Bolsa brasileira cai e dólar sobe com crise bancária nos EUA e Europa
Na segunda-feira (13), o Ibovespa já havia caído 0,18%, chegando a 102.932 pontos

Nesta quarta-feira (15), o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo (B3), apresenta forte queda devido à preocupação dos investidores com a crise bancária nos Estados Unidos e o declínio do Credit Suisse na Europa. Às 12h10, o índice estava em baixa de 1,77%, aos 101.134 pontos, tendo atingido sua mínima diária em 100.692 pontos. Além disso, o dólar registrou alta de 1%, ultrapassando a marca de R$ 5,30. Na última segunda-feira (13), o Ibovespa já havia caído 0,18%, chegando a 102.932 pontos, acumulando quedas de 3,86% no mês e 8,07% no ano.
Após a falência do Silicon Valley Bank (SVB), um banco californiano, as autoridades americanas criaram estratégias para evitar problemas no sistema bancário. Uma dessas medidas feita pelo Federal Reserve para garantir a solidez do sistema financeiro foi permitir que os bancos oferecessem empréstimos "ilimitados", desde que houvesse garantias em títulos seguros do governo.
Após a queda do SVB e do Signature Bank, reguladores prometeram ressarcir todos os depósitos dos clientes, mesmo aqueles acima do limite de US$ 250 mil. Essas medidas ajudaram a estabilizar os mercados na terça-feira, mas a situação ainda era monitorada. No entanto, nesta quarta-feira, os investidores novamente buscaram ativos seguros devido às preocupações com a situação do banco Credit Suisse. Após resultados ruins no último trimestre, seu principal acionista, o Saudi National Bank da Arábia Saudita, anunciou que não irá aumentar sua participação no capital da instituição, agravando a situação.
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O presidente do SNB, Ammar Al Khudairy, disse que não pode ultrapassar seu patamar societário — que hoje é de quase 10% — "devido a uma questão regulatória".
Nesta quarta-feira (15), as ações do banco Credit Suisse caíram mais de 20% na bolsa suíça, o que gerou temores mais amplos sobre a possibilidade de uma crise no setor financeiro internacional. Outros bancos europeus, como BNP Paribas e Deutsche Bank, também quedas relevantes, de aproximadamente 10%.
"O Credit Suisse não está relacionado diretamente ao SVB, mas vinha tendo problemas há algum tempo. A questão é que volta a preocupação dos investidores em relação ao setor financeiro, um medo que gere algum contágio também para outros setores ou mesmo para os grandes bancos americanos", diz Jennie Li, estrategista de Ações da XP.
"Na nossa opinião, quando olhamos para os indicadores do setor, os bancos continuam com níveis de indicadores bastante saudáveis. A percepção é que SVB e Credit Suisse são eventos específicos. Mas, mesmo assim, o mercado volta a se preocupar com isso."
(Luciana Carvalho, estagiária da Redação sob supervisão de Keila Ferreira, Coordenadora
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