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Belém aposta na autenticidade cultural para impulsionar o turismo

Setor turístico trabalha com foco na boa acolhida e valorização das bebidas e comidas únicas da região

Valéria Nascimento
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Instalado às margens da baía do Guajará, o Porto Futuro II atraiu quase 20 mil visitantes em dez dias, em outubro do ano passado, tornando-se um sucesso de atratividade popular instantânea, logo que foi inaugurado naquele mês. Seis meses se passaram e o espaço segue atraente, afirmam a direção do complexo e os visitantes. 

“A gente tem um aumento gradual do número de visitantes todo mês”, disse Igor Pontes, assessor da diretoria de eventos do Porto Futuro 2, na sexta-feira, dia 17 deste mês de abril. Igor, que é engenheiro ambiental, de formação, explicou que a direção do complexo, vinculado à Secretaria de Cultura do Pará (Secult), atua para preservar o interesse do público pelo lugar.

image Igor Pontes, assessor da diretoria de eventos do Porto Futuro 2: "Trazemos programações culturais varidas, a ideia é a democratização do espaço", disse ele. (Cláudio Pinheiro / O Liberal)

Pontes observou que o complexo investe no turismo contemporâneo da experiência. “Trazemos várias programações culturais, tentando mesclar com a gastronomia paraense, é assim, o turismo contemporâneo. Hoje em dia, não é só visitar o espaço, é viver o espaço, ver o que está acontecendo, conhecer cada cantinho do local, saber o que tem lá, e a gente quer que as pessoas tenham essa experiência aqui dentro do Porto Futuro”, disse Igor.

"Nós trouxemos nossos alunos, são adultos, idosos do bairro do Guamá, para que eles tivessem a oportunidade de conhecer a cidade, da qual fazem parte e que muitos não têm a oportunidade. Aí, aproveitamos também para trazer para um evento educativo, um evento que fala sobre a cultura indígena tão presente no nosso território”, disse a professora Andréa Bessa, que visitava o Porto Futuro na última sexta-feira.

image Andréa Bessa é professora de Educação de Jovens Adultos (Eja): “É um espaço livre. Qualquer pessoa pode vir, o espaço está aberto", disse ela. (Cláudio Pinheiro / O Liberal)

Complexo se mostra motivador

Andréa é professora de educação de jovens e adultos (EJA) há 24 anos, em Belém. Ela e colegas professores acompanhavam um grupo de alunos adultos em uma programação da Caixa Cultural, um dos espaços do Porto Futuro II. Ela já conhecia o Porto Futuro II em visita anterior com a família dela, e contou que em sala de aula, a conversa tem girado em torno da cultura indígena, por isso, a ida ao complexo se mostrou tão motivadora. A turma foi apreciar a programação "Caravana Mekukradjá: Literatura Indígena em Movimento", que entre 17 e 19 de abril, realizou atividades gratuitas como contação de histórias, danças e cantos.

"Nós estamos conversando com os meninos (alunos) sobre os povos originários. No ano passado, tivemos alunas indígenas, inclusive o colar que estou usando, foi feito por uma delas. Mostrar a diversidade, o respeito e esse multiculturalismo, foi essa a nossa intenção ao vir”, disse a professora. Perguntada se a turma da Eja estava à vontade, ela respondeu: “É um espaço livre. Qualquer pessoa pode vir, o espaço está aberto. Acho fundamental oportunizar isso às pessoas adultas, alunos trabalhadores. Essa é uma oportunidade de ver a cidade de uma outra forma”, disse a educadora.

Belém aposta na autenticidade cultural para impulsionar o turismo

A percepção da professora vai ao encontro dos planos da diretora de eventos do complexo, conforme apontou Igor Pontes. “O nosso objetivo, enquanto diretoria de eventos, é promover a democratização do espaço, conseguir trazer todo tipo de público, do infantil ao adulto, incluindo as famílias. É para isso que a gente busca diferentes eventos, uma variedade grande para atrair as pessoas”. Ele inclusive informou que a diretora está organizando uma programação com música instrumental e shows de jazz, ainda para este mês de abril.

image Pedro Carvalho é barman em uma coquetelaria: "É uma honra trabalhar aqui, focar na nossa cultura, nossos hábitos e em nossa culinária”, afirmou o jovem. (Cláudio Pinheiro / O Liberal)

 

Drinks de Urucum e Cumaru

Numa outra ponta de atratividade do Porto Futuro II, o jovem Pedro Carvalho fazia coquetéis numa coquetelaria regional, um dos empreendimentos que funcionam no Centro de Gastronomia, ambiente bastante movimentado. “A gente tem um público diversificado, depende do dia, às vezes, é mais jovem, às vezes, mais velho”, disse Pedro, enquanto preparava um drink colorido com ingredientes exóticos.

“A nossa proposta é regional, a gente só não abre nas terças-feiras. Os dias que têm mais movimento aqui são sábado e domingo, final de semana. Temos drinks com especiarias e com insumos regionais. Por exemplo, um dos que mais saem aqui é o de Urucum, uma especiaria amazônica que a gente usa para comida, para tempero, mas que é ótimo no drink. É uma honra trabalhar aqui, focar na nossa cultura, nossos hábitos e em nossa culinária”, disse Pedro Carvalho.

Além do Centro de Gastronomia e da Caixa Cultural, o Porto Futuro II, na avenida Marechal Hermes, no bairro do Reduto, em Belém, inclui o Museu das Amazônias e o Parque de Bioeconomia. Na noite da sexta-feira já citada, o espaço não estava lotado, mas havia visitantes em todas as áreas. Gente, predominantemente, paraense.

A Secretaria de Turismo no Pará (Setur) divulgou no dia 13 deste mês que o turismo cresceu mais de 30%, no ano de 2025, e movimenta mais de R$ 1 bilhão na economia paraense. De acordo com a Setur, as experiências ligadas à natureza, à cultura e à gastronomia amazônica influenciam positivamente esse movimento.

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