterem.

No início, a advogada afirma que foi “complicado” inserir o pagamento do seguro no orçamento familiar e precisou economizar, mas que, com o passar do tempo, ela e o marido conseguiram se adaptar a essa despesa extra.

Palavras-chave

Economia
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